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 A Prometida

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Miss Hangover

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MensagemAssunto: A Prometida   Sex Out 19, 2012 8:26 pm

PRÓLOGO

Londres, Inglaterra.
27 de junho de 2012.
Nem mesmo a música poderia me fazer sentir melhor naquele momento. O som ecoava alto pelos meus ouvidos, mas não o suficiente para me fazer ficar surda e simplesmente parar de ouvir as brigas em casa. Meus pais, eles provavelmente não faziam ideia do mal que as suas discussões intermináveis causavam em mim, ou em Stacy, minha irmã de apenas dez anos que estava tendo sua infância num inferno. Ela era o motivo de eu ainda não ter deslizado um canivete pelos meus pulsos.
- Ann, vai ficar tudo bem? – Ela choramingava com o rosto enterrado em seu travesseiro. Minhas mãos tremiam, e com certa dificuldade eu deslizava meus dedos pelos cabelos escuros dela.
- Vai. Tenha certeza. – Beijei o topo de sua cabeça. – Eu já volto.
- Vai para onde?
- Eu já volto, Stacy.
Peguei a chave de meu carro que estava no criado-mudo, saindo de casa com algumas lágrimas correndo pelo meu rosto. Desci as escadas apressadamente, e ao chegar na garagem a minha cabeça parecia estar a ponto de explodir. Com o pé afundando no acelerador, eu dirigia sem rumo algum. As luzes na rua eram pontos brilhantes que faziam meus olhos arderem.
Então... Foi isso o que aconteceu. Tudo rápido demais. Ouvi a buzina tão alta que minha reação foi tirar as mãos do volante, confusa. O impacto do caminhão contra o meu carro foi imediato, e devo dizer que não senti nada, eu somente não conseguia ouvir ou ver nada.
Se a morte é tão indolor assim, por que as pessoas a temem tanto?


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Última edição por Miss Hangover em Ter Out 23, 2012 8:35 pm, editado 1 vez(es)
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Miss Hangover

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MensagemAssunto: Re: A Prometida   Sex Out 19, 2012 10:11 pm

CAPÍTULO 1

Acordei com o cheiro de chá de camomila entrando pelas minhas narinas. Esfreguei os olhos e ao abri-los, percebi que o sol já brilhava lá fora. Ah, mas eu estava muito indisposta. De qualquer forma, minha mãe me obrigaria a levantar se eu continuasse sendo prisioneira dos lençóis.
Quase tropecei na barra de minha camisola quando levantei, o que foi realmente frustrante. Ela pertencia à minha irmã mais velha, Emma, que por sinal é bem mais alta do que eu. O cheiro de camomila era embriagante no ar, porém eu precisava ver os estragos que a noite havia me causado. No espelho da penteadeira, vi uma garota com cabelos castanhos longos e ondulados, que antes tão bonitos, agora estavam um desastre. Seus olhos no mesmo tom dos fios de cabelo, porém bem mais claros, estavam inchados como se tivesse chorado lamentando a perda de um parente.
- Não vou tentar consertar você. – Murmurei para a garota no espelho. – Não agora.
Andei pelos corredores de minha imensa casa como se estivesse apreciando aquele lugar pela primeira vez. Havia vários arranjos florais, retratos e outras coisas bonitas e, com certeza, bastante caras. Não que o dinheiro fosse um problema para a minha família.
- Bom dia a todos. – Falei, adentrando na cozinha. Meus pais e minhas duas irmãs faziam a primeira refeição do dia. Sentei-me na cadeira ao lado de Stacy, a minha pequena. – Nossa, eu dormi bastante!
- Concordo plenamente, Anneliese. – Minha mãe passou a mão pelos meus cabelos bagunçados. – Coma alguma coisa. O dia será longo.
- E por qual motivo? – Questionei antes de dar uma mordida na minha torrada com mel. O gosto era incrível, e tive que lamber o lábio inferior, pois parte do doce havia ficado nele. Meu pai me olhou de forma cética, dobrando o jornal.
- Esqueceu-se do baile de máscaras de hoje, querida? – Ele ergueu uma sobrancelha. – É essencial a presença de todos os membros de minha linda família. Será com as pessoas mais importantes da Grã-Bretanha e...
- Bailes! – Exclamou uma Emma sonhadora. Ela colocou uma das mãos no rosto e encarou o nada. – Quantos homens importantes estarão lá...
Ri, dando um gole no chá quente. O líquido descia pela minha garganta, provocando uma sensação calmante, porém de alguma forma eu estava mais acordada.
- Talvez ache o seu noivo, Emma. – Comentei.
- Nós achemos, Annie.
O comentário de minha irmã mais velha me fez ficar arrepiada. Eu tinha dezoito anos e ela, vinte, mas eu não me considerava pronta para casar. Não conhecia ninguém com quem eu gostaria de compartilhar o resto da minha vida, e, com toda a sinceridade, eu não morria de curiosidade para encontrá-lo como minha irmã. Papai fez uma cara azeda:
- Annie não está na idade de casar, mesmo! Ela é minha garotinha!
- Eu quero casar, papai. – Disse Stacy, sorrindo. Isso fez com que todos nós soltássemos uma bela gargalhada. Stacy é tão jovem! Estou certa de que ela não entende o que está dizendo. Quando terminei de tomar todo o chá que estava na xícara, perguntei:
- Que dia é hoje?
- Hm... 28 de junho de 1815. – Emma riu. Ela se levantou da cadeira, alisando o tecido amarelo de seu vestido simples para usar em casa. – Anneliese, preciso de sua ajuda para escolher meus trajes de hoje à noite. Estou plenamente certa de que meu amado estará lá. Preciso impressioná-lo.
Fiz que sim com a cabeça, indo atrás dela. Apesar de ser bem mais alta do que eu, Emma é como a minha versão mais velha. Temos os mesmos traços, porém os dela são mais fortes, e meus olhos são mais claros. Eu a admirava muito. Ela, mesmo sendo desesperada por se casar e ter sua própria família, é uma menina estudiosa e deveras inteligente.
- Ah, mas você precisa se banhar, arrumar esse cabelo e colocar outras vestes antes, claro! – Emma me repreendeu. Aquilo me fez rir, porque, se eu pudesse, só me arrumaria na hora de sair para o baile. Claro, uma família aristocrata como a nossa teria que marcar presença num evento tão importante.

- Por que você está pintando meus olhos se usarei máscara? – Eu questionava para Emma que fazia a minha maquiagem. Provavelmente ela só queria que sua irmã causasse uma boa impressão. Eu achava que uma cor mais escura nos lábios já estaria suficiente, mas Emma insistia em decorar também meus olhos. Minha opinião era que aquele longo vestido púrpura já chamaria bastante atenção.
- Porque suas íris e suas pálpebras estarão visíveis. – Ela respondeu, terminando. Emma não deixava que eu me visse no espelho até sua obra estar completa, entretanto eu podia vê-la, estava belíssima. Usava um vestido azul claro, com mangas longas e saia rodada, assim como o meu. Sua máscara era branca, decorada com pérolas. Seu cabelo estava preso no alto da cabeça. – Pegue. Você vai ser a segunda mais bonita no baile. – Ela me estendeu uma máscara cor de vinho com detalhes pretos.
- Com certeza. Você será a primeira. – Esbocei um sorriso antes de colocar a máscara. – Posso me ver agora, querida irmã?
Emma saiu da frente do espelho. Eu perdi o ar ao ver aquela figura, inicialmente não acreditei que fosse a mesma maltrapilha que eu havia encarado pela manhã. Meus cabelos cacheados caíam como molas por cima dos ombros, meus lábios tinham um tom rosado escuro que fazia um efeito estranho na minha pele pálida, um colar delicado decorava meu pescoço.
- Incrível. – Balbuciei. – Bom trabalho, Emma. – A abracei carinhosamente.
- Minhas filhas! – Minha mãe entrou no quarto, com uma expressão de espanto. – A beleza de vocês é divina! Como já estão prontas, agilizem-se, a carruagem nos espera.
Apesar de a carruagem ser bastante confortável e o trajeto ter sido curto, eu não via a hora de chegar no palácio. Minha mãe estava bastante aflita, meu pai queria tentar manter a postura e Stacy estava agindo normalmente, como a criança que ela é.
- Finalmente. – Emma também estava incomodada, e se animou quando chegamos ao destino. Havia tantas pessoas importantes ali que, por um momento, eu me senti de certa forma inútil. Esperava que meus amigos estivessem presentes.
Uma palavra que eu usaria para descrever o lugar seria “impressionante”. Com certeza a realeza estava ali para que tudo fosse tão luxuoso. Cortinas de veludo vermelho cobriam as paredes, as mesas eram cobertas com toalhas de seda. Os guardas estavam distribuídos por vários pontos, garantindo a segurança. As senhoras usavam vestidos bonitos e exagerados, e os senhores estavam bastante elegantes.
O barulho das conversas era alto. Como não encontrei ninguém conhecido, resolvi ficar sentada em uma mesa junto da minha família (a ausência de meu pai já era esperada, pois ele tinha seus “negócios” para resolver com as pessoas ali presentes). Uma mão tocou meu ombro e virei o pescoço para encarar a pessoa que o havia feito. Aquele cabelo loiro e os olhos azuis poderiam ser reconhecidos por mim de qualquer lugar nesse mundo.
- Niall! – Levantei-me, jogando os braços em volta de seu pescoço e dando uma risada em seu ouvido. Niall era um dos meus amigos mais chegados desde criança. Ele e toda a sua família são irlandeses, porém uma proposta do Parlamento britânico e eles vieram até Londres em busca de melhor qualidade de vida.
- Annie! – Ele me cumprimentou. – Estou extremamente feliz em vê-la. Como você está bela!
- Obrigada. Você também não está nada mal. – Comentei, e ele fez um gesto para si mesmo que me fez rir bastante. Fiquei contente em ver Niall ali, era um garoto com quem eu adorava passar o tempo. Minha mãe achou que, como nós somos próximos, um dia chegaríamos a nos casar, mas tudo o que sentimos um pelo outro é amor fraternal. – E então, quem você já conhece das pessoas aqui presentes? – Perguntei isso porque Niall tem uma grande facilidade em conhecer as pessoas. Esse seu jeito espontâneo e risonho faz com que as pessoas gostem dele.
- Bem... Algumas moças bonitas... – Ele sorriu de canto, de forma bastante maliciosa para o meu gosto. – E alguns senhores importantes. – Niall começou a apontar enquanto falava: - Aquele é o sir Liam James Payne, duque de Wolverhampton; e aquele ali é o sir Zayn Javadd Malik, duque de Bradfort.
- O que está cortejando a moça de rosa? – Disse eu, pois não consegui distinguir para onde o dedo de Niall apontava. E também porque aquela moça me era familiar, de certa forma.
- Esse mesmo. Meio tímido, meio misterioso, mas aparenta ser um bom rapaz. – Niall deu de ombros. Continuei encarando o duque de Bradfort até perceber com quem ele estava. Sacudi Niall pelos ombros.
- Céus, Niall, a moça com o duque é Dianna! Dianna!
Minha animação tinha um motivo óbvio: eu conhecia Dianna desde o berço. Quando nossas mães estavam grávidas, elas já previam que nós duas seríamos inseparáveis. Meu pai, sendo aristocrata, e o sr. Mills, pai de Dianna, membro do Parlamento, nossas famílias eram bastante unidas. Niall a conhecia também, e ficou embasbacado.
- Parece que nossa amiga Dianna tem a chance de se tornar importante em Bradfort. – Ele ergueu as sobrancelhas. Eu assenti com a cabeça, ainda surpresa. O som de uma orquestra começou a ecoar pelo salão e percebi que casais se dirigiam ao centro, prontos para começar a dança. Niall me estendeu a mão. – Me dá a honra, senhorita Von Walker?
Apertei a mão dele. Meu amigo me conhecia mesmo: eu adorava dançar.
- Mas é claro, senhor Horan.
Junto com os outros muitos casais, começamos a dançar. Eu sabia muito bem todos os passos, meu pai havia me ensinado a alguns anos atrás e eu não me esquecera. Niall era um bom condutor, de certa forma. Todos nos olhavam, talvez fosse por causa do meu grande vestido, ou pelo menos era isso que eu esperava. Para mim, já bastava a minha mãe achando que estávamos perdidamente apaixonados.
E então, num súbito giro, todos os casais mudaram. Essa parte da dança eu não conhecia, o que fez com que meu novo e desconhecido parceiro ficasse um pouco sentido.
- A milady não sabe dançar? – A voz rouca do rapaz questionou, e devo dizer que não gostei muito daquilo.
- Engano do senhor. – Falei, enquanto ele me conduzia a um giro. – Só fiquei confusa.
- Certamente. – Ele disse, em um tom de deboche que combinava com seu sorriso um tanto desafiador. Revirei os olhos e decidi que não falaria mais nada, só continuei dançando e esperando que aquilo acabasse. – Admito que tentei me conter, mas devo dizer que seus olhos são os mais bonitos que já vi em toda a minha vida.
Engoli em seco, voltando a olhar para o rosto dele. Apesar de a máscara preta cobrir parte do seu rosto, meu acompanhante tinha olhos num tom de verde claro bastante diferentes. Eu nunca tinha visto olhos verdes antes. Seus cabelos castanhos eram cacheados, e deduzi que ele deveria ter a minha idade.
- A admiração é mútua. – Eu disse, tentando ser gentil de certa forma. A música ficava cada vez mais forte e os passos da dança eram mais rápidos, mas meus pés eram ágeis e eu queria mostrar para o rapaz que ele havia tido uma impressão errada. Quando a música parou, eu ergui um pouco a saia do meu vestido para fazer uma breve reverência, imitando a que o rapaz havia feito com sua cabeça. Virei-me para procurar Niall, mas o garoto me impediu ao me segurar pelo pulso:
- Posso saber o nome da senhorita?
Pisquei, incrédula.
- Anneliese. Anneliese Von Walker. E o senhor?
- Digamos que sou apenas um desconhecido. Posso ter o nome que a senhorita desejar. – Fez outra respeitosa reverência e saiu andando entre a multidão. Não me importei com o fato de ele não ter me revelado sua identidade, para mim aquilo não faria diferença alguma. Havíamos tido uma dança e nada mais.
- Quem aquele sujeito pensa que é para roubá-la de mim? – Niall colocou o braço em volta de meus ombros e foi me conduzindo até a mesa da minha família, mas eu o detive.
- Espere. Preciso falar com Dianna antes que ela vá. – Dei um sorriso. – E, antes que eu me esqueça, também não fiquei nada feliz em ver que tinha outra parceira.
Ele riu:
- Você é uma boba, mesmo.
Tirei a máscara e procurei por minha amiga. Ela não podia ter ido embora sem me contar que, após anos lendo livros de contos românticos sobre o primeiro amor, estava tendo uma conversa risonha com um duque charmoso. De longe pude avistá-la na mesa com seus pais e seus dois irmãos. Caminhei até eles.
- Senhor e senhora Mills. – Eu os cumprimentei de modo carinhoso. – Garotos.
- Anneliese. – A sra. Mills era bastante amigável. Os irmãos de Dianna me dirigiram sorrisos que eles consideravam sedutores, mas comigo não funcionava, porque ambos eram mais jovens do que eu. Dianna se levantou e me deu um abraço. Fomos andando pelo salão, distanciando-nos da família Mills.
- Ah, minha cara Annie, ele é tão... Eu não sei dizer. Diferente, isso que ele é. – Ela descrevia sir Zayn. Ao contrário do que eu pensei, não havia tido pedido de casamento (tudo bem, eu sei que eles haviam acabado de se conhecer) e fiquei um pouco desapontada.
- Mas ainda assim você é deveras sortuda. – Falei.
- Nós somos, minha amiga. – Dianna apertou minha mão, com a alegria estampada no rosto. Fiz uma cara de quem não entendera, e ela falou como se eu fosse uma criança burra: - Não vá me dizer que não reparou que estava dançando com Harry, o príncipe da Grã-Bretanha.


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