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 Newpoint High School - By Drunk

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Miss Hangover

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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:55 pm

CAPÍTULO 3 - DEREK

Nem precisei que o despertador me acordasse. Era como se eu simplesmente tivesse previsto.
Ótimo, mais um dia no inferno. Droga de escola. Além de quer que aguentar a transferência para os Estados Unidos, frequentava um colégio cheio de garotos idiotas. Claro que eu teria que pagar o preço. Novato, problemático, estrangeiro. Era como se tivesse um aviso de neon escrito em cima da minha cabeça "MANÉ".
Coloquei uma camisa -dormia sem, já que a Flórida é mais quente que... deixe para lá- e fui ver se minha mãe estava em casa. Geralmente ela passava a madrugada no seu escritório e eu me sentia muito sozinho. Sem pai, que nos abandonou; e nem cachorro, que minha mãe acha que dá muito trabalho pra criar, eu poderia ter todos os motivos para querer sumir de vez.
A casa estava silenciosa como um cemitério. O chão não era gelado como de nossa casa em Vancouver, o que me deixou com mais saudade. Abri a geladeira e tirei a garrafa com água, colocando em um copo de vidro e bebendo tudo de uma vez. Foi pior do que ter a água gelada jogada sobre a minha cabeça.
Totalmente desperto, resolvi tomar um banho. Parecia que eu iria ir de ônibus pra escola. Infelizmente, Anna -que é uma das minhas colegas que não me acha esquisito- não vai de ônibus e eu tenho que ir com aqueles otários. O que será que iriam me fazer hoje? Bater minha cabeça no vidro, talvez. Manchar minha camisa com ketchup? Não, esse foi o que fizeram comigo ontem. Coloquei minha blusa preta e um casaco cinza que eu usava para esquiar, meus tênis de corrida (talvez seriam úteis) e peguei minha mochila que estava jogada no chão. Quando me abaixei para pegar, percebi que havia um papel ao lado dela. Me concentrei para ler as palavras nele contidas, uma caligrafia impecável e palavras doces que quase ecoavam em minha mente:
"Querido, não pude dormir em casa hoje.

Me espere para o almoço, ok? E nada de confusão na escola.

Amo você. Mãe."

Claro que não pode dormir. Ela ficou trabalhando como uma escrava. Tudo por culpa do meu pai.

Com esse pensamento infeliz, saí de casa

...

Eis o que aconteceu comigo:

Os caras estavam bons. Apenas me deram um soco no olho direito. Eu estava tão chateado, com raiva e fraco que não fiz nada. Apenas aguentei. Quando finalmente chegamos a escola, peguei minha mochila e saí andando, em direção a sala de história. Eu não precisava aturar os outros idiotas.

Abri a porta, e só haviam alguns nerds na sala, que faziam questão de chegar antes de todo mundo. Sentei em uma das cadeiras da frente, abri minha mochila para tirar um livro que estava lendo (precisava entreter minha cabeça com alguma coisa), e então aquilo começou.

Droga.

"Derek Carter é tão estranho..." Pensava Sarah Marie, a aluna do ano.

"Esse garoto tem problemas mesmo...", a voz de Douglas Jones ecoou em minha mente.

Sim, eu leio mentes. Na verdade, não leio, mas de vez em quando consigo escutar o que as pessoas dizem. Geralmente é quando fico com raiva e penso no meu pai. Nunca contei isso para ninguém, nem mesmo para mamãe. Ela me internaria no hospício e eu não podia perder a coisa mais importante da minha vida.

Então Anna abriu a porta da sala. Ela viu a minha cara inchada e logo agiu como se fosse minha irmã mais velha.

E não é. A gente nasceu no mesmo dia.

– Garoto! O que houve?
Suspirei e voltei a ler. Eu não queria que a minha única amiga me achasse um perdedor.

– Nada. - Falei, mau-humorado. Ok, não era culpa dela. Mas eu não queria falar. A sra. Potterson entrou, desejando boa tarde a todos, mas os seus pensamentos diziam que ela preferia nos matar lentamente do que dar aquela aula.

...

Anna saiu mais cedo. Sorte dela. Mas eu também dei um jeito de fugir antes de apanhar de novo. Os tênis de corrida foram bem úteis.

Um raio cortou o céu e senti meu cabelo arrepiar. Ótimo, uma tempestade. No mínimo eu chegaria ensopado em casa. Apertei o casaco de esqui contra o corpo. O vento era tão forte que fazia o lixo da rua sair rolando, como naqueles filmes de faroeste. Sentia poeira entrando em meus olhos.

– Ah! - Murmurei quando um jornal acertava a minha cara. A tempestade começou a cair. Em vez de trovões, eu ouvia vozes de pessoas, mesmo estando sozinho. Vários pensamentos de pessoas que poderiam estar a quilômetros de mim. As vozes gritavam coisas, eu não conseguia compreender. Apertei as mãos contra os ouvidos e tudo parou quando um raio cortou o céu.

E uma menina apareceu.

Ela vestia branco, e eu quase me confundia com sua pele alva. Seus cabelos eram pretos, como seus olhos. Ela tinha um sorriso lindo... Mas que se desfez.

– Derek Carter. Precisamos conversar.

Então tudo ficou branco.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:56 pm

CAPÍTULO 4 - ANNA

– MÃE! - Gritei, me sentando. Logo me arrependi. Cada músculo do meu corpo doía como se tivesse sido queimado. Apertei a mão contra a minha barriga e percebi que não usava mais as minhas roupas: blusa branca, calça branca e meias brancas.

– Sua mãe está bem. - Uma voz falou acima de mim. Levantei a cabeça, mesmo que me pescoço também doesse. Consegui me concentrar e ver um rosto bonito, de mais ou menos uns 30 anos: cabelos longos pretos, olhos cinzentos, um sorriso gentil. - Não se preocupe.

Olhei em volta. Eu estava deitada em uma maca, mas não estava no hospital. Só haviam paredes brancas. E aquela cor não me animava muito.

Eu tinha tantas perguntas! Mas por onde começar? Eu sentia algo preso em minha garganta, mas suspirei e soltei:

– Onde está minha mãe? Onde eu estou? Quem é você?

A mulher riu. Talvez ela tenha achado as perguntas estúpidas. Ela tinha cara de uma professora bem legal: paciente, mesmo com as pessoas mais idiotas.

– Sua mãe está em casa, nós cuidamos dela. E, trocando a ordem das perguntas, eu sou a diretora Tess Fitzpatrick, e você está no Newpoint High School.

– Como é que é?

A moça sorriu e se sentou ao meu lado.

– Não estamos em Miami, querida. O colégio é localizado em Colorado Springs, em um lugar secreto. Estamos longe do governo americano, os nossos inimigos.

– Por que o governo americano é inimigo?

Ok, me superei na fase de perguntas estúpidas. A diretora Tess riu.

– Porque os superdotados não são seus brinquedinhos, senhorita Harris.

Pisquei.

– Isso é um sonho, né? Quero acordar logo.

A diretora se levantou e começou a andar pela sala branca. Ela parecia brilhar enquanto andava... Ou melhor, ela brilhava mesmo. Como pontos de luz.

– George Harris era assim mesmo. Nós entramos no mesmo dia. Ele não acreditava que era um superdotado, um manipulador do elemento.

Meus olhos se encheram de lágrimas, como na maioria das vezes em que falava do meu pai. A raiva que eu tinha por ele era tão grande que provocava isso, às vezes.

– Do que você...

– Sim, seu pai é um manipulador do ar. - Interrompeu a diretora Tess. - E você também. Desculpe pela demora, mas estávamos rastreando o seu sangue a muito tempo... Sua mãe soube escondê-la bem.

Que sonho estranho.

– Quer provas? - Ela cruzou os braços sobre o peito e sorriu, com uma cara travessa.

– Pra quê? Isso é só um sonho. - Sussurrei.

– Você está certa disso, não é?

Engoli em seco. Na verdade, eu não estava. Eu estava pensando no meu pai. Eu tentava imaginar o seu rosto, mas não conseguia. Tentava imaginar como ele seduzira a minha mãe para largá-la como uma filha. Uma gota de suor escorreu pela minha bochecha.

– Não. - Admiti.

A diretora estendeu a mão para mim. Eu não a peguei. Eu estava com medo de tudo à minha volta. Superdotados? Controle do ar? Era ridículo pensar que a garota que havia almoçado no banheiro da escola a algum tempo atrás agora tinha super poderes.

Espere.

Quanto tempo já havia se passado desde aquela manhã?

As pontas dos dedos da mão da diretora Tess começaram a brilhar como uma lanterna. Então, eles foram se desfazendo. Então, a sua mão brilhante não tinha mais dedos.

– Ai, eu vou vomitar. - Falei.

Ela riu e fez com que os dedos voltassem e sem brilhar.

– Esse é o meu poder, senhorita Harris. Parece ridículo, mas eu me converto em energia. Posso me teletransportar para qualquer lugar onde haja eletricidade. Todos os alunos aqui são mestiços: filhos de superdotados com humanos comuns. Eu sou a única, bem, que é filha de dois superdotados.

– Então é a mais poderosa daqui, é isso? - Perguntei.

Ela deu de ombros.

– Todos são poderosos. Por isso estão aqui: controlar seus poderes e se esconder do governo. Se eles colocassem a mão em vocês, viraria uma grande experiência científica com seu sangue.

Isso não melhorou o meu embrulho no estômago.

– Ah. Legal. O meu poder é controlar o ar? Que divertido. - Esfreguei os olhos e me levantei da maca. Minhas pernas ainda estavam doloridas, porém eu queria uma prova de que tudo aquilo não era um sonho e que eu ainda estava presa no carro com a minha mãe morrendo ao meu lado.

– Tempestades, ventanias, furacões... A respiração as pessoas... Já pensou por esse lado? - Piscou a diretora, se bem que eu achava que ela não queria que eu saísse por aí fazendo as pessoas não respirarem.

– Se tudo é verdade... - Suspirei. - Quero conhecer a escola. Acho que não é só uma salinha branca e fria, ou estou errada?

Diretora Tess abriu um sorriso.

– Não. Pode ter certeza que não. Senhorita Harris, você será uma aluna... Interessante.

Ela pegou a minha mão. Eu não soltei. A mão que brilha da diretora era quente e confortante. Então ela se teletransportou.

Foi tão rápido que nem tive tempo de gravar a sensação, até porque eu estava meio sensível ainda. Estávamos em um típico corredor de uma escola de ricos, com armários azuis e vários estudantes. Eles não me olhavam estranho. Eles sorriam e assentiam com a cabeça.

– Vamos olhar por aqui, vou mostrar seu dormitório daqui a pouco... Ah! - Exclamou a diretora. - Olhe alí,

Ela apontou para duas garotas de branco. A loira tinha a roupa igual a minha, e a morena tinha blusas de mangas compridas. A morena me lembrava um pouco a diretora, mas não tive coragem de perguntar se eram parentes. Eu olhava fixamente para a loira. Parecia deselegante, mas me sentia protetora em relação a ela, mesmo que nunca tivesse a visto. Ela estava pálida, seus olhos azuis rodeados por olheiras, ela parecia cansada... Mas era realmente muito bonita. A diretora anunciou:

– Anna Harris, apresento sua colega de quarto, Chloe Middleton.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:57 pm

CAPÍTULO 5 - CHLOE

Eu só podia estar ficando louca.
Depois de ser trancada em uma sala branca com uma garota que brilha, era essa a minha conclusão. Como ela me chamou? Superdotada? Ok, nisso eu não acreditava muito. E como ela disse que era o seu nome? Stox? Quanta criatividade, hein.
– Eu não sou um ser humano, senhorita Middleton. Sou criação da diretora Tess. Você tem o poder da telecinese, é por isso que está aqui.
Coloquei a mão na testa. Eu ainda estava quente. Os meus olhos ardiam e meus dedos doíam.
– Por isso consegui controlar aquele avião? É isso?
– Sim. - Assentiu a Stox, ou seja lá qual era o seu nome. - Você herdou o poder da sua mãe. Infelizmente, ela está morta.
Senti uma pontada no coração.
– Eu não ligo. - Balbuciei. Cerrei o punho para que a Stox não os visse tremendo.
– Vamos, venha conhecer a escola. Aqui é o único local onde estará salva...
– Do governo, já sei. - Me apoiei na maca onde estava deitada para me levantar. Meus pés doíam tanto que eu não sabia como conseguiria andar. Suspirei fundo. - Me dê uma ajuda, por favor. Ainda estou com os efeitos colaterais do avião.
A Stox sorriu e segurou a minha mão. Então, de repente, não estávamos mais na sala. Estávamos no corredor de uma escola.
Pelo que eu vira nos filmes, era o corredor de uma escola. No internato onde eu estudava, era tudo tão diferente. Pisquei forte enquanto as pessoas que passavam por mim. Eu deveria estar horrível. E não gostava de estar horrível.
– Olhe, a diretora está alí com sua colega de quarto. - Apontou a Stox para uma mulher que parecia muito com ela, que estava acompanhada de uma garota bonita que parecia ter a minha idade.
– O quê, colega de quarto?
A diretora Tess (fora esse o nome que a Stox falara) disse que o nome da minha colega de quarto era Anna Harris. Eu sorri para a menina, mas eu me sentia tão fraca que até sorrir doía.
– Então, essa escola é tipo um colégio interno, certo? Temos que morar aqui? - Perguntou Anna, como se lesse a minha mente.
– Sim. - Disse a diretora. - Obrigada por cuidar de Chloe, Stix.
Ah, então esse era o nome da Stox. Quando a diretora disse isso, a garota começou a brilhar e desapareceu. Só ficamos eu, minha nova colega de quarto e a diretora.
– Vou pedir para alguém de verdade levar vocês ao seu dormitório. - A diretora olhou em volta e chamou, delicadamente. - Senhorita Marshall?
Uma garota assustadora se virou. Quero dizer, ela não era feia, era assustadora porque era tão perfeita que parecia uma boneca. Tinha cabelos loiros quase brancos trançados, olhos bem azuis e lábios em forma de coração. Me lembrei de Emma e sua coleção de bonecas de porcelana. Senti saudades dela e de papai.
– Sim, diretora Tess? - Falou a garota.
– Pode guiar Chloe e Anna para o dormitório das garotas, o quarto 220? Os Stix estão ocupados hoje.
Então a Stox tinha família? Ok, eu não poderia estar mais confusa.

– Claro. - A garota-boneca sorriu. A diretora, assim como a Stox (Stix, Stox, que seja), começou a brilhar como uma lâmpada e sumiu. - Hã, olá, meninas. Bem-vindas ao colégio. Sou Leven.

Eu ia falar o meu nome, mas a voz não saía mais. Parecia o ganido de um animal encurralado.

– Sou Anna, ela é Chloe. - Disse Anna, e colocou a mão sobre o meu ombro. - Nós mal nos conhecemos, mas já que somos colegas de quarto... Você está bem?

Balancei a cabeça.

– Tive que mover um avião com a força da mente. - Eu falei.

– Telecinese! - Os olhos cor do céu de Leven brilharam. - A última estudante aqui com esse poder... Acho que foi Jennette Folchart...

– Minha mãe. - Completei, infeliz.

Leven encarou o chão.

– Sinto muito. Bom, vamos andando. Vou mostrar o colégio e o quarto de vocês.

O andar que estávamos era das matérias que você encontra em qualquer escola. Ela apertou em um botão azul brilhante na parede e um elevador apareceu.

– Tecnologia de altíssima qualidade. - Observou Anna, enquanto entrávamos no elevador.

Leven nos disse que no andar de cima eram as salas onde aprendíamos a controlar nossos poderes. Quando perguntei se a sala era dividida pela "estranhice" do poder, Leven riu. Ela disse que era dividido pelo grau de poderes. Eu continuei sem entender.

– Os dormitórios ficam do outro lado, mas como Chloe não está muito bem, acho que posso mostrar um truque que a diretora Tess me ensinou.

Ela nos levou a outro elevador, onde apertou um botão prateado. Pareceu que viramos de cabeça para baixo por alguns segundos.

– AAAAAAAAAH! - Ouvi alguém gritando. Talvez tenha sido eu mesma.

Quando finalmente a sensação horrível acabou, vi que Anna estava com o rosto meio verde. Leven enrubesceu.

– Oh! Me desculpem! Ah, foi uma péssima ideia...

– Está tudo bem. - Sorriu Anna, mas com certeza ela estava com vontade de vomitar. - Já chegamos no dormitório das meninas?

– Sim. - Leven fez uma careta, como se não gostasse da lembrança. - Vou levá-las ao quarto.

Passamos por várias portas com números, algumas estavam abertas, mostrando quartos muito estilosos com pôsters de famosos e outras coisas que qualquer adolescente tem no quarto.

– Quarto 220. - Anunciou Leven. Lá dentro não tinha nada, apenas paredes brancas, um grande guarda-roupa, duas camas de solteiro e uma porta, que provavelmente era o banheiro. - Meu quarto é o 305, qualquer coisa. Até mais, garotas.

A menina-boneca acenou e me deixou sozinha com minha colega de quarto em nossa casa. Eu não sabia onde estavam as minhas malas, e nem as de Anna. Seria muito estranho ficar usando aquelas roupas brancas pelo resto do tempo que ficaríamos alí.

– Bem, - sorriu Anna - vamos levar um tempo pra deixar esse quarto mais estiloso.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:58 pm

CAPÍTULO 6 - DEREK

– Ah! – Gritei, com a sensação de adrenalina se esvaindo do meu corpo. Quando passou, eu resolvi abrir os olhos, lentamente... Minhas mãos apertavam os braços de uma cadeira. Minha cabeça doía mais que o normal.

Eu ainda enxergava, o que era bom. Eu estava... Não, não era a diretoria da minha escola. Eu já estivera lá milhões de vezes. Esse lugar era uma diretoria, pois na mesa de vidro estava uma plaquinha escrito “Diretora Tess Fitzpatrick”, mas era totalmente luxuoso. Haviam prateleiras com troféus de ouro. Fotos de algumas pessoas. Uma cadeira de couro vermelha... E nela estava sentada a garota de branco.

Tentei sorrir e esconder que a minha reação de estar em um lugar como aquele demonstrava que eu era um completo idiota.

– Incrível, certo?

– Sim. – Falei, rapidamente. – Você é a diretora?

A garota abriu o sorriso novamente. Os olhos negros dela me assustavam. Como se ela pudesse ler os meus pensamentos, e não o contrário. Mas, na verdade... Quando eu tentei ler sua mente, não vi absolutamente nada.

– Não, sou uma Stix. Criação da diretora Tess. Sou feita de energia. Há vários como eu por aí, mas nós duramos pouco. Outros vêm no nosso lugar. É sempre assim.

Tossi.

– Ah, hm, vou sentir sua falta, então.

– Muito engraçado, Derek Carter. Então, você sabe por que está aqui? – Ela juntou as mãos e me encarou friamente.

– Porque... Você é boazinha e quis me tirar da tempestade. – Eu falei lentamente. Nossa, como eu era estúpido! E com esse comentário, percebi também que estava perfeitamente seco. Que bizarro.

– Quem disse que suas piadinhas são engraçadas? – Ela continuou me encarando. – Está aqui porque é um telepata, querido.

Engoli em seco.

– Todos os Stix são malvados e sem senso de humor?

– Não. Cada um tem uma personalidade. Nós somos os diferentes humores da diretora Tess.

– Que bipolar essa mulher... – Murmurei.

Ela revirou os olhos, como se estivesse ensinando um cachorrinho a sentar e estivesse frustrada.

– Continuando. Você é um telepata. Tem, sim, superpoderes. Herdou isso do seu pai. E você tem que ficar aqui, o único lugar onde é seguro para pessoas como você. Newpoint High School.

Fiquei confuso.

– Esse é o slogan da escola?

– Ah,garoto, preste atenção! – Ela se levantou da cadeira da diretora e se teletransportou para perto da porta. – O governo americano descobriu, a anos atrás, da existência dos superdotados. Eles o caçam incansavelmente, querendo captura-los para fazer experiências e coisas do tipo. Você precisa ficar aqui.

Levantei da cadeira onde estava sentado e olhei para a Stix.

– Primeiro: eu não sou americano, sou canadense. Segundo: meu “poder” nem ao menos é importante! Eu leio a mente das pessoas, que legal. O que eu posso fazer, destruir o mundo?

A Stix pareceu querer me dar um soco.

– Canadense ou não, você está nos Estados Unidos agora. No Colorado. E ANTES QUE FALE, sim, nós saímos da Flórida. E mais uma coisa, o seu sangue é diferente dos humanos normais, portanto, mesmo que o seu poder seja a telepatia, o governo pode capturá-lo e fazer experiências com o seu sangue. Ou obrigá-lo a servir o país.

– Bom, eu disse para mamãe que sair de Vancouver era uma péssima ideia.

– E o seu poder pode prejudicá-lo. Você sente fortes dores de cabeça, certo? A diretora Tess sabe. Ela quer ajudá-lo.

Ok. Isso me assustou.

– A mulher tem me vigiado esse tempo todo?

A Stix sorriu. O seu sorriso era mesmo bonito, mas eu não gostava mais dela, não depois de ela mostrar que era uma energia do mal.

– Venha, Derek. Vamos conhecer a escola. Pegue o seu horário, o número do seu quarto. Você terá que morar aqui. Não se preocupe, sua mãe saberá de tudo.

Senti como se tivesse levado um soco entre os olhos.

– Como assim, morar aqui?

...

A Stix me guiava pela escola. Newpoint High School. Mudar para aquele lugar me assustava, mas eu me sentia confortado. Saber que não era o único adolescente problemático no mundo. Eu estava tão aliviado que tinha vontade de chorar.

Passava por vários garotos e garotas e eu sorria feito louco ao saber que eles também tinham algum poder. Eu quase não ouvia o que a Stix falava, só conseguia captar algumas coisas sobre o andar de baixo ser das matérias escolares e o andar de cima ser o treinamento dos superdotados. Ela também dizia coisas do tipo “vocês aprendem a usar os seus poderes para se defender e para não acabar causando catástrofes”. Cara, eu estava muito animado. Finalmente um ano letivo onde não apanharia todos os dias. Afinal, aquela gente era tão estranha quanto eu.

Mas eu sentiria falta de minha mãe. E de Anna. Aquela garota meio-mexicana, às vezes estranha, que agia como uma irmã mais velha super protetora. Quando eu a veria de novo? Me senti um péssimo melhor amigo por não ter contado a ela sobre a telepatia. Ela não precisaria se preocupar. Eu nunca me esforcei nem tive vontade de invadir os pensamentos dela.

A Stix me guiou até uma porta de vidro. Lá dentro se via tudo o que você pode encontrar em uma secretaria. A secretária entregou um papel para mim. Tentei sorrir.

– Derek Carter, telepatia... Ah! Dormitório dos meninos, quarto 220. Seu colega de quarto acaba de ser rastreado, que ótimo! Encontramos 4 adolescentes em um único dia. A diretora está enlouquecida... – Murmurava a mulher enquanto digitava coisas em seu laptop. Colega de quarto? Ok, agora eu estava preocupado. - Você perdeu o tempo de matérias escolares...

– Que bom, já tive isso lá em Miami. – Interrompi, baixinho.

– Então, vá para a primeira aula do controle de seu poder. Sala 14, terceiro andar. Stix, leve-o para o elevador. – Ordenou a secretária.

A Stix parecia estar desaparecendo. Talvez estivesse perdendo energia.

Que pena. Se ela tivesse gostado de minhas piadas, talvez nós pudéssemos ter sido amigos.

Ela me guiou até o elevador, apertando um botão azul brilhante com o número 3. Quando as portas se abriram, eu olhei para trás. Mas a garota já havia desaparecido.

Era Derek Carter por ele mesmo.

Fui andando pelos corredores e vi, no grande relógio em uma das paredes, que já eram cinco horas da tarde. Nossa, quanto tempo havia se passado. Deveria ser por isso que eu sentia a grande necessidade de tirar um cochilo.

Eu não conseguia encontrar a sala 14. Eram muitos números. Eu me sentia totalmente perdido, então uma mão tocou o meu ombro.

Vi uma garota loira, vestida inteiramente de branco. Parecia com a roupa da Stix, mas ela era muito real. Seus olhos azuis estavam delineados por um pouco de sombra dourada, como se ela tivesse tentado limpar a maquiagem. Seus lábios rosados estavam franzidos.

– É, oi? Você parece tão perdido quanto eu, mas... – Ela falou. – Sabe onde é a sala 14? Sou Chloe.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:58 pm

CAPÍTULO 7 - LEVEN

Eu sempre consigo estragar tudo de bom que recebo nessa minha mísera vida.

Fiquei animada com a chegada de Anna e Chloe. Elas pareciam ser garotas legais, mesmo com uma garota terrível como eu. Diferentes das outras estudantes. Até mesmo de Lyssa, minha adorável colega de quarto, a única que eu podia chamar de amiga.

Agora morta. Pelo menos eu não fui culpada dessa morte.

Entrei no meu quarto solitário e vi algumas coisas que eu havia mantido para me lembrar de Lyssa. Seus quadros. Uma bola de vidro com um bonequinho de neve dentro. Cruzei os braços. A ideia de ter um boneco de neve, mesmo de mentira, no mesmo quarto que eu era bizarra.

Suspirei e sentei na minha cama. O cheiro de rosas inundava o ar. Na verdade, eu deveria estar na aula agora, mas não estava disposta. Iria no próximo tempo. Enquanto isso, quem sabe um banho não esfriaria a minha cabeça.

Enfiei a minha cabeça debaixo do chuveiro gelado. Gelado. Frio. Adoro essa sensação. É como se eu estivesse na Pensilvânia novamente. Na neve, no meio dos pinheiros. Não em uma casa em chamas destruída. Com os corpos dos meus pais queimando enquanto eu e Fred éramos resgatados...

Enquanto minha cabeça molhava, eu quase podia ter a sensação de estar me afogando, respirando aquela água fria. Mas os pensamentos martelavam na minha consciência. “Você é culpada!”, a voz de minha avó gritava. Sim, eu lembro de sua voz. Mas faz sete anos que não a escuto.

Então eu lembrei de tudo. As lágrimas acabaram se misturando com a água do chuveiro. Aquele dia... A minha memória estava perfeita.

Eu e Fred corríamos por entre os pinheiros, jogando bola de neve um no outro. Deus, como eu sinto falta dele! Nossa risada podia ser ouvida por todo a floresta. Eu pulei em Fred e nós caímos no chão. Rolamos naquela neve branca e pura.

– Leven! Frederick! – Gritou nossa mãe. – Onde estão? Venham tomar banho para a festa!

Eu e Fred fomos correndo. Era o nosso aniversário de dez anos. Apostamos corrida, até. Chegamos na nossa casa, aquela construção elegante de dois andares. Eu sempre fui baixinha, Fred um pouco mais alto que eu, então eu me sentia como uma formiguinha.

Nosso bolo era de chocolate e gigante. Fred estava quase metendo o dedo na massa fofa que estava com um cheiro delicioso, mas minha mãe deu um tapa em sua mão e eu caí na risada. Mamãe nos levou para tomar banho e colocar as roupas para a festinha. Eu usei um vestidinho rosa com um casaco da mesma cor. Fred estava usando uma roupa azul.

Nós descemos e encontramos nossos familiares. Minha avó nunca gostou de mim, portanto ela apenas me disse um “Feliz aniversário” bem frio e abraçou Fred. Nossa, aquilo me magoava bastante, mas eu era criança, não ligava. Quando penso nisso nos dias de hoje, é como se alguém cortasse o meu coração em vários pedaços.

Porque ninguém poderia amar uma esquisita como Leven Marshall.

Na hora de cantar os parabéns, meu pai segurava o bolo enquanto o pessoal cantava. Os olhos azuis de Fred ficavam dourados iluminados pelo fogo das velas. Mas onde estava mamãe? Eu sempre fora muito apegada com ela, e onde ela estava na hora de soprar as velas?

Eu procurei por todo o lugar, tentando em concentrar no meu pai cantando os parabéns bem alto e em achar mamãe. Olhei em direção à cozinha e vi minha avó e ela. Minha avó discutia com ela, apontando e falando coisas horríveis. Ela empurrou a minha mãe.

Ela poderia ser a minha avó. Mas eu não admitia que a mãe do meu pai fizesse aquilo com a minha mãe.

Fiquei tão chateada que foi inevitável. A primeira vez que acontecia. Meu poder se despertara pela raiva. Ninguém percebeu, só na hora que as chamas já estavam no chão. Mas sim, elas haviam saído das minhas mãos, como um jato rápido e voraz.

O desespero foi rápido como a velocidade da luz. Meu pai soltou o bolo e subiu as escadas correndo, minha mãe o acompanhou. Acho que eles queriam resgatar algumas coisas antes de fugir, ou conter o incêndio. Mas seria impossível. Aquele não era um fogaréu normal. Fora produzido por uma louca de dez anos.

Ouvi minha mãe gritar “Tire Lev e Fred daqui”!, e assim foi feito. Algum de nossos tios nos pegou como se nós fôssemos sacos de farinha e nos jogou sobre seus ombros. Eu não conseguia olhar para Fred, mas ele sempre fora um garoto muito corajoso. Ele não chorava. Mas eu sim. Minhas lágrimas rolavam enquanto nosso tio tentava nos tirar da casa e desviar dos pedaços do teto flamejantes que caíam sobre nós.

Eu vi algumas pessoas saírem e indo para a floresta cheia de neve. Vi vovô, vovó, meus primos e tios, muito assustados com aquilo. Como diabos havia começado o incêndio? Mas eu só ouvi um último grito.

O grito da minha mãe.

Então a casa explodiu, voando pedaços dela pelos ares. O fogo fazendo um espetáculo avermelhado no céu negro. Nosso tio –o tio Roger, me lembrei- nos protegeu de sermos atingidos pelos pedaços. Mas eu sabia o que havia acontecido muito bem. Papai e mamãe haviam sido mortos. Tentando salvar nossas coisas. E por minha culpa.

Lembrei de voltar ao mundo real. Desliguei o chuveiro e continuei a chorar. Chorei tanto que fiquei sem fôlego.

Mas era tarde demais. A vida não continuara para eles, mas continuava para mim. Eu não posso fazer nada para impedir isso. Nunca mais vi Fred, meu irmão gêmeo. Mas tenho que ter um pouco de dignidade e fazer essa droga de vida valer a pena, afinal.

Me sequei e coloquei roupas comuns, confortáveis. Eu iria para a aula. Nada mais de lembranças, por hora.

Então, enquanto eu penteava meus cabelos sentada na cama, algo aconteceu. A diretora Tess apareceu para mim, novamente, alí em meu quarto. Ela tinha o sorriso típico de sempre.

– Achamos. – Disse ela.

Demorei alguns segundos para perguntar:

– Acharam o quê?

O olhar da diretora mostrava compaixão.

– Frederick Marshall. Seu irmão gêmeo também é um manipulador do fogo.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:59 pm

CAPÍTULO 8 - FREDERICK

A minha vida nunca foi normal, de fato.

Meus pais morreram em um misterioso incêndio no meu aniversário de dez anos. Tento conviver com o fato de que a anos não vejo minha irmã gêmea, sem ao menos saber se ela está viva. E, um belo dia, pessoas de branco chegam na minha casa me obrigando a ir para uma escola nova.

Antes disso, eu estava levando a minha vida estranha de um adolescente de dezessete anos. Depois da escola, eu gostava de correr pelo campus, já que o exercício era uma das minhas únicas formas de lazer. Ao contrário de mim, meus amigos deveriam estar fumando por alguma das ruas da escola. Nunca gostei dessas coisas.

Tirei uma toalha da mochila e enxuguei o meu rosto. Minha avó não gostava que eu chegasse suado em casa, e minha avó com raiva é tão perigosa quanto um furacão. Peguei as cartas que estavam na caixa do correio e bati na porta, anunciando a minha chegada. Minha avó abriu a porta.

– Já estavam acumulando. – Entreguei as cartas para ela e sorri.

Ela abriu um pequeno sorriso e tocou o meu rosto.

– Obrigada, Fred... Você é um menino tão bom...

Então ela se foi para a cozinha com suas cartas. Subi para meu quarto e tomei um banho. A água gelada me lembrava de Leven. Leven! O que ela poderia estar fazendo agora... Nossa, como eu sentia a sua falta. Às vezes eu pensava em fugir só para ir atrás do paradeiro dela. Mas o que a minha avó ia pensar de mim? Que eu era um fugitivo? Eu não podia deixá-la. Afinal, meu avô também já não tinha mais condições de... vida.

Os meus cabelos respingavam água em meu rosto e em minha camisa. Me encarei no espelho, coisa que eu nunca gostava muito de fazer, pois eu lembrava da minha irmã. O garoto loiro no espelho era uma figura bizarra. Seus olhos azuis demonstravam que ele estava assustado.

Senti uma vontade de quebrar o espelho, mas algo me impediu. A voz chorosa de minha avó no andar de baixo me chamava.

Desci as escadas rapidamente, e antes que eu pudesse perguntar o que estava acontecendo, vi que minha avó não estava sozinha. Ela estava sentada na sua cadeira, e no sofá havia uma mulher que deveria ser uns cinco anos mais velha que eu, vestida de executiva, e de cada lado dela havia um garoto e uma garota, talvez de minha idade, muito pálidos e vestidos de branco. Pareciam fantasmas.

– O que... – Comecei, mas minha avó levantou a mão para que eu parasse. A mulher executiva se levantou e sorriu. Estendeu a mão para que eu a apertasse.

– Olá, Frederick Marshall. Sou Bonnie Fitzpatrick, vice-diretora do Newpoint High School. Venho aqui em nome de minha irmã, a diretora.

Continuei sem entender uma palavra do que ela disse, mas apertei sua mão mesmo assim. Ela fria como gelo.

– Para que não pense que estou mentindo, é essencial a presença de sua avó aqui. Sra. Mashall? – Bonnie olhou para a minha avó. Eu também. Eu queria algumas respostas.

– Escute o que ela diz, Fred. – Minha avó sussurrou. – É tudo... Verdade. Ela vai falar sobre Leven e você.

Meu coração começou a bater tão rápido que achei que teria um ataque. A histeria despertou. Leven? Minha avó nunca falava nela. E se falou agora, é porque...

– Leven está viva? – Quase caí nesse momento, e minha respiração estava acelerada. Tentei me controlar. Se minha irmã estava viva, eu teria que reencontrá-la. Dizer que nada daquilo foi culpa sua. Porque não tinha sido. Era ridículo quando minha avó dizia pelos cantos de que a culpada da morte de papai e mamãe era Leven. Como poderia? Ela tinha apenas dez anos! – Responda!

Talvez a minha voz não tenha sido num tom muito amigável, mas eu estava desesperado. Bonnie sorriu.

– Sim, ela está. Uma garota adorável. Mas quero falar sobre você nesse momento, se não se importa. – Bonnie apontou para o lugar entre os dois adolescentes de branco. Eu deveria ter ficado com medo, mas não hesitei. Vi também que minha avó tinha lágrimas nos olhos. – Frederick. – Bonnie tinha assustadores olhos cinzentos. – Você acredita em super poderes?

Engoli em seco.

– Como assim?

– Em pessoas geneticamente modificadas, diferentes dos humanos. Essas pessoas já vivem entre nós a muito tempo. Estava tudo muito bem, até que o governo americano descobriu sobre a existência dessas pessoas e as perseguem.

O choro de minha avó agora estava mais alto, me voltei para ela para perguntar o que ela tinha, mas ela fez um gesto para que eu continuasse escutando Bonnie.

– Pessoas com super poderes. Sim, elas existem. Todos nós temos aqui temos. Sua avó, eu, você. Esses dois aí com você não são humanos, minha irmã os chama de Stix... Eles são feitos de energia, servem para proteção. Sua avó estudou no Newpoint High School. Foi lá que ela esteve a salvo o tempo que precisou para aprender a controlar os seus poderes.

Se eu pudesse ver a minha cara agora, eu diria que estava boquiaberto e com os olhos arregalados. Olhei para minha avó. Ela enxugou as lágrimas e estendeu a mão para mim. Ela gemeu, como se aquilo doesse. Então, na ponta de seus dedos, apareceram minúsculas chamas.

Eu gritei.

– Não tenha medo, criança. – Ela disse e apagou as chamas. – Sou velha, por isso não consigo produzir tanto fogo como antes. Mas Leven e você são diferentes. Leven causou, sim, o incêndio, pois os poderes dela despertaram mais cedo que você. Era por isso que eu não gostava dela, achava que só ela tinha o poder do fogo. Se eu pudesse me desculpar com ela, eu faria isso, Fred. Mas encontre sua irmã e peça perdão dela por mim. Eu sou a culpada do incêndio. Naquele dia, eu tive uma briga com sua mãe. Ela viu e a raiva fez com que ela soltasse as chamas que estavam presas nela. O seu não foi despertado, mas se o governo americano encontrar você, como Bonnie falou, podem fazer coisas ruins.

Eu não sabia o que falar. Não sabia mesmo. Não sabia se acreditava, mesmo tendo visto com meus próprios olhos minha avó acender fogo sem usar um isqueiro. Leven estava no tal Newpoint High School. Viva. Estudando e controlando o fogo. Aquela baixinha com cara de boneca poderia fazer churrasquinho de gente, se quisesse.

– Eu não consigo acreditar... – Mumurei. – Eu não controlo o fogo. Só Leven tem esse poder. Não é possível, não...

– Claro que é, garoto! – Minha avó se levantou de sua cadeira, chateada, e Bonnie arregalou os olhos. – Vá logo para o colégio! Você não está seguro aqui!

Bonnie encarou o chão e sussurrou:

– É melhor fazer o que ela manda.

Cruzei os braços e encarei minha avó por um tempo. Eu ainda estava surpreso com o fato de que ela havia dito que a culpa do incêndio era dela. Naquele momento, eu estava mesmo chateado com ela. Eu a perdoaria, claro, mas era difícil de lidar com aquilo.

– Tá. Eu vou. Por Leven. O que eu tenho que fazer?

Bonnie sorriu. Ela tirou um papel de uma pasta que a Stix garota segurava. Ela leu em voz alta o papel:

– Frederick Marshall. Manipulador do fogo. Dezessete anos. Primeiro ano na escola. Quarto 220, dormitório masculino. – Então devolveu o papel para a Stix. – Vamos esperar você arrumar as suas coisas, e então partiremos.

...

Desci as escadas com uma mala, onde eu trazia as minhas roupas. Legal, eu ia morar no colégio. Me sentia como uma criança indo para o primeiro dia no primário.

– Ótimo. – Bonnie falou ao me ver no alto da escada. – Agora vamos.

Eu achei que pegaríamos um carro ou algo assim para ir pra tal escola. Mas eu, de verdade, não sei o que aconteceu. Um clarão cegou meus olhos e o mundo pareceu virar de cabeça para baixo. Então estávamos em um lugar totalmente diferente. Quero dizer, apenas eu e Bonnie. Os Stix e minha mala haviam sumido.

– Eles já levaram suas coisas para o seu dormitório. – Disse a vice-diretora. – Agora, você tem a sua primeira aula de controlar os seus poderes. Sala 1.

Então ela saiu andando. Antes que eu pudesse perguntar onde ficava a sala 1, me vi em um local completamente diferente, cheio de adolescentes... Claro, era a escola. Haviam várias portas, cada uma com um número azul na frente. Mas os números não estavam em ordem. Para quem eu perguntaria onde ficava a sala 1?

Então eu vi uma garota baixinha, pálida, com cabelos loiros bem claros trançados. Só podia ser ela. Ainda tinha o rosto de boneca. Eu não pude conter o sorriso.

– Leven! – Gritei. Ela olhou para mim e arregalou os olhos, mas também sorriu. Leven correu em minha direção e eu a abracei, girando-a no ar.

– Ei! – Ela protestou, rindo, mas continuou abraçada a mim.

– Senti sua falta, mana. – Sussurrei.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 4:01 pm

CAPÍTULO 9 - ANNA

Chloe Ray Middleton.

Esse é o nome de minha mais nova amiga – e colega de quarto. Ela tinha 15 anos, como eu. Era dois meses mais nova. Não fazia do tipo garota tímida, diferente de mim. Estudou a vida inteira em um internato inglês, suas colegas de quarto se chamavam Liz e Dianna. Seu pai se chama Paul e sua madrasta, Emma. Ela é obcecada por Sherlock Holmes. Se animou quando soube que eu sabia cozinhar tacos.

Enfim, Chloe parecia ser uma menina legal.

Nós tínhamos aula agora, para controlar nossos poderes. Chloe iria para a sala 14, e eu para a sala 1, de acordo com nossos horários escolares. Eu estava nervosa. Queria que tivéssemos ficado na mesma sala, pelo menos eu conheceria alguém. Assim que Chloe saiu, recebi um aviso dizendo que nossas malas chegariam no final do dia. Até lá, ficaríamos usando aquelas ridículas roupas brancas generosamente fornecidas pela diretora Tess.

Peguei uma bolsinha que havia encontrado no monótono quarto 220 e coloquei uma garrafinha de água que a diretora havia me dado, junto com o papel com o meu horário.

Senti falta do “elevador mágico” de Leven. Dessa vez, eu teria que atravessar o campus que separava os dormitórios da escola. Eu vi que o terreno do lugar era bem maior do que eu imaginava. Haviam quadras ao ar livre, barraquinhas de café, restaurante... Era enorme. Eu caminhava pela grama verde e saudável e pensava “Como que o governo ainda não encontrou esse lugar?”. Mágica que não deve ser.

Cheguei na escola e entrei em um elevador. Apertei o botão 3 e em cerca de poucos segundos a porta de abriu. Alguns estudantes me olharam estranho, mas tenho quase certeza de que um dia tiveram que usar as minhas roupas ridículas. Tive vontade de me enterrar, sentia o meu rosto queimando.

“Vamos lá, Anna. Você nunca se incomodou com sua aparência. Deixe de ser idiota”, pensei.

Então, com raiva, fui caminhando confiante. Meus passos quase podiam ser ouvidos pelo corredor barulhento cheio de conversas. Mas a minha confiança se desfez quando, sem querer, acabei esbarrando em alguém.

– Ah, me desculpe! – Olhei para o chão e, quando me abaixei para pegar a minha bolsinha, o garoto segurou a minha mão.

– Pode deixar, eu pego. – Ele apanhou a bolsinha e me entregou. Devo admitir que fiquei meio fascinada pelos seus olhos cor do céu e cabelos bem claros. Ele me lembrava alguém, mas não sabia quem. Então me toquei. Seu rosto de bonzinho, a forma de como fazia um biquinho, a cara de pensativo...

Ele me lembrava Leven. E ao seu lado estava ela, e parecia muito feliz.

– Oi, Anna. – Ela sorriu. – Você está melhor?

– Ahã. – Eu respondi, desajeitada.

– Esse é meu irmão, Frederick. – Disse Leven. Nós apertamos nossas mãos.

– Muito prazer. – Disse ele.

Eu apenas sorri. Acho que minha voz não estava saindo.

– Ah, claro. Anna controla um elemento. Vamos entrar. – Leven abriu a porta da sala 1, e lá dentro havia apenas uma moça de uns vinte e poucos anos conversando com um adolescente. Ela era baixinha, tinha cabelos lisos, castanhos e curtos, da mesma cor que seus olhos. Tinha a pele bronzeada e um sorriso amigável. O garoto era alto, tinha cabelos castanho claros cacheados e olhos verdes, bem claros.

– Os novos alunos. – Virou-se a moça para nós. – A diretora me comunicou. Anna Harris, Frederick Marshall, bem-vindos à sala 1 de treinamento dos elementos. Sou a professora, Ella Sullivan.

– Obrigada. – Eu falei, feito uma idiota. A sra. Sullivan sorriu.

– Você é filha de George... Eu admirava muito o seu pai. Aposto que é tão talentosa quanto ele. – Ela disse. Eu nem respondi nada. Iria morrer de vergonha se dissesse que nunca havia tentado controlar o ar. – E Frederick, sendo o irmão gêmeo de Leven, aposto que é um excelente controlador do fogo.

Frederick ficou com o rosto vermelho. Sua irmã parecia extremamente orgulhosa.

– Esse é Maxwell Mitchell. Ele, bem, controla a água. – Disse a sra. Sullivan.

– Nem tanto. – Murmurou Maxwell, cruzando os braços sobre o peito.

– Bom, ele controla a água, mas produz gelo. Não sabemos o porquê. Mas eu acho isso bem legal. – Garantiu a professora. – Eu controlo o elemento terra. Mas isso não é importante agora. - Ela abriu uma gaveta em sua mesa e tirou de lá algo que parecia uma injeção. – Se não se importam, tenho que tirar apenas uma gotinha de seu sangue.

– Para quê? – Perguntei, embora não tivesse medo de injeção.

A sra. Sullivan sorriu.

– Sabe as fichas dos estudantes? Temos que ter uma amostra do seu DNA. Você está assustada?

– Não. – Estendi o meu braço. De fato, a dor foi como uma picada de inseto. Ela fez a mesma coisa com Frederick. Eu já tinha visto como essa escola exalava tecnologia, então tentei não ser estúpida e perguntar se o nosso sangue se misturaria. Ela ia dar uma resposta tipo “tem compartimentos dentro dessa injeção para cada gota do sangue de vocês”.

A sra. Sullivan guardou a agulha e se voltou para nós. Ela tinha um sorriso quase que contagiante.

– Vamos começar com a demonstração dos poderes. Como são iniciantes, não se preocupem se algo der errado. As coisas funcionam assim, no início.

Ela olhou para Leven, que assentiu. Ela estendeu a mão e, como se fosse a coisa mais normal do mundo, uma esfera de fogo saiu da sua pele. Era fogo de verdade, pois eu sentia o calor que saía dela. O fogo fazia com que os olhos de Leven parecessem feitos de ouro. Então ela simplesmente fechou a mão, apagando o fogo.

Só aí percebi que ela parecia um pouco cansada.

–É difícil se controlar. – Disse Leven. – Gasta um pouco de energia, mas com o tempo você se acostuma.

– Você foi ótima, querida. – Disse a professora. Ela olhou para mim. – Pode nos mostrar algo, por favor?

Ok, agora era a hora de passar vergonha.

– E-eu... Não consigo. – Admiti. – Só sei que tenho esse poder porque a diretora Tess falou. Mas nunca tentei.

– Então tente agora. – Ela sorriu.

Fechei os olhos. Pensei em uma ventania. Um furacão terrível. Mas eu não conseguia produzir uma rajada de vento sequer.

– Não consigo. – Repiti.

– Tente mais uma vez. – Insistiu a professora Sullivan.

– Eu não consigo! – Elevei o meu tom de voz, mas sem querer ser grosseira. Eu fiquei decepcionada comigo mesma. Então, um vento terrível soprou na sala, jogando-nos para as paredes. Do nada, nós congelamos e, quando voltamos do congelamento, ficamos de pé como se nada tivesse acontecido. – Ah, meu Deus, me desculpem!

– Não tem problema, Anna. É assim mesmo. Na primeira vez, o poder geralmente é liberado pela raiva. – Ela disse, em tom doce. – E obrigada, Max, por nos congelar.

O garoto do gelo assentiu. Eu sentia meu rosto queimando.

– Eu... Eu fiquei com raiva de mim mesma por não ter conseguido na primeira vez.

– Está perdoada. – Riu a professora. – Frederick, sua vez.

Ele olhou para Leven, como se pedisse ajuda.

– Não quero causar um incêndio. – Ele falou, baixinho. Mas todos continuaram o encarando, como se não importasse o que ele dizia, todos queriam vez o fogo.

Frederick estendeu a mão e, bem mais rápido do que eu, um jato de fogo saiu de sua mão. Leven arregalou os olhos e apertou a sua mão, contendo o fogo.

– É difícil fazer uma esfera como a sua. – Ele disse, ofegante. Mas a professora parecia bem satisfeita.

– Já foi um excelente começo. Liberaram seus poderes pela primeira vez. Como se sentem?

– Cansado. – Falou Frederick.

– Confusa. – Eu disse.

Os três riram. Talvez fosse sempre assim: os novatos são os bizarros. Mas eles não estavam zombando de nós. Era como se dissessem “Nós os entendemos perfeitamente.”.

A professora se aproximou de nós. Ela era baixa, magra e flexível, como uma bailarina. Ela nos olhava bem nos olhos.

– Nós geralmente treinamos para não destruir o mundo com nossos poderes. Mas também para autodefesa. Leven, Max, plano de defesa 1. Max, ataque. Leven, defenda-se.

Os dois se entreolharam e se afastaram um pouco. Eu fiquei fascinada do modo de como Leven deixou o rostinho de boazinha e se transformou em alguém com muita raiva. Max a agarrou pela cintura com um dos braços, e com o outro tentou agarrar o seu pescoço. Mas ela segurou o braço dele antes que tocasse em seu pescoço. Ela o empurrou com o cotovelo e deslizou para o chão no momento de distração dele. Indignado, ele estendeu a mão aberta para ela e de sua mão saiu uma fumaça branca. Não, era gelo. Leven não se deixou atingir. Ela estendeu a mão para ele, e saiu um jato de fogo. Fiquei impressionada. O fogo e o gelo não se consumiam. Ambos pareciam cansados de manter os seus jatos.

– Ok, foi ótimo. – Disse a professora. Leven e Max fecharam as mãos e ele a ajudou a se levantar. – Viram como ela se defendeu?

– Foi incrível. – Deixei escapar. Leven sorriu, tímida. O garoto também.

– É mais ou menos isso que aprendemos. – A sra. Sullivan nos dirigiu um sorriso amigável. – Mas como é o seu primeiro dia, vou dar uma folga para que descansem, ou conheçam o colégio. Amanhã, teremos aula de novo. Estão liberados.

Abracei a minha bolsinha. Ainda me sentia mal por ter feito uma terrível demonstração do controle dos ventos, lançando todos pelos ares. Mesmo que ninguém parecesse ter se importado. Não tinha ideia do que faria a seguir, já que provavelmente Chloe ainda estaria em aula.

Eu queria falar com minha mãe. Já sentia a sua falta. E de Derek. Nunca iria se passar pela cabeça dele que eu era uma superdotada! Talvez eu nunca mais fosse vê-lo.

Então, decidi o que faria em seguida. Iria pedir à diretora Tess para fazer um telefonema. Ou.. Dois.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 4:01 pm

CAPÍTULO 10 - CHLOE

– Derek. – Se apresentou o garoto. – Na verdade, eu também estou procurando essa sala.

Talvez fosse muita cara de pau da minha parte, mas encarei por um breve momento o garoto ao qual eu corri para pedir ajuda. Ele até que era bem bonitinho, mas enrubesceu assim que percebeu que eu o encarava. Olhou para o outro lado.

– Estranho o pessoal dessa escola colocar números diferentes nas portas. – Ele disse, virando a cabeça para encarar o chão.

Um sorriso nasceu nos meus lábios.

– Bom, vamos lá, companheiro. Se somos da mesma sala e estamos perdidos, acho que podemos nos ajudar.

Ainda sem olhar nos meus olhos, Derek sorriu. E nós fomos em busca da sala 14. O número, na verdade, estava em azul bem grande na porta de ferro. Decidi que assim que saísse daquele colégio de gente louca, eu iria atrás de óculos.

Eu e meu novo amiguinho entramos na sala e vimos que haviam várias mesas, como em uma escola normal. Mas era, assim, cada mesa tinha duas cadeiras, formando várias duplas. Haviam alguns outros adolescentes, sentados e conversando, então eu e Derek ficamos no nosso canto que, por azar, era a mesa da frente. Nós não conversamos muito, até que uma estranha figura apareceu ao lado dele e disse:

– E aí?

Derek se virou e deixou escapar um “Aah!” ao ver a garota. Eu sorri. Ela era uma fofa assustadora. Como uma boneca, que nem a Leven. Só que essa parecia ser uma boneca que você compra para a sua filha rockeira e rebelde. Ela tinha uma pele pálida de porcelana, olhos castanhos calorosos e um batom no tom rosa berrante de seu cabelo longo e ondulado.

– Ei. – Consegui dizer.

A menina riu.

– Se os fofoqueiros da escola estiverem certos, Derek Carter e Chloe Middleton. – Ela apontou para cada um de nós ao dizer nossos nomes. – Bem-vindos à escola. Sou Kiky.

– Kiky? – Perguntou Derek, intrigado.

– O termo oficial é Krystal Hammond, mas eu não gosto. Então, sim, Kiky, a garota teletransporte. – Kiky sumiu e reapareceu do meu lado, com as mãos no rosto, sorrindo. – Qual os poderes de vocês? Para estarem na famosa sala 14, deve ser algo envolvendo a mente.

Eu estava muito pasma para responder. As palavras que saíram de minha boca foram:

– Você se teletransporta. Como uma Stox.

– Stix. – Corrigiu Derek, mas deu para perceber pela sua expressão de que fora engraçado. Eu dei de ombros.

– Tanto faz. Eu, bem, consigo mover as coisas com a força da mente. Uma garota chamou isso de... De telecinese. Ou algo parecido.

Kiky deixou a sua expressão sarcástica por uma solidária. Ela deveria saber que minha mãe fora a última com esse poder... Antes de bater as botas.

– Hm, que legal. E você? – Ela cravou os olhos em Derek.

Ele demorou um pouco para responder, mas falou baixinho:

– Leio mentes.

Olhei para o garoto que estava ao meu lado e, de repente, parecia outra pessoa. Fiquei o encarando como fiz antes, de forma que ele ficou bastante interessado em examinar a mesa.

– Você... Está lendo a minha mente nesse exato momento?

Ele finalmente olhou nos meus olhos.

– Não! Quero dizer... Não consigo controlar isso ainda. Mas pode apostar que vou ficar bem longe dos seus pensamentos.

Continuei com minha expressão de choque. Então meu sorriso foi se abrindo. Dei um empurrãozinho em seu ombro, como se fôssemos amigos há muito tempo.

– Só estou brincando com você.

Ele sorriu, para a minha sorte. Kiky se teletransportou para a cadeira atrás da minha e sussurrou em meu ouvido, bem misteriosa:

– Não tenha medo do professor George Clooney do mal. Ele não vai machucar você... Acho.

O “acho” não me deixou feliz e, bem, eu não havia entendido nada do que ela falara até um homem entrar na sala. De fato, parecia um ator famoso americano, e não do tipo muito simpático e feliz. Ele fixou os olhos em mim e Derek por um momento. Nós dois olhamos para a mesa, tímidos.

– Novos alunos. Que maravilha. – Ele disse, entediado. Kiky tossiu falsamente atrás de nós, eu e Derek contemos um risinho. O professor tirou de dentro de uma gaveta algo como uma injeção, e arregalei os olhos. Sempre tive medo de agulhas. – Sou o professor Bill.

Ele se aproximou de nós, exibindo a injeção.

– Tenho que tirar uma gota de seu sangue, para a ficha dos estudantes. – Com força, ele pegou o meu braço. Senti a dor de seus dedos apertando a minha carne e emiti um som assustado quando Derek agarrou o braço do professor.

– Não toque nela. – Ele rosnou. O professor pareceu impressionado.

– Garoto novato, por favor, não me faça machucá-lo protegendo sua namoradinha. – Com um movimento, ele se livrou da mão de Derek e cravou a agulha na minha pele. Nem doeu tanto. Olhei para Derek, um olhar de ”está tudo bem”. Ele olhou com raiva para o professor e estendeu o braço para que ele o furasse.

– Desculpa, mas você pareceu assustada. – Derek sussurrou para mim quando o professor se afastou.

Sorri.

– Tudo bem. Pelo menos sei que posso confiar em você, não nele. – “Apontei” com a cabeça para o professor Bill. Atrás de nós, Kiky começou a cantarolar uma música romântica. Senti o meu rosto pegar fogo.

– Depois dessa linda encenação de amor, vamos começar a aula, crianças. Não estou com paciência para mais teatro, ok? – Disse o professor, bem alto para todos ouvirem, mas sua atenção estava em nós.

Fiquei com uma vontade de matar aquele cara. Kiky não, pois ela era só um daqueles “amigos que implicam”. Ele já estava enchendo o saco.

– Para começar a aula, eu... – Um som de celular ecoou pela sala. O professor tirou o telefone do bolso e encarou a tela por um tempo. – Desculpem criancinhas, mas estarei ocupado agora. Estão liberados.

A turma se animou. Foram saindo apressados, como se estar naquela sala com aquele cara assustador fosse algo bem ruim. Eu os dava razão. De repente, só eu e meu mais novo amigo estávamos na sala. Ficamos sem dizer nada por uns segundos, então eu comecei:

– Bom, acho que devemos conhecer mais o lugar, e não ficar aqui. Tenho claustrofobia, sabe...

Ele deixou escapar uma risadinha e nós saímos. Parecia que muitas turmas estavam sendo liberadas, pois vários adolescentes já estavam indo para o lado dos dormitórios. Eu tentei localizar Anna no meio, mas não a encontrei. Como se fosse muito difícil achar uma morena vestida inteiramente de branco no meio de vários superdotados.

Caminhamos em silêncio pelas portas. Eu memorizava os números que via nas portas, que não faziam o menor sentido. 4, 25, 7, 12...

– Então... – Falei, andando com os braços cruzados sobre o peito. – Chegou aqui hoje?

Derek olhou para a frente.

– Bem, sim. Foi muito estranho e tudo mais. Ainda não me acostumei com a ideia. E você?

Diferentemente dele, eu olhava para os meus pés agora. Ridículas sandálias brancas. Eu esperava que não estivesse usando os trajes dos Stox que haviam sigo dispensados.

– Eu também. Estava indo passar as férias na Flórida, quase sofri um acidente no avião. Mas salvei todo mundo. – Ri, pois aquilo soava ridículo.

– Eu morava na Flórida. – Olhei para o seu rosto e percebi que havia um pequeno sorriso. De alegria, ou de saudade.

– Eu morava em Londres. – Mordi de leve o lábio inferior. Quando me virei para continuar andando, eu a vi. Anna. Ela estava com Leven e um garoto loiro. Mas os olhos dela se fixaram em mim... Não. Não em mim. No garoto que estava do meu lado.

Uma Anna louca veio correndo em nossa direção. Fiquei confusa, então cutuquei Derek, para perguntar se, quem sabe, ele não conhecia Anna. Isso seria bem improvável, mas não custava nada perguntar.

Ele se virou e, quando a viu, pareceu tão chocado quando ela.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 4:02 pm

CAPÍTULO 11 - DEREK

Era… Anna. Era ela. Ela estava ali, naquela escola, com roupas brancas e um olhar confuso, distante. Quando me viu, sua expressão era de choque. Claro, quem diria que nós poderíamos ter tantas descobertas em um só dia.

A chata da minha “irmã mais velha” estava somente a alguns metros de mim. Me sentia mais feliz do que nunca.

– Derek! – Ela gritou no meu ouvido quando me abraçou. Anna foi tão rápida quando um furacão, correndo até mim. Eu retribuí o abraço, aliviado por ela estar ali. Não só porque agora eu conhecia alguém, mas também por causa de Chloe.

Deus, aquela garota era linda. E especial. Eu não sei porque, mas eu sentia aquilo. O jeito que ela falava, me fazia querer ouvir mais. Era esperta. E não era tímida. O contrário de mim, é claro, e deveria me achar um idiota.

– Não consigo acreditar que você está bem aqui! E você! – Anna gesticulou para Chloe.

Chloe sorriu.

– Acho que eu estou meio perdida.

Eu abri a boca, mas não saiu nada. Anna revirou os olhos. Ela já estava acostumada com a minha lentidão e estupidez.

– Chloe, esse é Derek, ele é... O meu melhor amigo. E Derek, Chloe é minha colega de quarto.

– Nossa. – Foi a única coisa que consegui dizer. As garotas riram. Anna se virou para mim, com aqueles olhos negros curiosos. Eu fiquei imaginando qual era o seu poder.

– Nós precisamos conversar.

– É verdade.

Olhei no relógio que estava escondido embaixo do casaco. Já eram seis horas da tarde. Anna puxou o meu braço para ver a hora e disse:

– Vamos.

Chloe tossiu, delicadamente. Eu me forcei a olhar para ela, o que cada vez parecia mais difícil. Ela era linda demais, talvez inatingível demais.

– Sem querer ser intrometida e tal... Mas posso ir com vocês? – Ela sorriu, docemente. Não consegui responder. Olhei para Anna.

Ela sorriu.

– Claro.

Segui as garotas enquanto elas passavam despreocupadas pelos estudantes. Elas pareciam fantasmas – meninas bonitas, vestidas completamente de branco. Entramos em um elevador, Anna apertou um brilhante botão com o número 1. Nós saímos e me vi de frente com uma grande porta de vidro, e lá fora era ainda mais surpreendente: um laranja de pôr-do-sol iluminava um enorme campus, um gramado verde, dois grandes dormitórios (deduzi que um era masculino e o outro feminino) e várias lojas: de roupas, restaurantes... ou seja, tudo o que um superdotado precisava para viver estava ali.

Uma boa desculpa para não fugir.

Continuei seguindo as garotas, que iam em direção a uma sorveteria. Era um lugar pequeno, mas haviam mesas e cadeiras. Eu precisava sentar e descansar. E de um grande copo de sorvete de chocolate.

Joguei-me em uma das cadeiras, exausto. O dia estava sendo cansativo. Chloe cruzou os braços e ficou nos observando.

– Está aqui a quanto tempo? – Perguntou Anna.

– Desde hoje. Depois da escola. – Falei.

Ela pareceu apreensiva, fechando e abrindo o punho diversas vezes. Inquieta.

– Eu também. Só eu que não acho isso normal?

Fazia sentido. Chloe abriu um pequeno sorriso. Ela parecia bem calma, para falar a verdade. Era bom tê-la ali.

– Não se preocupe, Anna. Nós não precisamos disso. – Ela se virou para o balcão onde haviam adolescentes e adultos trabalhando na sorveteria. – Alguém pode nos atender?

Um cara alto e loiro apareceu. Ele era estranhamente pálido, e bizarro com aquela roupa de sorveteria, pois tinha uma cara de mau. Anna parecia conhecer o cara, pois pareceu meio surpresa quando o cumprimentou.

– Oi. – Ele não chegou a sorrir, mas pareceu mais amistoso aos meus olhos. – O que vão querer?

Eu, Anna e Chloe nos entreolhamos. Eu não tinha certeza se ainda estava ali, mas eu tinha a mochila que havia levado para a escola. Abri um dos bolsos e achei 15 dólares. Tirei as notas e coloquei sobre a mesa.

– Isso paga? – Perguntei ao cara.

– Três copos. – Ele disse.

Pedi o meu de chocolate, Anna também. Chloe quis sorvete de morango. Foi estranho o quão rápido eles chegaram.

– Obrigada, Max. – Disse Anna. O cara saiu.

Nós ficamos um pouco em silêncio, saboreando. Mas a sensação fria só me fez ficar com mais saudade de casa e de minha mãe.

– Qual o seu poder? – Perguntei a Anna, para quebrar o silêncio.

Ela ficou apreensiva novamente.

– Só consegui fazer uma vez, e não deu muito certo. – Ela deu um sorrisinho. Então ela estava viva, afinal. – Mas... Eu controlo o ar. Dá pra acreditar nisso?

– Não. – Eu falei. Nós rimos. Quando ela perguntou qual era o meu, eu engoli em seco e me concentrei nos pensamentos dela. Ainda me dava um pouco de dor de cabeça, mas tentei repetir tudo o que ela pensava. – “Qual será o poder de Derek e por que ele está olhando assim pra mim? Nossa, que estranho... Ei!”

– Você estava lendo a minha mente? – Anna perguntou, assustada. Dei de ombros.

– Surpresa.

Ficamos em silêncio novamente. Chloe ficava de tempos em tempos olhando para mim, então para Anna, o que era meio desconfortável; mas ela não era uma garota tímida. Estava claro que nos observava para nos conhecer melhor.

– Bom, pelo menos sei que vou ter amigos aqui. – Chloe disse. Olhei no meu relógio novamente, e haviam se passado vinte minutos que havíamos chegado ali. Agora eu só precisava de um banho e dormir. Tirei de minha mochila o papel que a secretária havia me entregado, que dizia que minha nova casa seria o quarto 220.

– Então, a gente se vê depois? – Perguntei a elas. As duas assentiram. Resolvi deixá-las e fui andando sozinho até o dormitório. Não era muito diferente de um prédio comum, e o meu quarto ficava no segundo andar. Por sorte, as portas não eram de números totalmente diferentes, como na escola. E logo achei o meu quarto.

Girei a maçaneta e entrei no quarto, tendo algumas surpresas. Para começar, haviam algumas malas minhas sobre uma das camas (estranho pensar que o pessoal da escola invadiu a minha casa e me trouxe roupas). Segundo, um garoto alto e loiro, do tipo popular que sempre zoaram comigo na escola, estava arrumando suas coisas sobre a outra cama.

Ótimo. Talvez eu não tivesse me livrado dos valentões. Simplesmente perfeito.

– Ah, oi. Sou Frederick Marshall.

O garoto estendeu a mão e eu a apertei. Tentando manter o tom de calmo na voz, eu disse:

– Hm, o colega de quarto, certo? Sou Derek Carter.


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MensagemAssunto: Re: Newpoint High School - By Drunk   Dom Jul 15, 2012 4:03 pm

CAPÍTULO 12 - FREDERICK

E então Anna saiu, me deixando sozinho com minha irmã. É claro que eu queria passar tempo com ela, até porque ficamos anos separados, mas estaria mentindo se eu dissesse que não havia sentido algo por Anna. O jeito que o seu olhar ficava distante às vezes, como se ela se preocupasse... A forma que ela franzia os lábios... Tudo em Anna era bonito. Até mesmo o fato de ter me lançado pelos ares na sala de aula.

– Fred. – Chamou Leven. Eu parei de encarar o nada e passei o braço em volta de sua cintura. Era bom tê-la ao meu lado, finalmente eu sentia que estava em família. Eu amava vovó, mas às vezes ela era dura demais em relação a tudo.

– Me diga, para onde devemos ir, baixinha? Eu não conheço nada daqui. – Talvez eu estivesse um pouco menos assustado de estar naquele lugar, porque não era tão diferente da escola que eu ia na Filadélfia. Leven conhecia bem aquele lugar, ela já estudava aqui há quatro anos. Ela me guiou até uma pequena porta que eu nem havia reparado. – O quê...

– Shh, bobo. – Disse ela. – Após 7 anos reencontro meu irmão, quero conversar com ele em um lugar especial.

Leven, curiosa como sempre. Quando crianças, a gente gostava de entrar em vários lugares desconhecidos, dando muita dor de cabeça à nossa mãe. Subimos uma escada e quando eu vi, o teto acima de mim estava laranja pôr-do-sol.

Não. Era o céu, mesmo. Leven havia me levado ao teto da escola.

– Uau. – Consegui dizer. Não tive medo de cair, até porque ela não parecia estar assustada. E depois que eu soube que consigo fazer sair fogo da minha mão, nada mais parece me assustar tanto. Olhei a paisagem lá embaixo. Era como uma mini cidade, e mais adiante haviam os dois dormitórios: masculino e feminino. Além disso, haviam muitas árvores, algumas em tom de vermelho como do outono. – Leven, onde nós estamos?

– Colorado Springs. – Ela falou, sentando-se. Eu caminhei até ao lado dela e me sentei. A paisagem era incrível. Você pode até ter medo de vir pra cá no início, mas depois que chega, não há razões para ir embora.

– Tão longe de casa... – Suspirei. Eu sentiria falta de algumas coisas, como o frio, por exemplo. – Me diga: eu nunca mais a vi depois daquela noite. O que aconteceu?

Leven franziu a testa. Ela tinha uma memória assustadoramente boa, e eu não ficaria impressionado se ela contasse cada mísero detalhe de sua vida misteriosa.

– A... A vovó teve um ataque. Ela gritava e apontava para mim, me chamando de nomes horríveis, me culpando de tudo. Tia Macy teve de controla-la, falando que não fora culpa minha. – Leven tinha lágrimas nos olhos. – Mas foi, Fred. Eu matei nossos pais. Eu deveria morrer por tanta crueldade.

Eu a abracei bem forte, ela começou a chorar molhando a minha camisa.

– Não foi sua culpa, Lev. A vovó me mandou pedir perdão no lugar dela. Você não tinha conhecimento dos seus poderes. Ninguém a culpa mais. A vovó também controla o fogo.

Leven arregalou os olhos, eu sorri.

– Você não pode estar falando sério.

Nós chegamos até a rir, o que foi ótimo. Parecia que havíamos passado todas as etapas de nossas vidas juntos novamente, sem acidentes, sem mortes. Talvez ela sentisse o mesmo, pois isso deu forças para que ela continuasse, os olhos fixos na paisagem lá embaixo o tempo todo.

– Tia Macy não pôde me dar abrigo. Ela já estava grávida do terceiro filho, não é mesmo?

Assenti com a cabeça.

– É... Claire já tem sete anos. Você iria adorar conhecer ela.

Um pequeno sorriso se formou nos lábios dela, os olhos azuis pareciam fogo à luz do sol poente.

– Bom, tia Macy escondeu de todo mundo, eu acho, mas ela me colocou num internato para crianças problemáticas. Foi horrível. Pensei várias vezes em fugir. – Ela suspirou, como se as palavras lhe doessem. – Mas, quando fiz 13 anos, a diretora Tess me achou.

Pensei em Bonnie, a vice-diretora, e como ela me recrutara. Eu ainda não tinha conhecido oficialmente a sua irmã, mas sentia que devia algo a ela. Ela salvara Leven. Bonnie parecia ser uma mulher legal, não do tipo vice-diretora que sempre tortura os alunos e acha que é o dono da escola. Como o sr. Schmidt, da minha antiga escola.

– A diretora foi muito legal comigo... Eu finalmente me senti melhor em anos. Mas, Fred, a minha vida esse tempo todo foi muito amarga. Você era o meu único amigo quando éramos crianças. Sinto falta do sorriso da mamãe, do papai me carregando nas costas... Isso dói.

Pensei nos meus pais. Mamãe me lembra Leven agora, já crescida, porque as duas eram muito baixinhas. Meu pai já era um cara mais alto, intimidador... Mas quando o conhecia, ele passava a ser um homem que te fazia rir o tempo todo. Nós éramos uma família feliz, apesar das brigas com a minha avó.

– Então eu tive uma colega de quarto, Lyssa. – Leven cruzou os braços sobre o peito. – Ela tinha o poder da invisibilidade. Achava que não seria pega pelo governo e tal. Mas ela morreu. Não sei a causa, Tess não quis me contar.

Suspirei.

– Bom, naquela noite vovó decidiu me abrigar. E foi assim: feriados estúpidos reunidos em família, escola, exercícios... Sem você lá, tudo isso era um inferno. A minha vida se passou rápido demais.

– E a minha, devagar como uma tartaruga. – Ela sorriu. – Talvez seja hora do pequeno Fred ir para o seu dormitório. E conhecer seu colega do quarto. – Ela me cutucou.

Eu ri.

– Colega de quarto? Que droga. Pensei que teria as duas camas só para mim.

Ela se levantou e me deu a mão. Nós saímos da escola pelo elevador supermoderno. Eu não tinha minhas coisas comigo, mas lembrava do que Bonnie havia dito. Quarto 220. Por um momento, quase entro no dormitório das meninas, o que não aconteceu, ainda bem, pois seria bem estranho.

Achei meu quarto rapidamente, e estava vazio. Era tão charmoso quanto um monte de areia: totalmente branco. Não vi diferença entre as duas camas (sim, eu deitei nas duas para testas), então peguei a do lado direito, colocando minha mala sobre ela.

Vários pensamentos se passavam pelo meu cérebro que quase nem vi o garoto chegar. Meu mais novo amiguinho. Ok, isso aqui estava cada vez mais parecido com a pré-escola.

– Ah, oi. Sou Frederick Marshall. – Estendi a mão para ele. O garoto tinha uma cara de desconfiado, mas a apertou e se apresentou como Derek Carter, num tom muito formal, como se dissesse: “Vamos dividir esse quarto, mas nada de amizade”.

Mas isso seria tenso demais, então tentei conversar.

– Eu também cheguei aqui hoje. – Comentei, só para puxar assunto. Mas Derek nem ao menos reagiu. Estava muito preocupado com suas coisas, quando algo caiu de sua mochila perto dos meus pés. Ele não percebeu, então me abaixei para pegar. Era a foto de uma mulher adulta, com cabelos pretos e olhos castanhos iguais aos dele. Eram muito parecidos. – Sua mãe? – Estendi a foto para ele.

Derek pareceu ficar envergonhado, mas eu não me importava que o cara tivesse uma foto da mãe na mochila. Muito melhor que alguns idiotas que não dão valor aos pais. Eu dou valor à memória dos meus. Ele fez que sim com a cabeça e pegou a foto.

– Legal... – Sorri. – A minha morreu. Não tenho nenhuma foto dela.

Derek finalmente falou alguma coisa sem ser a apresentação.

– Sinto muito.

Dei de ombros, tentando amenizar a dor que aquilo me causava.

– Faz muito tempo. Qual o seu poder?

Derek riu. O quê? A pergunta nem tinha sido idiota, considerando que cada alma vivente nesse colégio pode fazer coisas impressionantes. Eu, por exemplo, posso cozinhar sem precisar de um fogão.

– Nem parecemos adolescentes normais, que perguntam coisas do tipo “qual sua marca de tênis favorita?”. Mas eu leio mentes. Não surte, eu não vou ler a sua.

– Eu controlo o fogo.

Ele ergueu uma sobrancelha.

– Conheceu Anna Harris, uma manipuladora do ar?

E lá estava ela de novo. Quando achei que tinha esquecido o seu rosto, invadiu a minha mente. Esperei mesmo que Derek não estivesse mentindo sobre não ler a minha mente. Num tom casual, respondi:

– Ah, é. Conheci sim. Estamos na mesma sala.

– Ela é a minha melhor amiga.

Uau... Que estranho. Terminei de arrumar as minhas roupas e vi o que havia trazido para me lembrar de casa: uma foto que eu havia tirado do quintal da casa de minha avó no inverno. Deixei-a sobre a pequena mesa branca que ficava entre as camas.

– Onde é isso? – Perguntou Derek, olhando a foto.

– Filadélfia.

Ele deu um pequeno sorriso.

– Ah. Pensei que fosse Canadá. Sinto falta de casa.

Eu também sentia. Talvez o garoto não fosse um colega de quarto tão ruim. Talvez eu pudesse ter um amigo, afinal.


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