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 Inside Us - By Burn & Drunk

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Miss Hangover

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MensagemAssunto: Inside Us - By Burn & Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:38 pm

Nome: Inside Us
Censura: +16 Cool -Q Não decidido
Assunto: One Direction \o/
Gênero: Amizade/Romance (?)
Terminada: No.

CAPÍTULO 1
"Primeiras Impressões"


A neve caía naquela manhã de fevereiro. O Newbridge English College tinha sua grama coberta pela camada alva e fria. Carros luxuosos estavam estacionados na frente do colégio interno, e vários pais traziam suas filhas, de 10 anos pra cima, com muitas malas para viverem uma nova aventura. Um simples carro preto estava parado na fila, um homem tirava as malas da filha, que parecia assustada com aquilo.

- Papai, porque tudo aqui parece tão velho? – Perguntou a garotinha, fazendo uma careta para o Newbridge. – Porque é tão diferente de Nova York?

O homem sorriu para a filha. Ela o encarava com grandes olhos dourados brilhantes. Ele suspirou. A verdade era que não queria deixá-la. Sua esposa tinha os braços ao redor da pequena menina.

- Não é velho, Em. Você vai gostar.

- Não, não vou. – Falou Emily. Nathan e Susan Campbell guiaram a filha para dentro do colégio.

Outro carro, um prateado, não conseguia mais avançar por causa da neve. O motorista, um elegante ruivo com terno cinza, saía indignado do seu veículo. A porta de trás de abriu e uma garotinha ruiva, de cabelos encaracolados, endireitou os óculos e perguntou docemente:

- O que foi, tio?

O homem grunhiu e a ignorou. A garotinha apertou o casaco contra o corpo (que era grande demais para ela). Debaixo do braço, ela tinha alguns livros da escola. Outra pessoa saiu do banco da frente. Uma mulher que usava roupas feitas do pelo de algum animal.

A garotinha Emily se sentara em uma das poltronas imensas da recepção do Newbridge enquanto seus pais pegavam sua farda e as outras informações que seriam necessárias. A ruivinha apareceu ao seu lado, tentando se afastar dos que deveriam ser seus pais.

- Oi? – Perguntou Emily. A ruivinha se virou. Seus olhos castanho-escuros eram escondidos embaixo das grossas lentes dos óculos.

- Olá. – Sussurrou ela.

- Sou a Emily. – Disse, se balançando hiperativamente.

- Taylor. – A outra garota falou tão baixo que Emily teve que gritar “O quê?”, para que Taylor pudesse repetir. Elas pareciam tão diferentes: Emily meio agitada, Taylor mais quieta. Mas ambas sabiam que seriam amigas mesmo assim.

A mãe que estava na frente da fila para pegar a farda e o horário das alunas brigava com a atendente. Ela dizia que queria um quarto em um dos primeiros andares para que a filha não tivesse risco de cair ao descer as grandes escadas. A garotinha parecia entediada. Quando as duas resolveram parar de brigar, a moça colocou um crachá com o nome da menininha na sua blusa, para que, na hora em que as meninas fossem para seus quartos, ela soubesse. “Dormitório 117 – Charlotte Angelinne Moore”.

- Argh! – Exclamou ela, ao ler o seu nome no crachá.

- O que foi? – Perguntou a mãe, enquanto guiava a filha por entre a multidão.

- Charlotte. É feio! Porque não podem colocar Angie?

- Porque seu nome é Charlotte e ponto. – Disse a mãe.

Perto da escada, o pai e a mãe se despediam de sua filha. A garotinha loira tinha várias malas cor-de-rosa, que combinavam com sua roupa e... Maquiagem. Sim, maquiagem, mesmo que ela tivesse dez anos.

- Filhinha, você vai se divertir muito aqui. – A mãe beijou sua testa. A verdade é que ela havia estudado naquele colégio interno, e assim queria que a filha fizesse. O pai também se despediu e deixaram a garotinha loira sozinha com a inspetora guia. No seu crachá estava escrito seu nome: Alexia.

Uma linda menininha de olhos castanhos chorava no colo do pai.

- Eu também vou sentir sua falta, Sammy. Em algum tempo, vão ser as férias.

O homem também se esforçava para não chorar. Colocou a garotinha no chão e arrumou o crachá que estava um pouco torto na blusa da pequena. Nele, se lia Samantha. Ela esfregou os olhos azuis e foi para a sua guia. Em alguns minutos, todas as garotas já haviam subido as escadas.

No dormitório 117 a guia chamou os nomes que estavam na sua lista. Ela tinha uma maquiagem e voz tão engraçadas que todas as garotas -mesmo as mais velhas- riam baixinho enquanto ela falava.

- Charlotte Moore, Alexia Windsor, Taylor Wesker, Emily Campbell e Samantha Carter. - Anunciou ela. - Harriet... Harriet! Mostre as garotas o local! As demais, sigam-me!

E saiu batendo o pé com outras garotas de 10 a 12 anos, para mostrá-las o seu dormitório. As cinco meninas entraram acompanhadas de Harriet, a guia nova do Newbridge, que tentava desesperadamente carregar as malas das cinco crianças. As meninas não sabiam o que fazer. O quarto 117 parecia tão diferente dos que elas estavam acostumadas! Paredes brancas. Três camas com lençol branco de um lado, e duas do outro, com a mesma cor. Havia uma porta que dava ao banheiro e uma grande janela, com cortinas brancas. Enfim, tudo no quarto era branco. A pequena Alexia abraçou seu ursinho rosa ao ver o quão deprimente era a paisagem.

- Muito bem... meninas! - Harriet derrubou as malas no canto do quarto e tentou sorrir, mas parecia exausta. - Alexia, Emily, Samantha, Taylor e Charl...

- Angie. - Completou a menina, encarando a guia.

- Como? - Perguntou Harriet, confusa.

- Angie. De Angelinne. - Ela apontou para o crachá. - Charlotte é feio.

As garotas riem da cara que Harriet olha para ela.

- Muito bem. Angelinne. Esse é o novo quarto de vocês, meninas. Estarei aqui para ajudá-las. Escolham suas camas e... - Harriet se voltou para as malas, com um ar tristonho na face. - Eu vou organizando as coisas por aqui.

Emily escolheu a primeira cama. Taylor escolheu a do meio e Samantha a última. Do outro lado, Alexia e Angie. Elas se olhavam, tímidas. Ninguém conversava. O único som que se ouvia era Harriet murmurando, pegando as malas e o vento frio daquele dia em Oxford.

- Não sejam tímidas! - Ordenou a guia.

- Eu sou Emily. Eu vim da América. - Disse a pequena, imediatamente. Ela sorriu para todas, querendo fazer amizades. Aquilo era verdade. Seus amiguinhos todos ficaram em Nova York. E aquelas meninas pareciam ser legais. Emily começou a enrolar com a ponta dos dedos o cabelo castanho com mechas claras naturais, que ela tanto gostava.

- É por isso que você fala engraçado. - Sorriu a loirinha, do outro lado. Seus olhos verdes, delineados pela sombra cor-de-rosa, pareciam denunciar que ela era bem sapeca quando queria. - Eu gosto que me chamem de Lexi.

- Meu pai me chama de Sammy. - Disse a da ponta, sorrindo. Suas bochechas eram rosadas. Ela parecia uma boneca de tão fofa. Angie, que estava entretida com os lençóis da cama, levantou os olhos para as outras.

- Vocês sabem.

As garotinhas riram. Só faltava uma se apresentar. A ruiva, Taylor, que limpava as lentes dos óculos com o grande casaco. Parecia extremamente tímida, mas todas olhavam para ela.

- Tay.

Harriet colocou a mala de cada uma das meninas ao lado de suas devidas camas. Ao lado de cada cama havia uma cômoda para organizar as suas coisas.

- Muito bem, já se apresentaram. Divirtam-se!

Harriet, que parecia querer muito sair do local, fechou a porta com um estrondo. As meninas se entreolharam por um instante. Sabiam que, em alguns minutos, teriam que vestir o uniforme e ir para as aulas. Um silêncio tomou conta do local, até que Lexi tirou uma boneca Barbie muito parecida com ela de uma das malas e perguntou:

- Alguém quer brincar?


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Última edição por Miss Hangover em Qua Out 17, 2012 9:35 pm, editado 3 vez(es)
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Miss Hangover

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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Dom Jul 15, 2012 3:41 pm

CAPÍTULO 2 - TAYLOR WESKER
"Chifres e Topetes"


Depois de anos, eu mal acreditava que estávamos formadas e com nossa própria casa.

Era um alívio poder respirar fora do colégio interno, e longe de tio Robert e tia Louise. E do chato do Lucas. Enfim, agora eu estava com minhas melhores amigas, e acho que nada poderia ser melhor do que isso. Admito que os pais de Lexi e Angie cooperaram bastante para que esse sonho se realizasse.

Ou como diz Em: “Simplesmente querem se livrar de nós”.

Hoje seria um dia comum para adultas comuns. Ou quase adultas, já que todas têm 18 anos, mesmo com os protestos de Angie ser a mais velha por meses. Sentei-me no sofá ao lado de de Lexi e Sammy, talvez elas fossem fazer alguma coisa, e eu não queria ficar em casa e dormir como a Angie. Emily sairia com seu namorado que viera da América visitá-la aqui em Londres, Tyler Hawthorne. Nunca contei isso para ninguém, porque certas coisas talvez devessem ficar só para você, mas nunca fui com a cara de Tyler. Tenho medo do que ele pode fazer com a minha baixinha, mas sem querer ser uma amiga superprotetora.

- E aí, garotas... Pretendem fazer algo? – Tomei o controle da TV da mão de Sammy, e ela protestou, o que foi engraçado. Até xingando alguém,
Sammy era fofa, com aqueles olhos castanhos de cachorrinho.

- Comprar maquiagem. – Suspirou Alexia.

- Ah, vá se danar. – Murmurei, mudando os canais. Lexi gargalhou, mas eu sabia que ela fazia aquilo só para me provocar, pois eu odiava maquiagem, diferente da minha amiga loirinha.

- Mas o que você quer fazer, meu anjo? – Perguntou ela, sarcasticamente. Revirei os olhos e ri. – Comprar livros? Tomar um cafezinho?

Deixei no canal onde estava passando Orgulho e Preconceito (em poucas palavras, sou viciada. É um dos melhores romances já criado. Obrigada, Jane Austen).

- Parece uma boa.

Sammy fechou a cara.

- Sério, Taylor, se vai escolher um filme, escolhe um atual. Eu estava assistindo Disney Channel e você vem e...

- Shh. Não consigo escutar o que eles falam. – Coloquei o dedo indicador nos lábios de Samantha. Ela retirou minha mão e começou com a chatice:

- Mas você nem precisa! Já sabe todas as falas decoradas!

Era verdade, mas quando você está vendo seus filmes favoritos, acaba esquecendo esse detalhe. Devolvi o controle e deixei que ela assistisse o seu preciso Disney Channel, enquanto eu faria uma rápida visita pela biblioteca. Talvez não tão rápida.

- Emily, saia do banheiro! – Bati na porta. – Há quantos séculos você está aí?

A porta se abriu e uma figura de toalha branca e felpuda apareceu. Em estava toda molhada, seus cabelos médios tinham uma estranha coloração, dois tons de castanho, como se fossem mechas, mas ela nunca tinha pintado eles.

- Pronto, já pode ir. – Disse ela, com o seu sotaque americano adorável.

Existem os dias quentes. Existem os dias frios. Por sorte, hoje a temperatura estava em um meio termo entre esses dois. Eu estava usando jeans comum, blusa lilás, um casaco branco e minha bolsa preta.

Ainda não tínhamos carro, mas eu gostava de longas caminhadas. A biblioteca não era muito longe do nosso apartamento, mais ou menos umas cinco quadras. Tirei de minha bolsa meu iPod e apertei em qualquer uma das playlists, a primeira música era Weightless. Deixei no volume máximo enquanto virava a esquina para...

Para me deparar com a cena.

Tyler Hawthorne. Com certeza era ele. Um garoto alto, bronzeado e atlético, com cabelos loiros curtos e olhos cinzentos. Estava com uma garota... Não era Emily. Não tinha os cabelos castanhos ondulados dela, ou os olhos dourados e as bochechas cor de rosa. Era o contrário de Emily.

Parei bruscamente para olhar a cena mais de perto, diminuindo o volume da música. Ele não estava muito longe de mim, mas não me via. Eu fiquei sem reação. Não sabia exatamente o que fazer vendo aquilo. Poderiam ser amigos. E se o meu escândalo defendendo Emily fosse apenas uma vergonha que eu passaria? É, Tyler e a garota eram amigos.

Mas... Amigos não se beijam.

Naquele momento, minha reação foi instantânea. Nunca fui do tipo que tentava aparecer, nem mesmo na escola. Mas vendo que o namorado de minha melhor amiga andava beijando outra, eu tive um choque do chamado "instinto protetor". Não ia deixar barato.

Suspirei fundo e andei em direção a ele. Quando me viu atrás da garota, sua primeira reação foi arregalar os olhos e segurar os ombros dela, para que se afastassem. Parei a alguns metros de distância dos dois, os braços cruzados sobre o peito, sentindo uma grande raiva dentro de mim. Vi que Tyler agia como um desastrado ao se despedir forçadamente da outra. Bati os pés, com raiva, enquanto a menina ia embora. Tyler deu um sorriso amarelo para mim.

- Oi, Taylor...

Interrompi-o antes que ele pudesse falar:

- Pare já com isso de "Oi, Taylor". Para começar, espero que tenha uma boa explicação para o que eu acabei de ver. Se você acha que ia tratar a Em como uma qualquer... Estava enganado.

Tyler Hawthorne nunca pareceu tão assustado. Ele olhou para o lado, colocando as mãos no bolso.

- Ah, bem... Não foi nada demais, eu amo a Emily... Se não amasse, acha que eu iria vir até a Inglaterra...

- Para enfiar a língua na boca daquela loira? - Grunhi.

Ele não pareceu gostar da interrupção. Seus olhos cinzentos pareciam nuvens de tempestade, e o seu rosto não era daquele cara amigável que Em apresentara a mim e as meninas algum tempo atrás.

- Você não vai querer falar sobre isso, Taylor.

- Por que não? - Questionei.

A reação dele eu nunca poderia ter imaginado. Suas mãos, antes no bolso, agora estavam em volta de meu pescoço, apertando-o. Sentia o ar fugindo de meus pulmões, vários pontos de luz dançando sobre meus olhos, enquanto a voz de Hawthorne sussurrava ameaças a mim caso contasse algo para Emily. Eu tentava gritar, mas minha voz saía quase como um ganido. Duvidava que alguém pudesse me ouvir. Respirar já era difícil, a temperatura havia caído vários graus e minha visão estava escura quando as mãos dele finalmente me soltaram. Meus joelhos estavam fracos e eu caí no chão, a cabeça doendo. Eu tentava desesperadamente respirar, e a minha visão voltava. Estava meio embaçado, mas eu o reconheci. O cara que fez com que Tyler me soltasse.

Entenda, eu nunca fui uma fã obcecada. Eu e as meninas conhecíamos suas músicas, gostávamos de dançá-las. Sabíamos os nomes deles, até porque eram a febre do nosso país.

O garoto era Zayn Malik.

Eu estava com azar, pois a rua era movimentada e logo a polícia apareceu. Eu não conseguia respirar muito bem, por isso uma policial precisou me ajudar a entrar no carro. Eu não suportava a ideia de ficar perto de Tyler, mas se ele fosse ser julgado por ter quase me matado, eu compreendia. O policial liberou Zayn, talvez por ele ser um cantor famoso. Encostei a cabeça na janela do carro, mas o movimento não me fazia bem. Eu sentia como se fosse vomitar.

Chegamos em uma das delegacias da cidade, e, com a ajuda da policial, me sentei no sofá, Tyler do outro lado. Eu não queria olhar na cara dele. Sentia que ia melhorando aos poucos, já com a respiração controlada.

- Com licença. - Pedi. - Posso dar um telefonema?

A policial assentiu com a cabeça. Eu não sabia se era permitido que eu pegasse o meu celular, então liguei com o aparelho da delegacia. Digitei o número de Angie rapidamente e expliquei a situação para ela.

Falar com a Angie -e em seguida, com as meninas- foi fácil. Elas chegaram bem rápido, lançando olhares furiosos a Tyler, incluindo algumas palavras feias. Sammy perguntava se eu estava bem, e eu me sentia ótima, porém nervosa. Eu precisava ligar para Emily. Ela iria querer saber aonde estávamos, e eu contaria que o namorado dela tentara me matar quando eu o flagrei a traindo.

Tarefa bem fácil.

Emily fazia o tipo de durona, mas nós sabíamos que os sentimentos dela eram feridos bem facilmente. Ela era muito sentimental. E eu estava com medo de vê-la magoada. Mas era meu dever.

- Alô, Em? Precisamos conversar...


Quase meia hora depois, sem nenhum sinal ou aviso, ela apareceu. E estava deslumbrante. Emily usava seu sobretudo vermelho e botas pretas de salto alto. Seu rosto tinha pouca maquiagem, só o básico que ela gostava de usar: lápis de olho e delineador preto, destacando as íris douradas; gloss labial rosado, transparente. Estava maravilhosa, com um copo de café da Starbucks em uma das mãos. Olhou para mim e para as meninas, sem reação, e depois para Tyler. Ela sorriu e caminhou até ele.

E fez algo surpreendente. Jogou todo o café na camisa dele. Foi engraçado vê-lo todo revoltadinho com aquilo. As meninas faziam força para não gargalhar muito alto.

- Isso - murmurou ela - Foi por colocar as mãos na minha amiga. Nunca, mas nunca mesmo, pense em colocar as mãos nela. Em nenhuma delas.

Então Emily deu um tapa no lado esquerdo do rosto de Tyler. Eu sabia que ela, apesar de pequena, dava tapas super fortes. O cara resmungou, colocando a mão sobre a área onde fora nocauteado.

- E isso - a voz de Emily estava ficando mais fraca, como quando ela queria chorar - Foi por me tratar como uma vadia qualquer.

Então ela se virou em direção à porta. Lexi correu para pegar um copo de água para ela; eu, Angie e Sammy a seguramos antes que ela saísse. Seus olhos estavam molhados, mas as lágrimas não desciam pelo seu rosto. Ela não ia dar esse gosto para o seu ex namorado, que protestava para a policial de que fora agredido pela garota, mas a policial nem se importava. Lexi entregou o copo de água para Em, que queria fazer com que a gente parasse de tentar deixá-la mais calma. Ela já parecia bem calma.

- Beba um pouco, querida... - Insistiu Lexi.

- Gente, vamos para casa, ok? - Emily andou e tropeçou em alguém enquanto passava pela porta. Ali estava Zayn Malik, talvez o garoto achasse que precisava prestar contas por defender uma ruiva desconhecida que estava a beira da morte. Porém, haviam mais outros quatro com ele. Nossa. O One Direction em uma delegacia? E esperava mesmo que aquilo não pegasse mal para eles.

Mas naquele momento, eu nem pensava muito nisso. Tentava desesperadamente não pirar ao ver que Emily havia jogado o copo de água na camisa de Harry Styles.


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Última edição por Miss Hangover em Qua Out 17, 2012 9:47 pm, editado 1 vez(es)
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Rawr'

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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qua Jul 25, 2012 12:48 pm

OW GOD. please Emy, continue, i need more @o@' e me diga, quem é quem aí? -Q


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qua Jul 25, 2012 9:51 pm

Mim - Emily
Tu - Sammy
Thay - Tay
Jess - Angie
Nicholas - Lexi
Se a Thay deixar eu escrevo >.> -Q


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Rawr'

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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qua Ago 01, 2012 11:25 pm

ah sim KKK


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qui Set 13, 2012 9:02 pm

CAPÍTULO 3 - EMILY CAMPBELL
"Overdose de Sorvete"

Eu estava tão abalada emocionalmente que demorei muito para reagir a respeito do que eu havia feito.

Depois de ser traída, quase ter uma das minhas melhores amigas morta e envolver celebridades, vi que meu dia estava longe de ser perfeito. A maravilhosa e nublada Londres provavelmente só seria o palco de mais uma confusão que eu estava me metendo. Conhecia Tyler a anos, e mesmo sabendo que ele NÃO era o certo, que eu NÃO deveria ficar com ele, fui mesmo assim. Então lembrei que minha preocupação naquele momento era que o garoto do One Direction teria todas as razões para querer me dar um tapa por molhar sua camisa.

- Ah – Falei, baixinho. – Desculpe...

- Estamos de saída, sério. – Disse Angie, me empurrando. – Depois compramos uma blusa nova pra você. Não que você precise, certo?

O loiro da banda riu. Sabia seus nomes, só não sabiam de quem eram os nomes, ou seja, os confundia; apesar de isso não ser importante agora, já que eu nunca mais os veria na vida, ainda que fosse ficar devendo um grande favor a eles, ou pelo menos ao que salvara Tay. Alexia chamou um taxi, e nós nos esparramamos no banco de trás.

Quebrei meu silêncio:

- Tay, você está bem?

Ela corria os dedos pelo pescoço.

- Sim. E você?

Não respondi. Deixei Sammy passar o braço pelos meus ombros. Eu me sentia profundamente triste, e com certeza isso estava estampado na minha face.

Chegamos em casa e fomos surpreendidas pelo “Oi!” de nossa vizinha, Lyssa Meyes. As garotas a ignoraram, mas eu a dirigi um breve sorriso antes de entrar. Minhas amigas não gostam de Lyssa, talvez por ela ser fofoqueira, escandalosa e realmente irritante; mas sendo estranha como sou, não vejo em mim o direito de julgá-la nem nada do tipo.

Joguei-me na cama, sacudindo os pés para que os sapatos caíssem no chão.

- Não faça isso! – Berrou Lexi. – Eles são novos!

Suspirei bem alto. Apertava os lençóis da cama. Não ia chorar, até porque Tyler não merecia minhas lágrimas.

- Eu não quero ficar em casa, meninas. Vamos sair. – Eu disse um tempo depois, desfazendo com os dedos os pequenos nós que haviam se formado em meus cabelos. Aquilo era verdade. Naquele dia eu já acordara com o objetivo de curtir. Não ia ser por causa da montanha-russa emocional que eu ia abrir mão disso.

- Sei exatamente para onde devemos ir. – Sammy falou.

Se fosse possível ficar bêbada de frozen yorgut, era nisso que eu estava me tornando. A loja Frozen Holiday (que nome ridículo, aliás) era, provavelmente, o lugar que eu mais frequentava desde minha chegada à Inglaterra. Como estávamos no verão, fazia bem; ainda mais no meu caso: para esfriar a cabeça. Sammy e Taylor estavam tomando o de chocolate, Lexi o de frutas vermelhas, Angie o de amendoim e eu já estava no segundo do meu sabor favorito, cheesecake.

- O dia foi bem estranho. – Falei, olhando para a London Eye, que ficava perto da Frozen Holiday.

- Em todos os sentidos. – Riu Lexi. – Como se sente ao ter molhado Harry Styles?

Nós rimos. Por um segundo eu pensei “Ah, então esse é o nome dele”, e Alexia sabia tudo sobre celebridades. É uma viciada em revistas.

- Me senti... Sei lá! Não ia gostar que alguém molhasse minha roupa.

Abaixei os olhos para a taça de frozen yorgut. Ele era meio que uma terapia para mim

- Não fique pensando no... Você sabe. – Disse Sammy. – Não era pra você. Era um otário.

- E gay. – Completou Angie, sorrindo.

Tentei me conter, mas dei uma gargalhada. Tay deu de ombros, enquanto prendia os cabelos vermelhos com um elástico.

- Uhum, acho que ele estava com um homem. Não vi direito.

Mordi de leve o lábio inferior, pensando no quanto a minha vida tinha um lado maravilhoso. Ali, com elas.

- Por que eu amo tanto vocês?

Não deveria ter confiado nas meninas. Depois que terminamos de afogar as mágoas no yorgut, elas decidiram me dar um dia divertido. Sei como são as amigas. Sei que elas achavam que eu estava deprimida, mas eu já tivera rompimentos antes. Talvez porque dessa vez eu tinha sido trocada antes mesmo de saber, porém não via necessidade de elas me arrastarem para a London Eye e etc.

Primeiro fomos à imensa roda-gigante. Levou uma vida inteira para que ela desse uma volta. Rimos, conversamos, fotografamos... Tudo no ar. Foi bem divertido, mas quando saí minha visão estava turva. Parecia que eu tinha ingerido bebida alcoólica.

Em seguida, fomos a um parque de diversões que abrira recentemente. Não era nada grande, mas pagamos nossas entradas. Fomos à montanha russa, logo depois em um brinquedo que sacudia de um lado para o outro. Fiquei agressiva e com vontade de bater nas minhas amigas por terem feito com que eu passasse por aquilo, mas no fim das contas acabei rindo feito tola. Passamos em uma loja de conveniência e compramos sacos de Potatos, barras de chocolate e uma garrafa de vodka (santos dezoito anos) para uma festa do pijama.

Pra que tudo isso? Eu realmente não sei. Só sei que com minhas garotas eu poderia esquecer completamente dos problemas que haviam assolado a minha vida toda. Qualquer coisa familiar, ou emocional – ênfase no emocional – ou o que quer que fosse era fichinha para elas. Nossa relação era mágica. Podemos não ter laços de sangue, mas elas eram a minha família. Quando tocavam no assunto de eu voltar para Nova York, eu suspirava e pensava sozinha:

“Bem, acho que vou ficar por aqui mesmo”.


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Última edição por Miss Hangover em Qua Out 17, 2012 9:48 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Seg Out 01, 2012 7:30 pm

CAPÍTULO 4 - SAMANTHA CARTER
"Olhos Azuis Violeta"

Acordei cedo, como sempre. Eu nunca fora acostumada a dormir até tarde (bem, essa é a função da Angie), e depois de ter um sonho bom, tudo o que eu podia fazer era acordar com a leve claridade solar que entrava pela janela do quarto.

Cocei os olhos e me espreguicei, sentando na cama logo em seguida. Fiquei meio confusa ao ver minhas amigas sentadas na minha cama sorrindo, mas entendi quando vi que Em segurava algo que aparentava ser um cupcake gigante com cobertura na minha cor favorita, amarelo.

- Ah, é! - Exclamei. - Hoje é meu aniversário!

Demos um abraço em grupo. Fiquei pensando por muito tempo como seria ter dezoito anos, e hoje eu finalmente estava vivendo a experiência. As garotas poderiam parar de me chamar de “criança”, “bebê” e etc.

- Agora sim você pode beber legalmente, Sammy. - Disse Lexi, e eu enrubesci. Era verdade, eu estava meio que agindo contra a lei, mas agora estou autorizada para isso.

- Cala a boca! - Eu ri. Voltei meu olhar para aquele cupcake que Emily estava segurando e comecei a cobiçá-lo, afinal era para mim. Minha amiga riu e estendeu a guloseima para mim.

- Você não deveria comer doces logo após acordar, Samantha... - Em falou, mas não em um tom severo, mas sim o seu brincalhão de sempre.

- Dá um tempo, é meu aniversário. - Reclamei, mordendo o cupcake. As garotas riram, mas se esperavam que eu fosse oferecer, estavam erradas. Pelo canto do olho, fitei Emily e percebi o quanto ela tinha mudado depois do que acontecera. Já faziam quase três semanas que o seu ex-namorado idiota a traíra e quase matara a Tay, mas ela parecia nem se importar com isso, ou pelo menos, fingia bem. Claro, não é de uma hora para a outra que você vai superar um chute no traseiro, mas Emily já era a mesma palhaça de sempre. Vá saber o que se passava na cabeça dela. De qualquer forma, eu me preocupava.

- Então, Sammy... - Angie começou - O que quer fazer hoje? Café, almoço e janta no McDonald’s? Estourar o cartão do papai no shopping? Beber em alguma boate?

Antes que eu abrisse a boca pra responder (provavelmente eu iria responder “todas as alternativas”), Tay me interrompeu:

- Não, nem pense nisso agora! Esqueceram que hoje é nossa visita de orientação na faculdade?

Angie xingou. Eu realmente não me lembrava que seria hoje a visita, apesar de estar ansiosa por isso. Não via a hora de começar a cursar Fotografia, mas era muito azar ter que ficar presa em um ônibus por uma hora e meia para poder chegar em Oxford bem no dia do meu aniversário.

Imagine agora a confusa cena: Todas nós pulamos da cama e fomos arrumar nossas mochilas, escolher roupas, pegar cadernos e apostilas. Eu fiz tudo isso enquanto comia meu cupcake (aliás, Emily é uma ótima cozinheira). O relógio marcava quase sete horas da manhã,e a viagem seria às oito. Ainda tínhamos um pouco de tempo.

- Tay, pega as minhas guloseimas! - Gritei enquanto penteava os cabelos, pois eu odiava passar fome em viagens. A ruiva revirou os olhos e encheu minha mochila com embalagens de biscoito e salgadinho.

- Você vai virar uma bola se continuar comendo essas porcarias! - Taylor falou, com a cara emburrada. Claro que ela estava emburrada. Ela sempre é assim antes de tomar o café da manhã. Sorri para ela, angelical, porque ela vivia dizendo essas coisas para mim. Fazer o quê... Posso acabar virando uma bola mesmo.


Minutos depois, estávamos todas na estação de ônibus esperando para sair rumo à Oxford. Eu adorava o verão de Londres, pois a cidade ficava ensolarada, mas ainda assim, não era tão quente. O lugar mais quente que eu já estivera foi, com certeza, a casa da Em no Havaí, quando todas nós passamos as férias lá. Acho que eu já estou acostumada ao frio.

No ônibus, eu comia, Lexi e Tay liam (bom, veja bem, Lexi lia uma revista de fofocas e Tay lia algum livro da Jane Austen), Emily ouvia músicas no fone de ouvido e Angie observava a paisagem lá fora. Deduzi que metade dos passageiros no ônibus estava indo para a orientação, porque pareciam ter a nossa idade. Do outro lado do meu assento, havia um garoto alto, com cabelos lisos pretos e olhos azuis violeta. Acho que ele estava olhando para mim há tempos, pois quando nossos olhares se encontraram, eu corei, sem graça.

- Nossa, que... Legal. - Comentei, olhando pela janela enquanto nos aproximávamos da escola. - Me lembra do Newbridge. É como se nós estivéssemos voltando pra escola.

Angie bufou, dando uma mordida em um tubinho vermelho, coisa na qual ela é mais que viciada.

- O que tem de legal em voltar pra escola?

Alexia, que estava na fileira de trás, sussurrou:

- Bem, agora nós estamos em uma faculdade, onde também podem entrar meninos...

Nós começamos a rir. Bem... Se olhar por esse lado, é realmente bom estar de volta à escola.

Finalmente saímos do ônibus e eu estiquei as pernas, que estavam quase dormentes. Estávamos todas impressionadas com a quantidade de pessoas, mas era exatamente isso que tínhamos que esperar de uma faculdade. Juntas, entramos no edifício.

- Por onde começamos? - Sussurrou Emily para mim. Balancei a cabeça negativamente. O mar de gente ao nosso redor confundia a minha cabeça.

- Olhe, vamos até a recepção para tirar nossas dúvidas. - Taylor disse, e nós a seguimos. Como ela era a mais inteligente (e ninguém tinha uma ideia melhor de como, bem, se orientar no dia da orientação), nós a seguimos. Uma amigável senhora se aproximou de nós. Ela usava o uniforme cinza e azul dos trabalhadores da faculdade e segurava uma bandeja com xícaras e um bule.

- Aceitam chá, meninas?

- Qual o sabor? - Angie quis saber. Apesar de ela adorar coca-cola e vodka, era britânica, portanto adorava chá. Emily, mesmo sendo americana, nem esperou a resposta da simpática senhora. Já estava quase o bebendo quando a mulher disse:

- Canela.

Arregalei os olhos e bruscamente tirei a xícara das mãos de Em. Ela mesmo pareceu meio assustada, mas depois fez um biquinho.

- O quê? Você é alérgica! - Eu quase gritei com ela.

- E-Eu gosto do cheiro...

- Sim, o cheiro que te faz tossir feito uma louca depois de um tempo. Vamos. - Nós seguimos para a recepção, e Angie fez questão de tomar o cházinho, fazendo com que Emily ficasse chateada.

Conseguimos pegar nossos horários. Era triste que nenhuma de nós fizesse o mesmo curso - Taylor faria jornalismo, Angelinne faria direito (mal posso esperar pra ver isso, no primeiro dia de aula ela já vai ter preguiça), Alexia cursaria design e Emily medicina. Apesar desse pequeno obstáculo, nossa amizade não iria se acabar.

Nos separamos para um tour pelas salas de nosso curso. Me senti feliz por já poder socializar com os futuros colegas. Faltavam três meses para o início das aulas, mas até lá eu poderia conversar com o pessoal por telefone, ou pelo Twitter.

Alguém esbarrou em mim, e eu quis protestar, mas tive o bom senso de olhar para a pessoa. O reconheci do ônibus e ri feito uma retardada.

- Ah, desculpa. - Disse, mesmo que a culpa não fosse minha. Abracei minhas apostilas e meus cadernos, tímida.

- Não, eu é quem peço perdão, senhorita. - Falou o garoto. Tirei uma mecha de cabelo do rosto, colocando atrás da orelha. Eu não queria ver a minha cara, porque provavelmente estava babando. - Sou Jason Dashwood.

Por um momento, esqueci meu nome (nossa, que clichê).

- Samantha Carter. - Apertamos nossas mãos.

- Então, Samantha... - Jason disse, com um tom doce. - Fico feliz que já tenha conhecido pelo menos uma colega.

Pisquei, encantada.

- Eu também. Não vou me sentir tão perdida. - Ri, ainda desconfortável por conta da minha timidez.

Jason não falou mais nada, e ficamos num clima tenso, desconfortável. A guia do nosso curso começou a falar sobre as matérias e o quanto seria um tempo ótimo de aprendizado, etc. Tentei me concentrar nela, até que meu mais novo colega voltou a falar:

- De onde você é?

- Liverpool. - Falei. - Mas posso dizer que maior parte da minha vida eu vivi aqui em Oxford.

- Cidade de John Lennon.

Sorri, pois eu gostava de The Beatles.

- Exatamente. E você?

- Londres.

- Moro em Londres. - Sussurrei, pois a guia estava dizendo coisas importantes que até eu queria saber, e não queria levar uma bronca por interromper sua maravilhosa explicação. Quando a moça finalmente terminou de falar e fomos liberados, Jason se abaixou e pegou um pedaço de papel no chão.

- Isso deve ser seu. Até mais, Samantha.

Antes que eu pudesse dizer que aquele papel não era meu, vi o que estava escrito. Um número de telefone, com a assinatura de Jason Dashwood. Não pude deixar de sorrir.

Ainda meio risonha demais, encontrei as meninas no grande refeitório da universidade. Todas elas haviam feito visitas às suas salas e seus quartos. Sentamos em uma mesa com cinco cadeiras, e Lexi tirou o laptop de sua malinha cor de rosa. A garota não conseguia ficar horas sem pelo menos twittar alguma coisa. Comprei um milk shake de chocolate para enganar o estômago, pelo menos enquanto ainda não saíamos de Oxford, voltando para Londres. Tay me olhou estranho, talvez ela acreditasse mesmo que se eu continuasse comendo tanto eu engordaria. Angie tomou o copo de minhas mãos.

- Me dá um pouco.

Só que o “pouco” dela foi quase a metade do meu sorvete. Lexi digitava sem parar, os olhos verdes fixos na tela brilhante de seu computador. Até que algo realmente a chocou: Ela deixou escapar um grito, e nós nos apertamos para poder ver o que a assustara.

- Ah, não pode ser... - Gemeu Emily.

- Pode sim! - Uma extasiada Alexia celebrou.

O que eu via na tela eram as palavras “Garotos do One Direction na delegacia com supostas modelos.”. Eu ri. Modelos? Com certeza as pessoas que escreveram aquela matéria não tinham bom senso. Aquilo era absurdo, eles tinham várias hipóteses do que poderíamos estar fazendo na delegacia, mas nenhuma era certa. Havia também uma foto nossa, e eu fiquei realmente assustada em ver meu rosto em um site de fofocas famoso.

- Que droga. Meu rompimento acabou parando na internet. - Em disse, e só eu ri. Bem, foi engraçado! Lexi olhou para ela, muito séria.

- Você está linda na foto, sua boba! Olha a minha cara, tipo “Ai que inferno, estou com raiva”. Estou ridícula!

- Parem com isso! - Ordenou Tay.

- Se minha mãe vê isso, que diabos ela vai falar? - Disse Angie.

Então ficamos em silêncio. Lexi suspirou e voltou a twittar, mas antes ela fez questão de comentar:

- Agora tenho sete mil seguidores. Nas minhas menções todos perguntam se sou modelo, ou o que estava fazendo naquele dia com a banda. Me sinto famosa.

As meninas não falaram nada. O único barulho da nossa mesa eram os das teclas do laptop e o som que eu fazia ao sugar o milk-shake. Fiquei olhando em volta, e, admito, queria ver Jason. Ele parecia ser tão legal! Por que ele havia me dado o seu número e saído sem dizer mais nada? Talvez fosse tão tímido quanto eu. Pensei em contar para as meninas, mas logo em seguida pensei na reação delas. Como eu descreveria Jason? Um amigo? Ou um conhecido? Na dúvida, mantive a boca fechada.

- Deu nossa hora. - Angie falou, olhando no relógio de seu celular. - Vamos voltar.

No ônibus, peguei o laptop de Lexi e fiquei frustrada quando vi que não tinha internet. Eu comecei a brincar com os joguinhos, mas isso me entediou em pouco tempo. Comecei a desenhar, mas era bastante difícil sem um mouse e com o ônibus em movimento. Queria pensar em alguma coisa para fazer essa noite, comemorando meus dezoito anos. Pedi sugestões das meninas. Angie disse “Comer, claro!”, Em sugeriu cinema e Tay falou algo sobre boliche. No fim, Angie concordou com as três alternativas, pois em todos poderíamos comer. Lexi quis fazer compras, e eu a xinguei.

Era uma pena que nós ainda não tivéssemos carro. Andamos até chegar em casa, e eu tinha um pressentimento estranho. Se estávamos naquele site famoso, poderíamos, hãn, estar em capas de revistas também? Acho que não. Lexi avisaria. Ela entende muito bem disso. Taylor pegou o chaveiro para abrir a porta. Eu ainda estava distraída, olhando cada detalhe da rua ao nosso redor, e vi uma coisa realmente fofa.

- Aaaaaaaah! - Fui correndo até o filhote de bulldog que estava na esquina. Ele não tinha coleira, e era uma gracinha. O peguei no colo, delicadamente. Sei que não podemos sair pegando animais da rua assim, mas só de vê-lo criei um afeto especial pelo bichinho. As meninas me seguiram, e faziam força para não rir. Repeti: - Ah, que gracinha!

Emily arqueou as sobrancelhas pra mim:

- Sério, Sammy?

O cachorrinho se remexia em meu colo, como se procurasse uma posição mais confortável. Passei as pontas dos dedos em sua pequena cabeça.

- Sério, sim! Olhe como ele é lindo!

- E agora ela vai dizer que quer ficar com ele. - Falou Lexi.

- Exatamente. - Fiz um biquinho. - É meu aniversário e eu tenho o direito de escolher o presente que estiver ao meu gosto.

Angie bagunçou os seus longos cabelos pretos, acho que estava pensando.

- Eu compro um colar de diamantes pra você, mas um cachorro?

Abracei o pequenino mais forte.

- Não posso amar e dar carinho para um colar de diamantes!

Lexi bufou:

- Mas é claro que pode!

Depois de muito insistir, eu resolvi que não aceitaria um não como resposta. Tudo bem que éramos cinco em um apartamento, mas um animalzinho não iria fazer mal. Fiquei insistindo, falando alto, fazendo biquinho, até que minhas amigas aceitaram.

- Bom, precisamos decidir um nome. - Tay disse.

Olhei para os olhos castanhos do fofinho que ainda segurava no colo.

- Cuddles. - Decidi. - Isso soa bem!

- Gostei. - Em sorriu, fazendo um carinho no nosso novo bichinho. Imaginei as obrigações (que com certeza seriam encubidas a mim, porque eu havia insistido em levar o cachorro pra casa) que Cuddles traria: agora ele precisaria de comida, banho e todo o cuidado, assim como nós.

- Ainda não acho uma boa ideia. - Angie se levantou e foi até o armário, onde ela tirou aqueles doces em formas de tubos vermelhos. Mostrei a língua para ela e continuei acariciando Cuddles.

- Quero ir ao cinema. - Falei, aproveitendo a ocasião. Meu aniversário, eu decido para onde ir. Pensei em um pub também, mas seria estranho Tay sóbria ter que aguentar nós quatro bêbadas. Deixei Cuddles no quarto enquanto tomei banho e coloquei jeans, blusa preta e um casaquinho de couro. Peguei minha bolsa, colocando nela a carteira e o celular. Na minha escrivaninha estava o bilhete com o número de Jason. Fiquei meio apreensiva, mas mandei uma mensagem para ele:

“Que forma sutil de conquistar uma garota.”

Não demorou muito para que ele respondesse:

“Se tiver funcionado, já me basta.”

Fiquei rindo para a tela do celular, e vi que minhas amigas me observavam. Pigarreei, fingindo que nada tinha acontecido.

- Então, vamos?


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Última edição por Miss Hangover em Qui Out 18, 2012 9:51 pm, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Seg Out 08, 2012 8:59 pm

CAPÍTULO 5 - TAYLOR WESKER
"Cala a boca, Ashley!"


Duas horas da manhã. Foi esse o horário em que perdi completamente o sono. O vento estava um pouco forte essa madrugada, e eu havia esquecido a janela aberta. Droga.

Tateei o chão, onde eu havia deixado a lanterna. Liguei-a e fui andando com cuidado para não fazer barulho e acordar as garotas. Fechei a janela e tive o pressentimento de que algo estava errado. Usei a lanterna para iluminar as meninas e... Espere.

Eu estava certa de que Sammy tinha dormido em casa. A sua cama estava vazia. O cachorro que ela tinha trazido para casa não estava ali. A porta estava aberta.

- DROGA! - Berrei. Já faziam meses desde a última crise dela. As meninas acordaram assustadas, e eu foquei a cama de Sammy. Elas também xingaram.

Deixe-me explicar: Samantha é sonâmbula. Ela saía andando pelo Newbridge às vezes, mas essa era a primeira vez desde que havíamos nos mudado para o apartamento. É muito assustador vê-la abrindo portas, janelas e agindo de forma completamente normal, só que dormindo.

- Vamos atrás dela! - Eu disse para as outras que estavam de porre. Lexi calçou suas pantufas rosas (começo a desconfiar que daqui a algum tempo todas as peças de roupa dessa garota serão cor de rosa) e Emily sentou na sua cama, de olhos fechados, reclamando. Lexi riu por ela ter dormido só de lingerie.

- Eu estava com calor! - Em murmurou, pegando algumas roupas.
Puxei Angie pelo braço, porque entre todas nós, ela era a pior para acordar. Um minuto depois nós saímos pela rua, de pijama, gritando por Samantha.

Achar uma sonâmbula em Londres. Tarefa fácil, não é mesmo?
Depois de andar duas quadras morrendo de medo de tê-la perdido, achamos Sammy no ponto de táxi, com Cuddles latindo e balançando o rabo em volta dela. Isso não a tinha acordado.

- Deixem que eu mato ela por ter me arrancado bruscamente da cama. - Choramingou Angie. Nós nos aproximamos da sonâmbula.

- Sammy, o que está fazendo? - Lexi quis saber. E, macabramente, a maluca respondeu, dormindo:

- Vou me encontrar com Jason.

Nós quatro nos entreolhamos. Quem diabos era Jason? Lexi deu um beliscão no pescoço da Sammy, fazendo com que ela gritasse “AI!” e, bem, acordasse.

- O que estamos fazendo aqui? - Ela parecia tão atordoada quanto nós. Ou estava fingindo.

- Adivinha, sonâmbula... - Eu falei. - Quem é Jason?

A luz estava fraca na rua, afinal era madrugada, mas pude ver que ela estava corando.

- Eu falei dele dormindo? - Nós fizemos que sim com a cabeça. Sammy colocou as mãos no rosto, dizendo coisas como “Ai meu Deus, que vergonha”. Nós ficamos em silêncio. Sammy não havia contado sobre nenhum Jason, o que eu achei bastante estranho da parte dela. Se ela estivesse gostando de um cara, provavelmente contaria. E sei que ela não faz do tipo de garota que vai dormindo pegar um táxi para ver um amigo ou parente.

Então realizei: estávamos de pijama, no meio da rua. Esperava que não houvessem paparazzi por perto, ou iríamos acabar parando em um site novamente.

- Já podemos voltar agora? - Angelinne estava emburrada. - Quero dormir!


E lá estava eu, sentada no sofá, com uma xícara de café na mão, com leite semi-desnatado, como sempre. Estava assistindo A Vida Secreta das Abelhas com Sammy enquanto Angie tomava seu café da manhã e Em pintava as unhas de preto. Lexi chegou, segurando um envelope grande e com a cor salmão.

- Temos uma festa para ir. - Anunciou ela.

- É mesmo? - Eu quis saber. - De quem?

- Ashley.

Nos entreolhamos. Não que eu não gostasse de Ashley, só que... Bem, ela conseguia ser o tipo de pessoa que faz você se envergonhar de estar no mesmo ambiente que ela. Bastante diferente da sua irmã, a nossa Lexi, que mesmo tendo crises de patricinha, ainda é uma garota ótima.

- Minha loira... - Angie segurava um pão pela metade. - Eu até gosto da sua irmã como pessoa, só que...

Lexi a fulminou com o olhar.

- Ah, não, nem comece. Por favor, gente! Eu não vou ir sozinha, e nós CINCO fomos convidadas. Papai disse que vai mandar uma limusine vir nos buscar hoje à noite. Vai ser no Golden Islands, vamos ter uma suíte só pra nós, amanhã já podemos voltar pra casa, teremos comida de graça! E...

Ouvir “comida de graça” já fez com que Angie mudasse de opinião:

- Precisamos comprar um presente para a Ash.

Alexia pulou de felicidade (ela não queria ir nesse festa tanto quanto nós, mas o problema era que ela era da família) ao saber que pelo menos uma já tinha concordado. Ela dirigiu os grandes olhos verdes e pidões para mim, Em e Sammy. Eu sabia que ela não desistiria tão cedo, e as meninas pensavam assim também. Demos de ombros, assentindo.

- Aaah! Eu amo vocês - Lexi gritou.


Tivemos que ir no shopping comprar o presente da aniversariante. Fiquei em dúvida no que escolher, pois os Windsors eram muito ricos - a prova disso era o local onde seria o aniversário de Ashley: o hotel Golden Islands iria ser inaugurado hoje e os seus pais já haviam feito reserva - e com certeza davam tudo para as duas filhas. Ashley estava inteirando 22 anos. O que uma pessoa rica que já tem tudo de 22 anos poderia querer?

Na dúvida, demos um sapato e uma bolsa. Lexi teve que se certificar de que sua irmã ainda não havia comprado os modelos que tínhamos decidido levar. Esperava que Ash fosse gostar, e caso ocorresse o contrário... Pelo menos nós havíamos tido a
consideração de presenteá-la.

A complicação foi a hora de escolher os trajes que iríamos usar. Peguei um vestido azul que eu gostava bastante, sua cor era bonita e eu me sentia bem nele. Achei engraçado como nenhuma de nós usou vestido de cores repetidas: Emily estava com um sem mangas, roxo; Sammy optara por um branco, cheio de babados e renda; Lexi usava um preto, meio sexy, mas é claro que ela precisava de algo rosa: os sapatos. Angie fez birra para não usar vestido, mas aceitou e colocou um cinza que ficou ótimo nela.

- Ah, claro, modelos... - Em lembrou das palavras escritas naquele site de ontem ao se ver no espelho. - Angie, pode arrumar o meu cabelo?

Angelinne, a especialista em arrumar cabelo, começou a mexer os dedos cuidadosamente pelo cabelo castanho da Em, fazendo um coque, com alguns fios soltos. Ficou lindo. Decidi que deixaria o meu solto, ficava legal ver o meu cabelo vermelho caindo pelo vestido azul-céu.

Alguém tocou a campainha, e eu achei o momento muito impróprio, considerando que estávamos de saída, apenas esperando a limusine do sr. Windsor chegar.

Encarei as meninas por alguns segundos, e chegamos a silenciosa decisão de que eu deveria atender nosso inconveniente visitante. Abri a porta, impaciente:

- O que f... - Perdi a voz quando o vi.

Do outro lado da porta, Lucas me encarava com um sorriso brincalhão. Realmente, meu primo deveria ganhar algum tipo de troféu por inconveniencia. Ele me encarou de cima a baixo, avaliando meus trajes.

- Atrapalho, priminha?

- Sempre. - Grunhi. Lucas Wesker é o tipo de pessoa que você odeia só por ter nascido. Ele bateu palmas, como se eu fosse uma comediante em um show de stand-up.

- Ah, bom ver você também, órfã. - Falou ele, despreocupado.

Fiquei com vontade de matá-lo, mas com certeza não seria eu quem bancaria a idiota ali.

- O que faz aqui, Lucas? Seus pais finalmente se cansaram de você? - Rolei os olhos. Meu primo se encostou na porta e tive a súbita vontade de fechá-la, quebrando seus dedos. Mas não o fiz. Eu era uma pessoa civilizada, tinha que lembrar disso.

- Estava com saudade da sua voz irritante. E que roupa é essa? Está fingindo que vai a alguma festa, mas na verdade vai a um bar celebrar com seu namorado inexistente?

Fechei os olhos e suspirei. “Pessoa civilizada”.

- Bom, você deve entender bem a situação, com suas namoradas imaginárias. Mas não, realmente tenho uma festa para ir, isso porque devo ser uma pessoa agravável. Sério, não volte outra hora... Não volte nunca mais. Diferente de você, eu tenho o que fazer. - E agora sim, bati a porta, com força. Lucas não insistiu, pois ouvi suas piadas sem graça enquanto se afastava. Uma buzina soou e eu soube que era a hora de irmos. Desci apressadamente, para que tivesse a oportunidade de esfregar na cara do meu primo insuportável que, sim, eu estava entrando em uma limusine.

A cara que ele fez ao me ver não teve preço.


Foi, com certeza, uma experiência de que me lembraria para o resto da vida. Uma nerd órfã de Cambridge andando de limusine não é uma coisa que se vê todo dia. O hotel era incrível e realmente fazia juz ao nome que tinha. Uma coisa que me chamou a atenção eram as suas grandes e elegantes janelas, as portas de vidro se abriam automaticamente e as pessoas que entravam deveriam ser milionários.

- Eu quero ir embora. - Implorou Em.

- Não, cale a boca. - Disse Lexi, retocando seu batom vermelho provocante. Ela se esticou e falou para o chofer: - Stefan, nos leve até o restaurante.

O chofer riu.

- Qual deles?

Revirei os olhos. Hoteis normais costumam ter apenas um restaurante, mas decidi deixar esse pensamento só para mim. Lexi leu na tela de seu Blackberry o nome do restaurante onde seria comemorando o aniversário da sua irmã. Ficava perto do campo de golfe do hotel, tinha uma linda vista e eu tinha certeza de que todo o dinheiro que eu tinha não poderia pagar um copo de suco dalí.

- Nossa, a comida daqui deve ser dos deuses. - Angie parecia animada. Emily a fuzilou com o olhar:

- Você só pensa em encher a barriga? E se os pais da Lexi odiarem a gente? - Em dirigiu um sorriso amável à Lexi. - Sem ofensas.

- Não ofendeu. Abra a porta para nós, Stefan. - Lexi ordenou. Isso fez Sammy se encolher, ela comentou:

- Por que? Não sabe abrir a porta sozinha?

Lexi não precisou responder. O chofer abriu a porta e eu fui a primeira a sair. Quando todas já estávamos a passos da porta, ficamos paradas, todas esperando que a loira espalhafatosa fizesse algo. Ela tinha a expressão que dizia “Olhe e aprenda”, e se foi, seus sapatos fazendo barulho.

As portas se abriram automaticamente. O salão não estava muito lotado, mas algo começou a me incomodar. O clima frio fez com que minha lente de contato do lado direito ficasse seca, e eu não tinha o meu colírio comigo.

Droga! Minha visão já estava embaçada. Comecei a piscar, tentando fazer com que ela ficasse úmida de novo. Recebi uma cotovelada da Emily.

- O que você está fazendo, sua maluca? Flertando descaradamente com o Zayn?

Como é que é?


- Hã? Do que voc... - Então fiquei sem voz. Percebi que as duas últimas mesas estavam ocupadas. Uma era pela família Windsor, Ashley estava linda com um vestido longo e vermelho. A outra era o One Direction.

Ótimo. Simplesmente perfeito, se é que posso ser mais irônica.

- Irmãzinha! - Gritou Ashley. Tentei ser discreta ao levar a mão ao rosto. As poucas pessoas presentes, inclusive a boyband, olharam para Ashley. Ela veio até nós e nos abraçou, uma por uma, com o que eu julguei ser uma “falsa simpatia”.

- Olá, Ashley. - Sorri. - Feliz aniversário.

- Obrigada, não é todo dia que se faz 22 anos. - Ashley deu uma gargalhada tão assustadora que Angie deu um passo para trás, os olhos azuis arregalados. Assim que recuperou a razão, ela disse: - Bom, depois vocês me entregam o presente, vamos comer.

Nos sentamos na mesa, que tinham exatos oito lugares. O sr. e a sra. Windsor foram muito simpáticos conosco. Chamaram o garçom e eu nem sei o que pedi, só sei que li um nome legal no cardápio e achei que seria uma coisa com gosto bom.

Eu me sentia um pouco estranha, admito. Aqueles garotos atrás de nós provavelmente foram interrogados por várias pessoas querendo saber o que estavam fazendo naquele dia, na delegacia. Parte de mim dizia que eu devia um pedido de desculpas ao Malik. Talvez eu fizesse isso mais tarde.

Começamos a comer. Ashley contava histórias maravilhosas de sua última viagem ao Caribe, e eu não estava nem um pouco interessada. Um garçom nos ofereceu vinho e Em aceitou. Sussurrei para ela:

- Não vá ficar bêbada.

- Eu consigo me controlar. - Ela falou, alegremente, dando um pequeno gole em sua bebida. Estava tudo bem, até que Ashley voltou a nos fazer querer morrer de vergonha. Ela encarou Emily com os olhos verdes arregalados e falou tão baixo quanto uma bozina de caminhão:

- Harry Styles está olhando para você!

Emily pareceu muito interessada em olhar para a mesa. Ouvi uma risada alta atrás de mim, provavelmente um dos garotos da banda. A sra. Windsor segurava sua taça de champanhe e percebi que ela já estava um pouco fora do normal:

- Ashley, querida... Menos.

- Sim, mamãe. - Ash fez uma careta. Notei que, durante o jantar todo, apenas a família falava. Nós estávamos em silêncio, aproveitando aquele banquete. O celular de Em tocou. Não consegui ver quem era no identificador, mas Sammy sim. Ela fez uma cara estranha e olhou para o outro lado. Em se levantou:

- Já volto. Com licença.

Aproximei-me de Sammy e perguntei baixinho quem era.

- No identificador de chamadas estava escrito “Pai”. - Falou ela, apreensiva.

Decidi ficar quieta. Terminei de comer o meu pudim e olhei para as garotas. Angie parecia deprimida por não ter mais nada para colocar no estômago. Fitei Lexi, esperando que ela dissesse alguma coisa, mas, na verdade, ela estava mais preocupada com sua mãe bêbada.

- Acho que podemos ir para o nosso quarto. - Riu ela, sem graça.

- Claro, claro... - Concordei. Quando nos levantamos, foi impossível não olhar para Zayn. Ele salvara a minha vida dias atrás, e reuni coragem para mostrar para ele que eu não era uma ingrata. Andei até ele e consegui fazer sair de minha garganta uma coisa emocionante: - Oi.

Zayn me olhou atentamente. Talvez ele não tivesse me reconhecido. Ou talvez não acreditasse que por acaso estávamos novamente juntos no mesmo lugar, de tantas pessoas em Londres.

- Oi. - Ele deu um sorriso torto. Eu era tímida desde sempre, portanto, não era fácil falar as palavras. Comecei a gesticular, tentando pensar.

- Bem, eu, quero dizer, eu... Obrigada por aquele dia. E tudo o mais. Não tive tempo para dizer, ou melhor, reagir, porque provavelmente a minha amiga precisava de mais ajuda do que eu, então... - Minha voz foi ficando mais baixa à medida que eu notava que ele estava rindo. Como assim, rindo? Era de mim? Meu orgulho estava ferido. - Enfim, obrigada.

Me virei e comecei a andar em direção à porta, mas ele me chamou.

- Espere! - Voltei a olhar para ele, dessa vez séria. - Você provavelmente me entendeu mal. Sobre aquele dia, não foi nada. E me sinto feliz em ver que você está bem.

- Graças a você. - Falei tão baixo que duvido que ele tenha escutado.

- Zayn Malik. E você é...?

- Taylor Wesker.


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qua Out 17, 2012 10:10 pm

CAPÍTULO 6 - EMILY CAMPBELL
"Mensagens de um Desconhecido"


Desde sempre tenho o estranho costume de andar quando minha cabeça está cheia de dúvidas ou problemas. Ter dúvidas e problemas de uma só vez era o grande cúmulo do azar, mas como eu não sou sortuda, isso meio que não importa.

O jantar estava maravilhoso, tirando o fato de eu estar realmente constrangida com o comentário de Ashley Windsor. Alguém deveria dizer para ela que ser indiscreta não é legal, só que algo me diz que a sociedade não a olha pelo seus modos, e sim pelo seu dinheiro. E falando em “seu dinheiro”, eu estava andando na direção do campo de golfe do Golden Islands, segurando meu celular, pensando se deveria atender ou não ao meu pai.

O meu celular, um iPhone 4, havia sido presente dele. Realmente, eu não sei o que se passa na cabeça do meu pai - e não digo isso por conta de nossa complicada relação. Ele acha que anos de ausência, traição e hipocresia poderiam ser deixados de lado caso eu ganhasse um celular novo. Eu tinha uma notícia ruim para ele: Não funcionou.

Suspirei fundo, deslizando o dedo pela tela, atendendo sua ligação.

- Alô? Emily? - Sua voz não mudara nada. Nas poucas vezes que eu falei com ele depois do divórcio, eu ficava um pouco nervosa, como se não quisesse ouvir. Como se tudo o que ele fosse dizer se resumisse em uma palavra, mentiras.

- A própria.

- Filha. - Papai parecia ter firmeza na voz, e não afeto. O que havia acontecido? Será que a mulher dele teve de lembrá-lo que ele tinha uma filha de 18 anos na Inglaterra? Duvidava muito disso. Ela me odeia. - Está ocupada?

Mordi o lábio inferior antes de continuar:

- Na verdade, sim. Estava em um jantar importante, mas pode falar, não tem problema. - Fiquei andando de um lado para o outro.

Ouvi um suspiro do outro lado da linha.

- Sinto sua falta, minha querida. Você também é minha filha e merece minha atenção.

Eu ri. Na verdade, eu teria dado uma gargalhada, porém não queria ser insensível. Eu sabia atuar bem, e disfarcei. Depois de meses sem falar comigo, sentia a minha falta. Certo.Esse jogo eu também sabia brincar:

- Ah, papai, também sinto sua falta. - Ele teria que ser muito idiota para não perceber a ironia em minha voz. - Como estão Megan e Grace? - Falar o nome de minhas meia-irmãs me incomodava. Eu não me preocupava com elas, logo meu pai descobriria que minha simpatia era puro sarcasmo.

- Estão bem... Gostariam de tê-la aqui novamente.

“Nossa, como você mente mal”, pensei. Megan era a mais velha, filha apenas da minha madrasta. Tem 14 anos e se acha a mulher independente, e me inveja por eu já ser maior de idade. Grace é filha do meu pai, tem 2 anos e é muito fofa, mas como sua mãe me detesta, prefiro ficar longe. Meu pai mora em Nova Jersey, eu não faço questão de visitá-lo, talvez por isso ele tenha tocado no assunto de me ter novamente por perto.

Minha cabeça doía, como todas as vezes que falava com papai. Minha mãe disse que preciso parar com isso, que ela já superou e eu posso fazer o mesmo. Mas eu não consigo. Sei de coisas que eles nem imaginam que eu tenha conhecimento. Sei que não sou querida, e quando isso vem de alguém que é (ou era) da minha família, machuca bastante.

- Tudo bem. Vejo isso depois. Acho que estou bêbada. - Eu disse, sem me preocupar com algum sermão vindo em seguida. - Até mais, pai. Boa noite.

- Certo. Boa noite. - Papai desligou. Olhei para a tela do meu celular, sem acreditar. Nossa conversa havia sido tão curta e ainda assim eu me sentia revoltada! Meu papel de parede era uma foto com as garotas, isso me fez lembrar que teria que voltar para elas.

E, sem olhar por onde estava andando, esbarrei em alguém.

Dessa vez eu não tinha um copo de água, e Harry Styles me segurou. Corei de vergonha. Provavelmente isso já estava virando costume.

- Me desculpe. - Falei, sem graça. - Você deve achar que eu sou literalmente uma pedra no seu caminho.

Harry sorriu.

- Não tem problema. Foi um acidente.

- Não! - Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. - Eu joguei um copo de água em você da outra vez, e nem sequer dei satisfações!

Ele deveria me achar patética. Até eu me achava patética.

- Foi só água, pior se fosse outra coisa. - Ele riu. - Mas não queria satisfações, e sim saber seu nome. Harry Styles. - Ele estendeu a mão.

- Emily Campbell. - Fiz o mesmo, apertando a dele. Não consegui decidir se ela era quente ou gelada, mas era uma temperatura boa. Então me lembrei que tinha de soltá-la, segurei meu celular com as duas mãos. - Bem...

- Estranho isso, estamos no mesmo lugar novamente. - Harry falou, descontraído. Eu demorei um pouco para raciocinar o que aquilo significava: Ele achava que era bom ou ruim? Ruim, provavelmente.

- Sim. Mas eu só fui convidada para um jantar. Imagino o que o One Direction está fazendo aqui. - Não sei se aquilo era um assunto para conversarmos, mas já que estava funcionando...

- Um concerto amanhã. Uma rádio vai estar aqui, querem que a gente cante algumas músicas.

- Parece legal. - Dei de ombros. Lexi havia dito que amanhã voltaríamos para casa, e eu me perguntei que horas seriam. Negar que eu não gostaria de ouvir as músicas deles era mentira.

Ficamos em silêncio e, mesmo sem dizer nada, começamos a andar, nos afastando do restaurante. A noite estava linda. Eu podia distinguir cada constelação, mas nenhuma delas chegava aos pés do brilho e grandeza da bela lua cheia.

- Você pode me responder uma coisa? - Perguntou Harry. Fiquei um pouco surpresa, e imaginei o que seria.

- Contanto que eu tenha a resposta, sim.

- O que aconteceu naquele dia? Na delegacia.

Assunto extremamente desconfortável detectado. Ele merecia uma explicação, então decidi deixar de lado o egoísmo. Era uma coisa normal. Pessoas terminam todos os dias. Nem sei mais se amor existe.

- Digamos que o meu ex-namorado idiota tentou matar a Tay... A minha amiga ruiva. Ainda bem que Zayn apareceu, senão... - Fiquei arrepiada. - Não gosto de pensar nisso.

Olhei para ele. Será que isso estava acontecendo mesmo? Eu estava conversando com um cantor famoso? Harry evitou meus olhos.

- Eu não sabia. Foi estranho. Zayn saiu sem explicar o porquê, e eu só vi o carro da polícia. Até hoje ele não nos explicou nada. E... Sinto muito.

Sorri, mas foi um sorriso sem graça.

- Pelo quê? Pessoas terminam todos os dias. E mesmo que ele não tentasse matar a Tay, eu terminaria com ele. Ele estava me traindo, Tay viu e ele se revoltou. - Olhei para o chão. - Nada demais. E eu não quis ser sarcástica.

- Não precisa me contar.

- Você que perguntou, lembra?

Ele sorriu e, de alguma forma estranha, fiz o mesmo. Andamos mais um pouco em silêncio. Era esquisito, mas eu não estava incomodada.

- Você é diferente. - Harry chamou minha atenção. - Não tem o sotaque daqui.

Dei de ombros, infeliz. Oito anos morando na Inglaterra e eu não tinha mesmo o lindo sotaque britânico. Morava com outras quatro britânicas e, mesmo assim, não falava como elas. Prova de que eu sou uma cabeça-dura.

- É porque eu não sou daqui. Sou de Nova York, mas já moro aqui a um tempo com minhas amigas. Na verdade, morei em Oxford, estudava em um internato lá. Pouco tempo em Londres.

- Já estive em Nova York. - Comentou ele. Falar de minha cidade me deixava um pouco... Não sei, com saudade? - É legal. Por que quis morar aqui?

Enquanto isso, eu me perguntava “Por que eu estou contando minha vida para um garoto que acabei de conhecer?”, mas essa era uma boa forma de fazer novos amigos.

- Divórcio dos meus pais. Se eu continuasse lá, a minha vida e a vida da minha mãe iriam ser destruídas. Ela é guia turística, ou seja, não quer ficar sempre no mesmo lugar. Eu não sou assim, e não gosto de ficar sozinha. Portanto...

- Entendi. - Harry me interrompeu. Ele deveria se sentir sem graça com a minha facilidade de falar sobre mim mesma. Não era uma coisa da qual eu me orgulhava. Minha vida sempre foi um livro aberto. No meu celular, chequei o horário. Estava tarde e provavelmente as garotas não tinham me esperado.

- Bem, acho que tenho que ir agora. - Eu falei. - Prazer em conhecê-lo. E desculpe novamente.

Só então percebi o quanto os olhos dele eram bonitos.

- Não precisa se desculpar, eu já disse. O prazer foi todo meu.

Andei sem rumo algum, até porque não sabia onde eu passaria a noite. Liguei para Lexi, e ela logo apareceu. Me olhou estranho e perguntou o porquê da minha demora.

- Acho que estou bêbada. - Repeti a desculpa que havia dito para o meu pai.

- Claro, você sempre está. - Alexia me puxou pela mão até o elevador, apertando alguns números e... Surpresa, a porta se abriu e já estávamos na nossa suíte.

Girei vagarosamente, olhando cada canto da suíte. Um “uau” baixinho escapou de meus lábios. Uma estadia naquele quarto deveria valer mais que a minha vida. As grandes cortinas de seda tinham um tom de bege que dava uma aparência clássica e chique sobre as paredes brancas. Havia um pequeno sofá - ou sofá do amor, que seja - vermelho, com almofadas cor de vinho. No canto do quarto, do lado oposto da porta do banheiro, havia uma jacuzzi. Uma jacuzzi! Na parede, uma tv 3D (realmente, as coisas aqui são bem exageradas) e no lugar de um frigobar, tínhamos uma geladeira grande. Sem contar com o imenso guarda-roupa.

Engoli em seco, nervosa. Olhei para Lexi, que tirou seus sapatos e se jogou no sofá do amor.

- Se seus pais escolheram esse lugar pra um aniversário... - Comentei. -
Não quero nem saber quanto é a sua herança.

Ela riu e foi mudando os canais da tv. Angie estava procurando por algo na geladeira. Tirou de lá uma garrafa de whisky, e achei a visão dela de baby doll e a garrafa bem bizarra. Sammy estava trocando mensagem com alguém, e não se concentrava em nada mais a não ser seu celular. Tay me olhava, meio preocupada.

- Quer conversar sobre alguma coisa?

Seu “alguma” tinha me convencido de que ela já tinha noção do assunto. Sentei ao seu lado, com as sobrancelhas erguidas, querendo saber o que era.

- O seu pai, boba. - Ela falou, baixinho. Me joguei na cama, era macia. Meus dedos percorriam o lençol. Senti uma aflição me invadir, porém eu tinha noção de que se eu não compartilhasse com alguém, me sentiria pior
depois.

- Mesma ladainha de sempre. Disse que sente minha falta. - Minha garganta doía. - Mas, como sempre, eu não quis falar muito. Falei que estava bêbada.
Taylor riu, logo depois ficou séria. Ela mordeu o lábio inferior, parecia pensar.

- Acha que essa é a melhor solução?

- Eu acho. - Me revirei na cama, tentando achar uma posição confortável. Eu ainda não havia tirado o vestido e colocado o pijama, e eu me sentia tão indisposta que acabei dormindo apenas com a roupa de baixo. Antes que meus olhos se fechassem completamente, percebi que todas já estávamos nos preparando para o sono, menos a Sammy, que continuava conversando com seu amigo(a). E ela ria bastante, também.

Alguém me cutucou, o que me fez acordar. Meu cabelo estava bagunçado e cobria os olhos, passei a mão para que pudesse enxergar.

- Lexi, vai dormir! Essa cama é uma delícia! - Resmunguei, enterrando a cara no travesseiro. Alexia ficou me enchendo, dizendo que eu precisava ir para a piscina com elas, e contando todas as vantagens da piscina. Senti que traía a cama enquanto me afastava dela, colocando meu biquíni preto e olhando feio para a minha amiga loira. Os óculos escuros cobriam meus olhos inchados de uma noite estranha de sono. Realmente, a piscina era impressionante. Lexi e Angie foram nadar, enquanto eu e as outras duas resolvemos ficar esticadas na cadeira, aproveitando o sol daquele belo dia em Londres. Como Angie estava de biquini, a sua tatuagem aparecia, e eu quase havia me esquecido dela. Era uma fênix no seu quadril.
Tay usava os óculos escuros e estava imóvel, parecia que estava dormindo.

Eu fechei os olhos, sentindo o sol queimar a minha pele, e tive algumas lembranças boas da infância no Havaí. Segurava meu celular com as duas mãos (costume, é muito difícil me separar dele), e o sono era tão dominante que eu quase adormeci, porém fui interrompida pelo toque Fur Elise, a música que anunciava mensagens de texto novas.

“Que não seja meu pai”, pensei, colocando o código para desbloquear a tela.

“De: Desconhecido
Escolheu um bom dia para aproveitar o sol. xx”

Encarei a tela do celular por um tempo. Eu não conhecia aquele número, não era das meninas. E nenhuma delas (a não ser Sammy, mas ela não passa trotes) tinha o telefone na mão. Engoli em seco, piscando nervosa, me sentindo observada.

“E você é...?” Apertei o botão para enviar o texto. Não demorou muito para o que o solo de piano começasse a tocar novamente, e eu li a mensagem, dessa vez um pouco mais devagar, já que a minha dislexia tinha seus altos e baixos.

“Você é observadora, mas não descobriu. Logo vai saber. xx”

Fiquei um pouco irritada/desapontada. Me endireitei na cadeira, alguns pingos de água me molhando por causa das pessoas que pulavam violentamente na piscina. Alguém que eu conhecia estava ali, não eram as garotas, então... Iria parecer loucura, mas enviei:

“”Harry?”

“Droga. Você é rápida.”

Comecei a rir, mas não estava achando graça. Estava meio assombrada e curiosa. Tay ergueu os óculos escuros e me observou, mas eu dei de ombros, dizendo que não era nada demais.

“Como você descobriu meu número? Estou impressionada.”

Dessa vez a resposta demorou um pouco para chegar. Enquanto isso, eu ficava desbloqueando meu telefone todas as vezes que a tela se apagava.

“Digamos que eu consegui com outra pessoa. Também tenho meus contatos.”

Bufei, com raiva. Imaginei que o tal contato deveria ser Ashley. Salvei o número dele nos contatos, me sentindo bastante esperta, porque se ocorresse novamente ele não iria me enganar. (Minha esperteza não dura por muito tempo. Ele é famoso. Pode trocar de celular assim como troca de camisa.)

“Hm, ok, já que você saiu por aí procurando meu número... Por que fez isso?”

Eu já ia enviar, quando Taylor falou, para mim e para Samantha:

- Viciadas! Por que não aproveitam e largam esses celulares?

Contive uma gargalhada, mas a ignorei. Apertei o botão para enviar e a resposta chegou bem rápida. Admito que fiquei mais surpresa do que imaginei que ficaria. Surpresa não, chocada:

“Eu estava espionando o Zayn espionar a sua amiga aí do lado.” Virei a cabeça lentamente para olhar uma Tay que já tinha até admiradores secretos. Me levantei, olhando em volta, o procurando. Tinha muita gente, e mesmo que meus olhos passassem por ele, meu cérebro não ia distinguir.

“Ooook. Onde você está?”

“Espionando! Preciso ficar escondido para fazer isso.”

Ri de canto e bloqueei o celular, jogando-o para Tay. Resolvi entrar na piscina, a água estava fria, o que é ótimo em dias de verão. Mergulhei, respirando lentamente pelo nariz, os olhos abertos vendo que uma garota de longos cabelos pretos vinha em minha direção...

- Você ia me matar, que eu sei. - Falei para Angie quando saímos debaixo da água. Respirei fundo, tentando recuperar o ar. Ela riu e me abraçou, me dando um tapa fraco logo depois. Sim, essa é uma das minhas melhores amigas. - Estou morrendo de fome.

- Sim! Esse é o espírito! - Angie disse, e só depois eu fui entender o porquê. É sempre ela que está com fome. Me senti bastante estúpida por causa de minha lentidão. Nós duas pegamos toalhas brancas e fofinhas para enxugar o corpo e fomos atrás de algum lugar onde poderíamos conseguir comida.

Passamos por várias pessoas, algumas com câmeras e camisas do One Direction, e imaginei que algum deles estava por perto. Me sentia bastante perdida ali, e sei que Angie também, pois haviam vários restaurantes, para todos os gostos e estômagos. Vi até “Restaurante Turco”, e fiquei imaginando quem diabos comeria aquilo. Angie parecia aflita:

- Em qual nós vamos? - Os olhos azuis dela brilharam. - Vamos em todos! O pai da Lexi que está pagando, mesmo...

- Mas não vamos deixar o sr. Windsor falir, certo, pimentinha? - Eu a segurei pelos ombros e a fiz olhar para um com comidas italianas. - Que tal pizza para o café da manhã?

Ela gesticulou e seguiu, talvez parecesse que não estava satisfeita com o fato de não falir o pai da Alexia. Antes de entrarmos no restaurante, vi dois garotos da banda e fiquei um pouco sentida. Realmente, era estranho encontrar algum deles por toda a parte. Eram... Niall e Louis? Sim, esses são os nomes. Niall estava comendo alguma coisa, e Louis parecia impaciente.

Niall nos reconheceu. Ele apontou e ergueu uma sobrancelha, eu me encolhi, constrangida. Acho que deveria ser educada, de qualquer forma. Ele falou “oi!”, o que fez com que Louis olhasse para nós também. Angie, mais divertida, acenou. Já eu...

- Olá... - Falei, depois apontei para o outro lado. - Zayn e Harry estão por ali, se estiverem procurando.


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Última edição por Miss Hangover em Qui Out 18, 2012 9:35 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qui Out 18, 2012 9:34 pm

CAPÍTULO 7 - ANGELINNE MOORE
"Operação BFF"


Triiiiiiiiin... Triiiiiiiiiin...

- Alguém atende esse maldito telefone! - Berrei, rolando na cama. Para deixar claro, eu realmente odeio dias de segunda-feira. É o ápice de tudo o que você fez no fim de semana, e eu fico extremamente cansada. E em plenas onze horas da manhã um telefone vem e me acorda. Queria poder jogá-lo pela janela.

- Ai, Angie, como você é dramática. - Ouvi a voz de Alexia dizer. Algumas gotas de água fria caíram em mim, e eu estava certa de que eram os fios de cabelo molhados da loira. Uma mistura estranha de We Will Rock You e o tema inicial de Bob Esponja Calça Quadrada ecoavam pelo apartamento (Taylor e Sammy competindo para ver quem conseguia deixar no volume mais alto, com certeza). Frustrada, eu sabia que não iria dormir mais.

- Bom dia, Bela Adormecida. - Em disse, entrando no quarto. - Arrume sua cama e limpe esse rosto. Está com uma cara horrível de ressaca, não vou sair pela rua com você parecendo uma bêbada.

Sentei na cama, colocando os pés no chão gelado, a cabeça girando.

- Não quero sair de casa, baixinha.

- Primeiro, não me chame de baixinha. - Emily falou, parecendo ofendida. - Segundo, vamos logo, eu já estou cansada do meu guarda-roupa. Nós cinco precisamos aproveitar nossos últimos dias antes da faculdade.

Deixei escapar um resmungo alto ao lembrar que, em pouco tempo, estaria dando olá para Oxford novamente. Presa numa faculdade, com uma colega de quarto que não conheço... Isso me deprimia. Infelizmente, ir para a faculdade meio que não era uma escolha para mim. Eu precisava me sustentar no futuro com uma profissão que não fosse cantora de bar (acredite, eu já considerei isso), e jamais poderia aguentar viver às custas de minha mãe. Sabe como é... Não podemos ficar debaixo do mesmo teto sem sair fagulhas e palavrões.

- O que tem para o almoço? - Perguntei, me levantando e pegando minha toalha. Precisava de um bom e demorado banho.

- Talvez você devesse acordar para tomar o café da manhã, como todas as outras pessoas normais. - Emily estava parecendo uma mãe hoje, dando sermões. - Mas estou pensando... Talvez capeletti de queijo ao molho de avelãs. Ou frango frito. Não sei.

- Aaah, faça os dois. - Fiz um biquinho antes de entrar no banheiro. Ela riu e saiu do quarto, eu esperava que estivesse indo para a cozinha.


De tarde, resolvemos dar uma volta por aí. Eu não gostava nada de ainda não ter carro, pois minhas pernas ficavam doloridas. Nesse passeio compramos algumas roupas novas e olhamos os preços dos carros - coisa que estamos cogitando muito mesmo. Paramos na Starbucks para tomar café e comer donuts com cobertura de chocolate e granulado colorido. Não importa a sua idade, você sempre vai amar coisas com granulado colorido por cima.

- Que tal comprarmos algum filme de terror para assistir essa noite? - Sugeri, lambendo os dedos sujos de chocolate.

- Ahn... - Sammy murmurou baixinho. Olhei para ela, sem acreditar. Minha parceira de assistir filmes de terror estaria me abandonando?

- Hm, parece que Sammy estará ocupada essa noite. - Riu Tay, enquanto tomava um gole de seu chá. Todas nós fitamos uma Samantha que estava com as bochechas vermelhas. Do nada, ela pareceu estar bastante interessada no cardápio da Starbucks.

- Hm, é, vou resolver umas coisas... - Falou, baixinho. Continuei desconfiada. Na verdade, todas nós ficamos. Ela estava misteriosa, sempre trocando mensagens, rindo mais do que o normal e agora ficaria sumida pela noite. Parecia aquele seriado de suspense, Pretty Little Liars, onde as protagonistas recebem mensagem de -A. Só que o “-A” de Sammy a fazia rir do nada.

- Ok. Não vamos constrangê-la, meninas. - Emily disse, implicando. Nós rimos, menos Sammy.

- Só estamos brincando com você, garota. - Lexi mexeu nos cabelos de Samantha. Ela tentou rir de uma forma descontraída, mas aquilo estava muito, muito estranho.

- Eu sei. - E então o assunto morreu. Voltamos para casa, com aquele cachorro minúsculo pulando em cada uma de nós. Eu ainda não me dava muito bem com Cuddles, mas resolvi que daria a ele uma chance, apesar de nossas brigas (faziam algumas semanas desde sua chega em nosso apartamento, e sem querer eu quase o matei algumas vezes. Ok, não foi tão sem querer assim).

Guardei - lê-se: joguei em qualquer canto do quarto - as sacolas de compras e troquei os jeans pela calça do pijama, mas eram apenas sete horas da noite. Como não saio de casa na segunda-feira, iria ficar com a roupa de dormir jogada no sofá e comendo pipoca.

- Tay, posso colocar o filme? - Pedi, educadamente. Alguém deveria ter filmado isso.

- Não. Estou estudando. - Falou ela, arrumando a haste do óculos que estava caindo. Pisquei, sem acreditar no que ouvia. Por que a garota estuda nas férias?

- Por favor!

Ela revirou os olhos e foi com seu livro para a cozinha. Algo me dizia que eu tinha esquecido alguma coisa no quarto, então larguei o controle da televisão e fui atrás do que seria. Antes de girar a maçaneta, ouvi a voz de Sammy falando lá dentro:

- … Estou me arrumando! - Ela riu. - Eu sei, eu sei. Não vou me atrasar, Jason, eu prometo, daqui a algumas horas estarei no Shields. Quase não comi hoje esperando esse jantar.

Fiquei extremamente chocada, estava boquiaberta. Então a garota tinha mesmo um encontro! Tentei não fazer barulho ao encostar o ouvido na porta para ouvir melhor:

- Sim, eu também estou ansiosa para vê-lo. Até daqui a pouco. - Então sussurrou: - Beijos!

Ok, ela ia apanhar.

Me afastei da porta quando ouvi que ela estava a destrancando. Quando me viu, Sammy ficou mais pálida do que o normal. Pensei no que faria a seguir: Será que eu apontaria e gritaria coisas tipo “POR QUE VOCÊ NÃO CONTOU QUE ESTAVA NAMORANDO?”, mas tive uma ideia diabolicamente genial.

- Ah, Sammy, meu celular está aí dentro? - Tentei parecer indiferente, porém minha expressão mudou ao ver como ela estava. Usava um vestido tomara que caia azul bebê, os cabelos curtos estavam soltos e cacheados, seu batom era claro e tinha um pouco de glitter em suas pálpebras. - Hm, você está linda, amiga.

- O-obrigada. - Gaguejou ela. - Não sei se está... Veja aí. Eu não vou demorar, já estou saindo.

Com uma bolsinha da cor do vestido onde provavelmente estariam seu celular e sua carteira, ela apanhou a chave do apartamento e saiu, sem dizer mais nada. Esperei um tempo para ter certeza de que ela não podia nos ouvir e fui correndo para a sala de estar.

- MENINAS! A SAMMY VAI TER UM ENCONTRO! - Anunciei tão alto que fiz Emily deixar cair no chão o copo de vidro que segurava. Ela quase teve um ataque. - Desculpa, Em. MAS SÉRIO, ELA TÁ INDO PRO RESTAURANTE SHIELDS, VAMOS ATRÁS DELA!

Lexi riu de mim:

- Por que? Deixa a garota curtir!

Eu estava impaciente, me sentia hiperativa quando ninguém entendia o que eu queria dizer, tipo...

- Ah, vocês realmente não se importam que nossa melhor amiga desde os dez anos está pegando um cara e nem nos contou? Sério? Vocês são doentes. Realmente. Suas desnaturadas. Como não tem vergonha de si mesmas? Eu...

- Angelinne, chega. - Em se esforçava para não rir. - Ok, Rainha do Drama, o que pretende?

- Emily, você vai mesmo concordar com essa ideia maluca dela? - Tay também estava rindo, mas se eu já tinha tirado ela de perto daquele livro, estava no lucro.

- Bom, colocamos roupas bonitas e vamos no Shields, espionar o encontro dela e ver se o cara é bonito. - Cruzei os braços sobre o peito. - E então, o que acham?

Lexi, Em e Tay se entreolharam e deram um sorriso malicioso. Aquilo me deixou animada.


Nem de longe nós estávamos tão deslumbrantes quando Sammy e seu vestido azul. Nós quatro tivemos sorte de pegar o Shields quase vazio, e inicialmente não tinha entendido o porquê de Sammy e o garoto misterioso terem escolhido uma segunda-feira para um jantar romântico, mas então eu me toquei: Restaurante vazio, mais privacidade.

Ponto pra ele.

Ficamos em uma mesa onde poderíamos ter uma visão legal do casal. Me sentia naqueles filmes de espionagem, segurando o cardápio na frente do rosto para que Samantha não me visse.

- Hm, o que vamos jantar? Lagosta? - Lexi estava mais concentrada nos diversos pratos do que na nossa amiga. Eu dei um tapa na mão dela, ela gritou “AI!” e todos no restaurante olharam para nossa mesa. Inclusive Sammy. Ela arregalou os olhos e fingiu que não tinha visto.

- Ela nos viu, e agora? - Sussurrou Taylor.

- Agora, não adianta mais tentar se esconder. - Falei. Nós quatro encaramos um pouco o garoto. Ele parecia um pouco comigo, na verdade. Olhos azuis, cabelos pretos... - O que acham dele?

- Bonito. - Alexia colocou uma mão no queixo. - Parece um universitário.

- Talvez ele seja. - Emily juntou as mãos, observadora. De vez em quando, Sammy nos olhava por cima do ombro, de canto. Uma certa vez ela quase nos fulminou com o olhar (é bem difícil por causa do seu alto grau de fofura e meiguice) e mostrou a língua. Nós acenamos, divertidas.

- Você conhece aquelas meninas? - Perguntou o acompanhante.

- Hm, sim, Jason. Mas enfim, o que estava dizendo?

Sim! Esse era o nome dele, Jason! Ok, Jason, o “amigo”, parecia venerar a Sammy, como se cada batida do coração dela fosse uma melodia. Ele era sempre muito atencioso e perguntava de cinco em cinco minutos se tudo estava bem. Das duas, uma: Ou era o primeiro encontro dele e ele era experiente ou ele realmente gostava da nossa Sammy.

Depois de ver eles jantando e comendo a sobremesa (minha barriga estava roncando), comecei a ficar impaciente. Emily e Tay estavam quase dormindo na mesa, entediada. Lexi estava twittando.

- Que horas são? - Eu perguntei. Alexia disse que já eram quase onze horas da noite, e eu bufei, chateada. Sammy disse que não ia demorar, e olha a hora que estava dando! Se bem que a culpa não é dela. A escolha de vir - e sem dinheiro, ainda por cima - tinha sido minha.

Sammy e Jason se levantaram. Ele segurava a mão dela e sorria. Ela parecia mais tímida, mas ainda assim aparentava se sentir bastante à vontade na companhia dele.

- Em, acorda... - Tay cutucou a Emily, coçando os olhos.

- Da próxima vez, não chamo mais vocês para espionarem. - Falei, enquanto a gente saía do Shields. As garotas não falaram nada, e eu fiquei aliviada, porque se eu ouvisse alguma coisa com certeza seriam xingamentos.

Talvez Jason tivesse um carro, pois quando chegamos Sammy já estava de pijama, sentada no sofá, nos olhando feio.

- A culpa foi da Angie. - As outras três falaram, e eu ri de modo angelical. Sammy abriu a boca para gritar alguma coisa, mas se conteve. Olhou para baixo, com as bochechas rosadas.

- Ok, ok. Sinto muito. Eu deveria ter contado que... Gosto de Jason. Nós estamos trocando mensagens a um tempo...

- Percebi... - Emily a interrompeu.

- De qualquer forma, não precisavam ter ido atrás de mim. - Ela disse. Não parecia com raiva, e fiquei aliviada. Não gostava de brigar com elas. Com nenhuma delas. Sem dizer nada, nós quatro nos sentamos no sofá, lado a lado.

- Quando um garoto aparecer assim, não precisamos esconder uma das outras. - Eu disse, o que era bem verdade. Se podíamos compartilhar segredos, por que esconder uma coisa tão pequena quanto “eu conheci um garoto legal”?

- Na verdade... - Começou Tay.


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qua Out 24, 2012 5:21 pm

CAPÍTULO 8 - ALEXIA WINDSOR
"Mon nom est Alexia"
Admito que eu estava um pouco frustrada. Cruzei os braços, olhando para eles, franzindo a testa ao passar os olhos por cada um. Qual seria o melhor? E se... E se eu fizesse a escolha errada? Estava tão confusa!

- Ai... - Murmurei diante de minha difícil decisão.

- Para de drama, Alexia. É só escolher um par de sapatos. - Angie balançava os pés, sentada na cama. Olhei para ela, séria. - Pare de me olhar como se eu tivesse dado um soco na sua avó.

- Mas foi tão ruim quanto. - Revirei os olhos. Logo os fechei, escolhendo qualquer um dos sapatos. Meu instinto era bom, pois escolhi um dos meus favoritos. O scarpin de salto alto preto combinaria perfeitamente com minha roupa.

- Prontas? - Perguntou Tay, entrando no quarto. Eu fiz que sim com a cabeça. Há uns dias atrás, ela havia simplesmente contado que andava conversando com Zayn Malik. Isso foi ao mesmo tempo surpreendente e assustador. Se ela não tomasse cuidado, logo logo estaria em uma capa de revista.

- Depois de muito tempo... - Angie me olhou feio. - Estamos prontas. Pelo menos eu, certo, Lexi?

- Eu também estou. - Mostrei a língua para Angelinne, peguei minha bolsa e, na sala, vi Emily sentada no sofá conversando com Sammy. As duas pareciam ter um assunto bem legal, pois ambas estavam sorridentes. - Caramba, Em... Por favor, deixa eu maquiar você um pouco...

Ela fez uma cara que dizia algo como “fala sério, Lexi”.

- Ah não, Lexi. Você já está toda pintada, não precisa fazer a mesma coisa comigo.

- Você é uma anã irritante. - Eu provoquei, de brincadeira. Emily não gostava quando eu a chamava de baixinha, mas, por favor, até Sammy consegue ser mais alta do que ela, e Sammy geralmente é uma formiguinha perto de outras pessoas.

- Eu não sou baixinha!

- Só tem baixa estatura. - Angie passou o braço em volta dos ombros de Emily. - Nós já sabemos. Agora vamos, porque eu quero assistir no mínimo uns três filmes hoje.


Eu gostava do clima do dia de hoje. Estava frio o suficiente para usar um casaquinho preto de pele sintética, mas não tanto para que eu não pudesse esticar as pernas pelas ruas de Londres. Bom, daqui a alguns meses eu estaria fazendo dezenove anos, e toda a minha vida morei aqui, na cidade onde nasci, se desconsiderarmos os anos em Newbridge. Apesar de já ter conhecido muitas cidades pelo mundo, não me cansava de Londres e com certeza não a trocaria por nenhum outro lugar.

- Ai, eu quero um namorado. - Falei, um pouco deprimida, enquanto nós andávamos. Sammy olhou para mim, assustada. - O que é? Você me olha assim porque tem um. Que inveja.

- Isso não vai te beneficiar em nada. - Emily jogou os cabelos castanhos para trás, que estavam um pouco caídos em seu rosto.

- Claro que vai! Daqui a pouco até você estará namorando de novo e eu não...

Ela riu.

- Você é bonita, rica e tem senso de humor e eu não. Com certeza está errada. - Em era assim mesmo, ela meio que faz o tipo de pessoa “auto-aversiva”. Isso é bem idiota, às vezes, porque ela tem incontáveis qualidades. - E, para a sua informação, Barbie, eu só vou namorar de novo se tiver certeza de que vou casar com o cara.

- Nossa, Emily apressada. - Angie debochou.

- Ah, cala a boca. - Em se defendeu.

Andamos mais um pouco, não faltava muito para chegar ao shopping. Antes disso, passaríamos por uma loja de revistas que eu adorava. Quem sabe tivessem novidades da Vogue ou da Elle. Eu tinha certeza de que as meninas iam falar “Ah, mas em casa quase não temos lugar para colocar mais nada por causa de suas revistas e blá blá blá”, mas olhar não ia tirar pedaço de ninguém (e, além disso, eu vou comprar revistas novas quando elas não estiverem olhando). Só que eu estranhei a capa de uma delas, que falava sobre fofocas de celebridades. Algo me chamou a atenção e eu parei de olhar.

- O que foi? - Tay quis saber, já que eu não me movia.

Primeiramente, a imagem da capa estava horrível e embaçada, como se o paparazzi tivesse dado o zoom máximo para capturar a foto. Haviam duas pessoas nela, andando, conversando... E aquilo me lembrava demais pessoas que com certeza eu já tinha visto.

Opa. Espere um pouco.

- SANTO DEUS! - Berrei. - Emily... Ela... Ah!

- Eu, ela, ah? - Emily arregalou os olhos dourados, mas eu não dei atenção para ela. Corri até a banca das revistas, pegando a que havia me interessado. Emily simplesmente estava na capa da revista! Que maldita sorte! Com o vestido roxo que usara no aniversário da Ash, e acompanhada do... Oh, meu Deus, ela vai pagar por isso. E nem me contou!

- COMO ASSIM? - Eu estava mesmo gritando. Emily finalmente realizou que era simplesmente a sua foto ali. Ela fechou os olhos, provavelmente contando até três mentalmente. - Me devolve, eu quero ler! - Puxei das mãos dela, tomando cuidado o suficiente para que não rasgasse e o dono da loja não me obrigasse a pagar de qualquer forma.

“Harry Styles, do One Direction, provavelmente com novo romance com suposta modelo ou atriz desconhecida”.

- Agora é você e a Tay conspirando contra mim? - Eu arregalei os olhos. - Se tiverem o número do Johnny Deep nos contatos, já podem me passar, okay?

- Em virou modelo e atriz. Certo. - Angie se esforçava para não rir.

- Cara, isso é ridículo, eu vou me matar. - Emily parecia estar com raiva. Só que aquela criatura de 1,58m não era muito ameaçadora, mesmo furiosa. - Agora o garoto não pode nem mais conversar comigo e já estamos tendo um romance?

Eu a encarei, um pouco confusa.

- Espere. Você se sente mal por causa dele, e não porque a foto de suas pernas à mostra nesse vestido lindo estão aí na capa da revista? - Eu perguntei para ela, com minhas piadas velhas à tona, apesar da situação.

- Bom, de qualquer forma, os editores de revista nunca saberão meu nome nem o que faço da vida, mas Harry é famoso, então eu me sinto mal por ele sim. - Ela disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Nossa, você é perturbada. - Falei, colocando cinco euros no balcão do vendedor e levando a revista. Em revirou os olhos e foi andando na frente, talvez ela ficasse um pouco chateada comigo por isso, mas depois ela me perdoaria. Eu só estava curiosa.

- Ela vai ficar com raiva. - Taylor comentou, como se lesse meus pensamentos. Eu tentava ler a matéria e andar ao mesmo tempo, isso com certeza me daria dor de cabeça. O que escreveram era tão ridículo que me deu vontade de nunca mais comprar revistas (não, isso é impossível, estou só brincando, hehe), porque não passava de grandes mentiras. De acordo com eles, os dois - o cantor e minha amiga - já se conheciam há muito tempo e provavelmente logo assumiriam seu namoro.

Ah, faça-me o favor. Enrolei a revista e a guardei dentro de minha bolsa.

- Ei, baixinha, não vai ficar com raiva de mim, não é? - Abracei a Emily, que olhava o encarte com os filmes em cartaz. Ela olhou para mim, dando um sorriso de canto.

- Eu nunca ficaria com raiva de você, Barbie. Só... Você sabe. As pessoas inventam coisas, não é legal. Parece que estou de volta ao colégio, com meninas más fazendo boatos sobre mim. - Ela desembuchou. Ficou olhando o poster de um filme de terror com uma imagem realmente assustadora, e eu disse:

- Não se mova! Eu vou tirar uma foto para colocar no Instagram.

Tirei a foto e a postei com a legenda “Minha amiga Em e uma nova versão do bicho papão.”. Alguns segundos depois, várias pessoas (lê-se: vários fã clubes de 1D) começaram a me perguntar coisas do tipo “OMG VOCÊ A CONHECE? ELA ESTÁ MESMO NAMORANDO HARRY?”. Eu não respondi nada, certa de que tentaria esquecer aquela mentira.

Enquanto Sammy comprava nossas entradas, fui comprar pipoca e milk-shake. Sim, eu como pipoca com milk-shake de morango, ao contrário das pessoas normais que preferem refrigerante. Ao meu lado, um garoto alto e bronzeado fitava a tabela de preços, com uma cara um pouco confusa. Talvez ele tenha percebido que eu estava olhando descaradamente, afinal, era muito bonito, com seus cabelos pretos e olhos castanhos.

- Ah... É que eu sou francês, não consigo entender muito bem. - Ele se desculpou, com as bochechas rosadas. Eu ri.

- Desculpe por ter ficado olhando... Aliás, seu sotaque é muito fofo! - Nós rimos. Talvez eu tivesse constrangido o pobre garoto. Olhei um pouco para ele enquanto a atendente não trazia meu milk-shake e minha pipoca. Eu estava achando que conhecia ele de algum lugar... - Seu rosto me é familiar. Já nos vimos antes?

Ele parecia cada vez mais corado.

- Sim, senhorita Alexia Windsor. - Fiquei bastante surpresa em ver que ele sabia meu nome. - No pouco tempo que estive na Inglaterra, me lembro do seu rosto. Do restaurante no hotel Golden Islands, onde foi comemorado o aniversário da senhorita Ashley. Trabalho lá.

- Ah! É mesmo! - Arregalei os olhos ao perceber que ele havia lembrado de mim e sabia meu nome. - É meio frustrante você já saber como me chamo, mas eu não sei o seu nome.

- Levih Jensen. - Agora ele parecia estar falando apenas em francês. Eu realmente gostava de seu sotaque. Era adorável.

- Ok, prometo que não vou esquecer. - Pisquei para ele, brincando. A atendente trouxe minha pipoca e disse que meu milk-shake estava vindo. - Bom, o que um francês está fazendo aqui na Inglaterra? E não, não quero ser intrometida.

Ele deu um sorriso torto.

- Bem... Estudando. Ou melhor, vou começar a estudar. Ganhei uma bolsa em Oxford.

- Oh, meu Deus! Eu também vou começar a estudar em Oxford. Que legal, conheci mais um colega. - Mordi o lábio inferior. - Vou cursar Design. E você?

- Quero ser professor de química. É uma coisa que eu realmente gosto e acho que vai melhorar a minha condição de vida. - Ele riu. Olhou no relógio, talvez seu filme já fosse começar. - Bom, senhorita Windsor, prazer em revê-la, preciso ir agora.

- Me chame de Alexia, e antes que eu me esqueça... - Tirei um pedaço de papel e uma caneta da bolsa e escrevi rapidamente alguns números. - Nem pense em deixar de me ligar antes de as aulas começarem.

Ele pegou o papel e me olhou, meio confuso. Dei de ombros, rindo.

- Certo... Alexia.


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Qui Nov 01, 2012 8:45 pm

[quote="Miss Hangover"]
CAPÍTULO 9 - TAYLOR WESKER
"Sonhos de uma tarde na Starbucks"
Acho que em todos os anos que eu conhecia Lexi, essa era a primeira ou a segunda vez que ela me deixava usar seu notebook.
Hm, eu não usava meu Twitter com frequência como as meninas (menos a Em, ela não tem registro no site porque não sabe mexer), mas de vez em quando eu lia umas coisas por lá. Talvez tivessem se passado um mês desde meu último tweet, e eu lembro muito bem que eu tinha dois dígitos no número de seguidores. Agora eu tinha mais de mil.
- Nossa! - Eu falei, um pouco surpresa. Estalei os dedos antes de digitar uma coisa bem idiota, tipo “Wow, eu não lembro de ter usado BigFollow xx” e, só por precaução, chequei minhas menções logo em seguida. Fiquei ainda mais embasbacada ao ver o que as minhas seguidoras diziam:
“Ah, que fofa você!” - esse realmente me lisonjeou.
“Você é mesmo amiga da garota que estava com @Harry_Styles?” - esse me fez rir. Em estava na outra cama, fazendo massagem em seu ombro. Ela estava usando os fones de ouvido, com os olhos fechados, e cantava a música baixinho... Segundo meus cálculos, era Coldplay.
- Ei, Emily, eu sou mesmo amiga da garota que estava com Harry Styles? - Comentei, tentando parecer inocente. Ela abriu um olho e me mostrou a língua. Abafei o riso com uma das mãos, vendo os tweets de um fã-clube da Jane Austen que citava trechos dos seus livros. Dei retweet em alguns de Orgulho & Preconceito.
Fiquei desconcentrada quando uma música começou a tocar bem alto: “Tell me what you want to heeeeeeeear, something that'll like those eeeears”. O celular da Sammy estava jogado perto de mim e eu o peguei.
- Sammy, o Jason... - Li o nome na tela do celular. - Jason Dashwood? POR QUE NÃO ME CONTOU?
- O que tem ele? - Sammy arregalou seus olhinhos castanhos, assustada.
- Dashwood... Razão e Sensibilidade... Jane Austen. - Traduziu Em, ainda com os olhos fechados. Talvez ela fosse a única entre nós (depois de mim, obviamente) que tivesse o costume de ler livros, apesar de tudo.
- Ah... Eu não sabia disso. - Suspirou Sammy, pegando o celular e atendendo o namorado, se afastando de nós. Assim que ela saiu, Lexi entrou. Eu não digo isso com sarcasmo, mas ultimamente Lexi tem estado bem mais “cor de rosa” do que ela já é naturalmente. Angie sugeriu que ela estivesse apaixonada, mas Lexi não é como Sammy, que ficou escondendo os sentimentos: ela logo nos contou que estava apenas interessada num garoto francês.
- O que fazem de bom, amores? - Lexi começou a tirar o esmalte da unha com removedor. Eu não respondi, porque era bem óbvio, já que eu estava com o notebook. Em pegou o controle da TV e o fez de microfone:
- I wrote a song for you, and all the things you do, and it was called Yellow... - Cantou ela. Particularmente, eu gostava bastante da voz dela, ao contrário da própria. Acho que Em poderia ser cantora, porque ela gosta de fazer isso... Mas, bem, ela quer ser médica.
O twitter começou a parecer entendiante. Saí de minha conta e fui ler umas coisas sobre a Jane.
- Como está o Levih, Alexia? - Questionei. Ela soltou uma risada gostosa, bem típica dela, e aquilo sempre me deixava feliz.
- Ah, deve estar bem! - Ouvi suspiros de Lexi. E cheiro de removedor de esmalte no ar. - Ele é tão fofinho...
- Espere, eu vou aumentar o volume para não ouvir você falar essas coisas melosas. - Emily disse.
- Nossa, essa menina tem o coração duro. - Lexi ria. Ela se levantou e sentou do lado da Em, relembrando o que havia dito quando viu ela na capa da revista: - Belas pernas, Campbell.
Eu não aguentei e caí na gargalhada, junto com Lexi. Nós fizemos Hi-5 com as mãos abertas e Em olhou para nós:
- Vocês fazem bullying comigo!
- Não, não! - Alexia a abraçou forte, apertando suas bochechas. Em mordeu a mão dela. - Ai, doida!
Desliguei o notebook, entregando-o para a dona. Tirei minha roupa, colocando uma mais elegante, porém confortável. Eu não gostava de roupas apertadas, e quando mais confortável, melhor. O dia estava bom para ir na livraria, comprar um clássico e lê-lo enquanto tomava um frapuccino na Starbucks.
- Não demoro... E não façam nada irresponsável. - Falei, pegando as chaves do apartamento. Cuddles mordia a barra do meu jeans. - Me solta, cachorro!

A Starbucks estava vazia hoje. Bom, pelo menos não haviam pessoas barulhentas para distrair minha leitura. O frapuccino de caramelo estava ótimo, assim como o livro, Richard III. Eu não tenho dinheiro de sobra, mas com certeza prefiro gastar a quantia que tenho comprando clássicos. Sim, isso é um pouco estranho da minha parte.
Dei um gole na bebida, meus olhos correndo pelas palavras na página. Ouvi um barulho de cadeira arrastando pelo chão. E com certeza eu não tinha convidado ninguém para compartilhar minha mesa.
- Oi. - Uma voz que não me era estranha disse. Ergui os olhos do livro para olhar o senhor inconveniente. Seja lá o que eu fosse dizer, esqueci ao encarar aqueles olhos castanhos e o clássico topete.
- Ah... Olá, Zayn. - Fechei meu livro com cuidado, marcando a página onde havia parado. - Me surpreendeu, hm.
- Foi uma surpresa boa ou ruim? - Ele perguntou. Eu ri, sem graça. O que responder? Nossa, se minhas seguidoras no Twitter vissem isso... Me matariam, com certeza.
- Ainda não decidi. É um bom livro. - Mostrei-o para Zayn. Ele deu um sorriso torto.
- Perdão.
- Imagina.
O silêncio reinou. Era incrível, toda vez que falava com ele eu perdia a fala. E eu já era naturalmente tímida. Quando conversávamos por sms (sim... Confesso, estávamos fazendo isso) parecia tão mais fácil.
- Pelo que a conheço... Gosta bastante de ler. Clássicos?
Sorri de canto, tirando uma mecha vermelha de cima do olho.
- Amo. Sou uma típica nerd, isso é fato. Minha favorita é Jane Austen.
Os olhos de Zayn me deixavam meio congelada.
- Isso quer dizer que é romântica?
Ok, essa era uma pergunta difícil, até mesmo para mim, que sempre tirei notas boas nas provas mais difíceis. Dei um gole no Frapuccino, pensando um pouco.
- Sim. - Então, minha própria resposta me assustou. - Quero dizer... Eu nunca me apaixonei da forma como Austen descrevia... Mas ainda assim... Você entendeu!
Ele deu uma risadinha. Senti minhas bochechas queimando.
- Eu entendi. Aliás, tem um pouco de Frapuccino na sua bochecha, deixa... - Ele se levantou, pegando um guardanapo e passando-o no meu rosto de forma doce e cuidadosa. - Pronto.
- O-obrigada. - Gaguejei. Eu certamente não precisava de um espelho para saber que estava corada, e eu não sou do tipo que fica vermelha por qualquer coisa. Se bem que um cantor famoso fazer aquilo comigo não era bem qualquer coisa. - O que você faz aqui?
Certo. Que pergunta idiota.
- Às vezes eu quero sair por aí, tomar um café e ser apenas um cara normal, entende? - Ele pegou seu expresso quando a garçonete trouxe. A moça com certeza o reconheceu e me olhou estranho.
- Na verdade não entendo. - Apertei os lábios. - Não sou famosa. Você não deveria ter um guarda-costas ou algo assim? Fãs malucas podem fazer qualquer coisa.
Percebi que ele ficou um pouco constrangido, olhando para a mesa com as bochechas levemente avermelhadas.
- Está do lado de fora da cafeteria, na verdade. - Zayn falou. - Mas... Você faria qualquer coisa pelo seu ídolo?
- Se Jane e Freddie estivessem vivos, quem sabe. - Terminei a minha bebida com um gole longo. De uma forma estranha, eu queria pedir mais um, mas lembrei que estava sem dinheiro. Sério, que vergonha.
- Freddie... Mercury?
- Exatamente.
- Uma fã de Jane Austen que ouve Queen? Isso é bastante incomum. - Ele deu um gole na bebida, erguendo as sobrancelhas. Eu ri.
- Realmente... Isso é estranho, eu sou um pouco estranha.
Enquanto ele tomava seu café, decidi ler meu livro. Só que havia um problema: ele não parava de olhar para mim, e isso estava me dando nos nervos.
- O que foi?
- Seu cabelo.
- O que tem ele? - Questionei, assustada e com medo da resposta.
Então Zayn respondeu a coisa mais óbvia do mundo:
- É vermelho.
Caí na gargalhada, então tapei a boca, constrangida. Mas, bem, foi engraçado! Já era a terceira vez que a gente se via, e ele vinha me dizer que agora que havia reparado no meu cabelo vermelho? Não sou a única com problema de visão.
- Desculpa por essa risada horrenda, mas... Sim, meu cabelo é vermelho, e você tem um topete indestrutível.
Meu comentário fez ele rir.
- Por favor, não deixa os meninos ouvirem isso... Vão me zoar pelo resto da vida.
- Ok, eu não conto... Você sabe o meu livro favorito e minha banda favorita. E eu não sei os seus.
Eu imaginei que ele responderia algo como “não tenho tempo para ler, estou sempre fazendo shows”, coisa que me deixaria muito desapontada, mas não foi bem assim:
- Eu gosto de Harry Potter. E de Chris Brown.
Harry Potter me lembrava Emily, com sua mania de se apegar facilmente a sagas. E naquele momento, Emily me lembrou de Harry Styles. E Harry me lembrou One Direction, que me lembrou Zayn, que estava ali na minha frente. Tudo muito estranho.
- Eu já li Harry Potter. Eu gosto. - Fitei a capa do meu livro. - Mas... Não pensei que fosse dizer Chris Brown.
- Por que? - Ele quis saber, sorrindo.
- Hm, não sei bem... - Parei de falar antes que começasse a gaguejar e a errar as palavras. Às vezes, minha timidez me dava raiva. Nos levantamos das cadeiras no mesmo momento, e imaginei se ele viria comigo ou algo assim. Não perguntei, pois com certeza era coisa da minha cabeça e eu passaria vergonha.
Saímos da Starbucks e uma garota gritou do outro lado da rua. Isso me assustou um pouco. Dei um pulo, com uma das mãos sobre o coração. Mas então vi que era só uma fã e resolvi me afastar... Só que ela me segurou pelo pulso.
- Ah! Zayn! Eu te amo, tira uma foto comigo! - Ela estava chorando. Nossa, eu queria saber como era a sensação de conhecer seu ídolo. Ele foi muito gentil, tirou a foto com ela, a abraçou e autografou um caderninho que ela tinha em mãos. Zayn Malik era um cara legal. Depois ela se virou para mim. - Taylor! Eu te sigo no Twitter, tira foto comigo também!
Fiquei um pouco pasma, por sorte consegui dar um sorriso amarelo, e eu esperava que não tivesse saído com cara de idiota. Ela me abraçou e fez um monte de perguntas que não consegui entender, até sua mãe chamar por ela. Eu tive sorte. Não precisei responder.
Bom, como ele continuaria lá, falando com a fã, eu abracei meu livro e fui andando pra casa. Meu celular vibrou e eu li a mensagem de Angie dizendo que já íamos comprar o carro em breve, o preço estava em conta e coisas do tipo. Suspirei, aliviada. Depois de muito tempo tentando, iríamos finalmente conseguir. Não sei quando, mas iríamos.
- Ei! Espere um pouco! - Ouvi a voz de Zayn gritando atrás de mim. Parei para olhar, e percebi que eu realmente andava muito rápido. Ele veio correndo até mim. - Você não me esperou.
- Ah, desculpe. - Eu olhei para o outro lado. Mesmo que ninguém tivesse dito nada, começamos a andar. Talvez... Talvez ele fosse me acompanhar até em casa. Que estranho.
- Então... - Começou Zayn. Eu nunca fui muito fã dessa palavra, “então”, porque ela soa meio curiosa e um tanto desafiadora demais para o meu gosto. Provavelmente é só besteira minha. Ele estava com as mãos no bolso e olhava para o chão, acompanhando seus passos. - Você é daqui mesmo?
“De onde eu era mesmo?”
- Hm, é, não. Nasci em Cambridge. Eu morei um pouco lá, mas meus pais morreram e passei a ficar com meus tios aqui em Londres. Com dez anos fui estudar no Newbridge English College em Oxford e foi lá onde conheci as meninas.
Será que eu tinha mais alguma coisa para falar?
- Ahn... E você, de onde é? - Eu quis saber.
- Bradford.
- Eu sabia que esse sotaque era de algum lugar conhecido. - Pensei em voz alta, depois sentindo as bochechas corarem.
Ele olhou para mim, questionador.
- Já foi em Bradford?
- Sim. - As lembranças invadiram minha cabeça. Eu tinha uns onze ou doze anos quando fomos lá. Não foram férias divertidas, mas ainda assim... Eu não podia me dar o luxo de reclamar.
- E... Sinto muito pelos seus pais. - Zayn disse. Eu não falei nada, apenas dei de ombros, tentando agir com indiferença em relação ao assunto. Já fazia tanto tempo, mas ainda assim, era algo tão delicado...
- Não tem problema. - Ele ia continuar andando, mas eu parei. - Hã, eu moro aqui.
- Ah, sim. - Zayn sorriu. - Foi ótimo vê-la novamente.
Certo. Agora eu já podia morrer. Senti meu rosto queimando e me enrolei com algumas palavras. Acho que consegui dizer um “tchau” antes de entrar no apartamento e ficar sorrindo para o nada.


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Ter Nov 20, 2012 3:57 pm

CAPÍTULO 10 - SAMANTHA CARTER
"Segunda-feira sa[/i]ngrenta"


Uma das ironias da vida é que quando você quer que as coisas demorem, elas passam rápido, e virse-versa. Hoje, uma bela (ou não tão bela) segunda-feira, acabariam os meus preciosos dias de folga no parque de diversões Candyland, onde trabalho pra tentar me sustentar sem depender totalmente de meu pai. Acordar cedo, às sete da manhã, para sair às cinco da tarde.

Cutuquei Emily, ela sairia na mesma hora que eu. A garota xingou um pouco, seus olhos estavam vermelhos por ter ido dormir tarde.

Tomei meu banho e fiquei enrolada na toalha, vasculhando meu armário à procura de meu uniforme. Era uma coisa ridícula, blusa amarela, saia branca rodada, botas cor-de-rosa e acessórios no cabelo que me faziam sentir bastante boba. Coloquei um pouco de café na xícara e resolvi abrir meu Twitter. Lembrei que a Tay e a Lexi haviam dito que seu número de seguidores havia aumentado drasticamente. Bom, a Lexi sempre teve muitos seguidores por já ter trabalhado como modelo. Será que o mesmo havia acontecido comigo?

“Bom dia pra quem já está acordado. xx” - Twittei e logo em seguida abri a minha página, checando as novidades.

Sim! Caramba, 18 mil seguidores! Por um momento eu até podia me sentir famosa!

“Nossa, estou impressionada! Bem que a @TayWesker me disse. 18 mil, muitas pessoas! Xxx”

Minhas menções também estavam lotadas. Muitas só pediam pra serem seguidas de volta, o que era bastante irritante. Eu segui algumas... FC’s de OneRepublic, Glee, algumas de One Direction e até uma garota com foto do Bob Esponja. Algumas perguntavam - novamente - sobre aquele dia na delegacia. Muita gente, na verdade. Não quis responder. Olhei o Twitter de Jason e vi que ele ainda não tinha postado nada hoje.

Emily entrou na cozinha para fazer uma breve refeição antes de ir pro trabalho. Ela estava muito fofa, com uma blusa lilás com um arco-íris e calça branca.

- Aaaw! - Eu falei ao vê-la. - Parece que faz tanto tempo que eu não a vejo assim! - Ri ao ver a cara dela. Em não era muito fã de seu uniforme.

- Olha quem está falando, né, dona Unicórnio. - Emily disse e isso me fez rir. Nós ficamos conversando um pouco e comendo nossas torradas quando Tay apareceu em seu pijama, de óculos e cabelo bagunçado.

- Bom dia. - Ela falou. Tay era estagiária em um jornal daqui, não era um dos mais importantes, mas ainda assim bem popular. Isso era ótimo para a sua futura carreira. Em pouco tempo, ela também começaria a se arrumar para ir. Enquanto isso, esperava eu que Lexi e Angie fizessem alguma coisa de útil em casa.

- Bom dia, linda. - Emily deu um beijinho na bochecha dela e na minha. - Estou indo! Até mais tarde.

- Tchau. - Falamos nós em uníssono. Eu demorava muito para comer, ainda estava na metade da terceira torrada. Provavelmente porque eu ficava sempre checando o Twitter de Jason para ver a hora que ele acordaria.

- E então, o que vai fazer depois do trabalho? - Perguntei para ela. Ela deu de ombros e depois olhou para a minha roupa, rindo:

- Talvez ir brincar no parque. Eu fiquei sabendo que tenho desconto nos bilhetes e tudo mais.

- Claro, claro que tem. - Eu ria. Uma musiquinha irritante começou a soar do meu celular e eu vi na tela “Alarme: Hora de ir! Smile” e me levantei. Peguei minha mochila com meus utensílios, abracei a Tay e fui.


Estava no táxi, distraída, então percebi que estava tocando Somebody to Love. Engraçado, se a Tay estivesse ali, ela iria pirar. Notei também que o carro havia parado. Achei que o motorista estava tirando uma com a minha cara.

- Será que você poderia andar? Eu não quero pagar muito caro.

O motorista ficou um pouco (um pouco?) irritado comigo. Seu rosto dizia tudo:

- Como, moça, você gostaria que eu andasse? Acha que eu sou o Harry Potter?

Olhei ao redor e vi a quantidade de carros que nos cercavam. Sim, belo dia para o trânsito em Londres estar uma porcaria. Chegar atrasada justo no primeiro dia de volta da folga seria bem ruim e eu iria ouvir bastante, portanto... É, melhor não. Encolhi-me no banco, com medo do motorista malvado, e coloquei meus fones de ouvido quando uma mensagem de Jason chegou.

“Bom dia, linda! Já acordou? x”

Dei uma risadinha e vi que o motorista do táxi me encarava pelo retrovisor. Voltei meus olhos para a tela do celular e digitei com dificuldade:

“Sim! Estou indo para o trabalho, esqueceu? E, a propósito, o motorista do táxi é muito estranho, estou com medo, venha me salvar. xx”

“Ha! Como assim? O que ele fez para você? Nos vemos mais tarde? Sad

Não pude deixar de sorrir. Apesar de a gente não se conhecer há muito tempo, nós sabíamos tudo um do outro, ficamos e então nos apaixonamos. Também não estávamos namorando a muito tempo, mas puxa, Jason é um fofo!

“Sim, nos vemos mais tarde.” Apertei o botão para enviar.


Quase no fim do serviço, fui surpreendida enquanto guardava os tigres e leões de pelúcia por um garoto muito bonito. Hm, Jason sabia onde eu trabalhava?

- Ei! - Eu coloquei meus braços em volta de seu pesçoco, o abraçando, mesmo que tivesse um balcão entre nós. Segurei-o pelos ombros. - Por que não me avisou que viria? Eu colocaria uma roupa menos ridícula.

- Como assim? - Ele ergueu as sobrancelhas. - Você está linda.

- Aw. Como você mente mal. - Eu dei uma risadinha.

Ele se aproximou mais, e eu temi que ele acabasse se batendo feio no balcão cor de rosa, o que não aconteceu. ainda bem.

- Então, o que quer fazer hoje? - Jason perguntou, de uma forma estranha que me fez rir ainda mais. - Pizza, brincar aqui no parque...

Eu segurei seu rosto carinhosamente, fazendo com que ele me olhasse nos olhos.

- Numa segunda-feira?

- Por quê não?

Dei de ombros, fazendo biquinho, e aproximei meu rosto do dele. Estávamos quase encostando nossos lábios quando uma voz conhecida quase me matou do coração:

- Eu posso ir também?

Pulei com o susto, gritando “AAAAAH!” e um palavrão, logo em seguida tapei a boca com a mão; as meninas e Jason me olharam, céticos, como se nunca tivessem ouvido um palavrão saindo da minha boca. Bem, talvez porque estivéssemos cercados de crianças que nem faziam ideia do que significava a palavra com P.

- O que eu fiz? - Perguntou Angie, os olhos azuis arregalados cheios de sarcasmo.

- Quase me matou de susto, obrigada. - Coloquei a mão sobre o coração, fazendo cara de ofendida. Emily riu, sozinha, o que era típico dela:

- Não seja dramática, Sammy. Oi, Jason! - Ela abriu um sorriso assustador, daqueles que você faz quando quer colocar medo em alguém, e o olhar que acompanha essa sensação.

Pobre Jason...

- Oi. - Ele disse, se afastando um pouco, com as mãos no bolso. Engraçado, ele tentando ser formal. - Hã...

- Eu quero pizza. - Falaram Lexi e Angie ao mesmo tempo, com um olhar meio maníaco. Então Lexi continuou sozinha: - Por favor, cara! Você namora a nossa pequena e a gente não sabe nada de você, só que seu sobrenome é Dashwood.

- Você gosta da Jane Austen? - Taylor piscou, com os olhos brilhando.

- Isso, deixei de ser a pequena... - Falou Em, com um sorriso idiota na cara.

Franzi os lábios, um pouco chateada. Eu não poderia dizer pras meninas que preferia que elas não fossem. E, aliás, é verdade, elas mal conhecem Jason. Parecia injusto.

Eu peguei a tiara de antenas de abelha que estava na minha cabeça e a coloquei sobre o balcão. As meninas me olhavam, com um sorrisinho maléfico, sem nada dizer. Jason estava confuso.

- Bom, vamos lá, não é? Pizza... - Suspirei, um tanto dramática. Vi um “high five” de Tay e Lexi e fechei a cara. Nós seis fomos andando em silêncio, e o silêncio já estava começando a me perturbar.

- Então?! - Olhei para as garotas, que estavam indo atrás de mim e Jason.

- Você não respondeu se gostava de Jane Austen. - Falou Tay, chutando uma pedrinha na rua. Eu olhei para ele com o canto do olho e vi que ele havia tomado uma expressão esquisita.

- Assistir o filme de Orgulho e Preconceito conta? - Arriscou Jason.

- Não. - A ruiva ficou com raiva.

Jason arregalou os olhos azuis e suas bochechas ficaram coradas. Emily andou um pouco mais depressa, ficando mais perto de nós. Soltou a coisa mais estúpida do mundo:

- Você tem filhos?

Eu olhei para Em, incrédula. As meninas caíram na gargalhada, pararam de andar para rir, e a risada era tanta que elas até lagrimavam. Em estava sorrindo, mas olhava para Jason, esperando sua resposta.

- Ahn, não. Eu só tenho dezenove anos...

- Isso significa que você repetiu na faculdade. - Tay arregalou os olhos, como se ele tivesse cometido um grande pecado.

Engoli em seco. Será que aquela tinha sido uma boa ideia, mesmo?

- Não! - Jason deu uma risada, apesar de eu estar certa de que ele estava desconfortável. - É que minha família teve uns problemas.

Sim, ele já tinha me contado essa história. Jessica Dashwood, sua mãe, ficara doente e eles precisaram usar o dinheiro que estavam guardando para a matrícula de Jason na faculdade. Teve de ser usado para a cirurgia da sra. Dashwood. Eu achei o ato muito bonito... Abrir mão do sonho tão aguardado pela sua mãe.

- Você tem alguma ex-namorada vingativa? Porque, bem, eu não quero quebrar minhas unhas arranhando a cara de alguém que possa maltratar a Sammy... - Lexi falou e eu corei. Nós chegamos na pizzaria, que não estava muito cheia, talvez por conta do horário. Ainda assim, meu estômago implorava por alguma coisa.

Nos sentamos em uma mesa grande, e fiquei com pena de Jason. Todas elas o olhavam, porque ele ainda não tinha respondido a pergunta. Confesso que até eu estava um pouco curiosa.

- Hmm... - Ele pareceu vasculhar na mente por um tempo, ou simplesmente estava com vergonha de me dizer. - Não sei se vingativa. A última era ciumenta.

- Qual o nome dela? - Eu perguntei, olhando para o cardápio.

- Você também é ciumenta, Sam? - Jason ergueu as sobrancelhas. As meninas nos olhavam, com cara de interessadas.

- Não. Só queria saber o nome. - Eu engoli em seco quando Emily começou a rir alto e bater na mesa. - Controle-se!

Em mordeu o lábio inferior.

- Foi engraçado! “Não. Só queria saber o nome dela”. - Ela imitou minha voz e gesticulou. Isso me fez rir.

- Vou te matar! - Mostrei a língua. Então voltei os olhos para meu namorado: - Se não quiser me contar, tudo bem.

- Eu tenho uma pergunta. - Angie piscou, inocente. Todos olhamos para ela. Ela umedeceu os lábios e falou, com voz de criança: - Você é gay?

Ninguém aguentou e começamos a rir alto. Angie permaneceu séria, o que assustou Jason.

- Você não estava brincando?

- Não. - Ela admitiu. - Fiquei curiosa.

- Nossa, você é horrível! - Falei para ela, ainda rindo. Angie deu de ombros e pediu a pizza.


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MensagemAssunto: Re: Inside Us - By Burn & Drunk   Sex Dez 07, 2012 7:57 pm

CAPÍTULO 11 - EMILY CAMPBELL
"Pingue-pongue"

Não era mais de duas horas da manhã quando meu celular tocou, anunciando uma nova mensagem. O susto foi tão grande que sem querer eu dei um chute em Cuddles, que dormia no pé da minha cama. O cachorro reclamou e aquilo quebrou meu coração, mas na real eu estava morrendo de sono:

- Desculpa! Mas ninguém mandou você vir dormir na minha cama, sua dona é a Sammy. - Murmurei, procurando embaixo do meu travesseiro aonde estaria o meu celular e quem havia me mandado mensagem uma hora dessas.

“De: Mamãe
Filha! Estou embarcando para uma viagem turística para a Grécia! Vou realizar nosso sonho de ver os monumentos de lá e comprarei umas estátuas de deuses pra você. Eu te amo xx”

Nossa. Minha mãe nunca entendeu que o fuso horário de Nova York e Londres é totalmente diferente. Mas tudo bem, não foi sua intenção me acordar no meio da madrugada me informando que estava indo para a Grécia. Que sorte a dela.

“Para: Mamãe
Wow, que legal, mãe! Espero que se divirta bastante. Nada de se pegar com deuses gregos, viu? Eu te amo mais, xx”

Apertei o botão para enviar e afundei a cara no travesseiro, voltando para um sonho totalmente idiota, onde palhaços queriam me raptar. É, sonhos típicos de Emily.


Eu segurava a xícara com café enquanto dançava alguma música que tocava na rádio pela cozinha. Comemorava o dia de folga, na verdade, eu só trabalho três dias por semana na creche Kids N Sunshines. A bebida descia queimando pela minha garganta, o que me deixava um pouco hiperativa... E animada. Claro que grande parte da animação parou quando eu cheguei na sala de estar e vi tudo bagunçado. Livros, revistas, casacos, brinquedos do cachorro... Espalhados pelo chão. Suspirei e deixei a xícara na mesinha de centro.

- Isso aqui tá uma bagunça! Parece uma casa de homens!

- Tá falando igual a minha mãe. - Angie apareceu, comendo cereais na tigela. Tay riu, enquanto tirava os casacos do chão.

- Mas Em está certa. Precisamos arrumar tudo aqui.

Assenti, agradecida. Peguei o rádio na cozinha e coloquei meu pendrive, havia uma lista de músicas legais lá e não há nada mais estimulante do que arrumar a casa com música alta.

- You’ve got me feeling hella good so let’s just keep on dancing... - Comecei a cantar junto enquanto ia recolhendo as revistas. Alexia estava limpando os móveis com seu espanador de pó cor de rosa, fez uma careta para mim:

- Não tinha uma música mais velha para escolher?

- Calada, isso é um clássico. - Resmunguei quando meu celular vibrou. Achei que fosse uma ligação, então pausei o rádio, mas na verdade, era só uma mensagem nova:

“De: Harry S.
Estava andando pela rua quando achei isso e lembrei de você. xx”

E embaixo havia um anexo para abrir. Uma foto. Cliquei para abri-la e, quando carregou, senti minhas bochechas queimando. E o que era? Nada mais nada menos do que a maldita revista, Harry cobria seu rosto com a mão e com a outra tirou a foto.

- Hã, você tá bem? - Perguntou a Tay. - Está toda vermelha.

Engoli em seco, dando um sorriso de canto depois.

- Sim. Esperem, eu já volto pra ajudar vocês. - Anunciei enquanto ia para o meu quarto. Me joguei na cama de bruços e encarei a tela do celular, pensando no que escrever.

“Ah... E sobre isso, me desculpe.”

E enviei. Fiquei esperando a resposta chegar enquanto Lexi gritava para que eu voltasse e ajudasse na arrumação. Mas eu estava concentrada, esperando uma mensagem de texto de Harry Styles, claro.

“Não, eu achei engraçado. Aliás, eu gostaria de te encontrar novamente.”

Acho que me engasguei, mesmo sem estar bebendo alguma coisa. Arregalei os olhos. Será que ele estava de brincadeira comigo? (Sim, eu estou sendo dramática, mas ainda assim). Mordi o lábio inferior, fitando a tela sem saber o que dizer. Metade da população feminina estaria querendo me matar neste momento.

“Sério? Bem... Por enquanto, eu não tenho nenhuma tarefa. x Smile

Na verdade, eu não fazia ideia do que dizer, então mandei essa idiotice. Comecei a rir sozinha, imaginando o porquê da minha estupidez. Pessoas normais saem todos os dias... O problema é se uma dessas pessoas for um cantor conhecido mundialmente.

Esperar pela resposta começou a me deixar aflita a ponto de começar a roer as unhas... Não, estou brincando. Eu jamais faria isso com minhas unhas. Fiquei batucando a cama, fiquei de cabeça para baixo, olhei para o teto... E não, não acontecia nada.

“Battersea, 7 pm.”

E foi isso o que chegou. Morei dos 10 anos aos 12 em Londres, e acho que a última vez que fui no Battersea Park foi nessa época. Depois que meus pais se divorciaram e eu fiquei morando em Nova York e estudando em Oxford, deixei de andar pela cidade. Voltei a fazer isso depois da formatura, quando resolvemos morar todas juntas.

Hm, acho que eu lembro onde fica o parque.

Coloquei o celular no bolso de trás do short e voltei para ajudar a arrumar as coisas. Terminamos em pouco tempo e ficamos morrendo de tédio, até que Lexi recebeu uma ligação que a fez arregalar os olhos. Eu não sabia com quem ela estava conversando, talvez fosse o francês que ela gostava... Mas não, tinha sido uma agência de modelos que queria que ela posasse. A garota começou a gritar e, como amigas, nós tivemos que compartilhar a felicidade dela.

O tempo passou bem rápido até, para uma tarde onde só tinham filmes chatos na TV.Tomei um banho quente, sequei meus cabelos e fiquei parada na frente do guarda-roupa aberto, sem saber o que usar. Eu não sei se tenho um estilo próprio, na verdade eu pego qualquer coisa, contato que eu não fique ridícula.

Jeans são legais, e combinam com qualquer coisa. Já a cor da blusa eu não sabia. Peguei uma roxa, estava com humor pra usar roxo, e não, eu não sou supersticiosa ou coisa assim. Roubei um par de sapatilhas pretas da Lexi antes de sair.

- Pra onde você vai, baixinha? - Perguntou Angie enquanto conectava o carregador de seu notebook na tomada.

- Vou comprar remédio, tchau. - Fechei a porta e saí. Não sei se aquela tinha sido a minha melhor desculpa de saída, mas eu estava sem criatividade pra inventar alguma coisa mais original.

No táxi, eu recebi algumas fotos da minha mãe em Atenas. Ela parecia muito feliz, seus cabelos castanhos bem claros ao vento, os olhos azuis embaixo de óculos de sol... Mamãe parecia muito feliz e isso me fazia bem. Mesmo que ela precisasse estar longe de mim para isso...

Ok, Emily, chega de pensamentos idiotas.

Pulei do táxi e olhei em volta. Não haviam muitas pessoas no lugar, e por um lado isso era bom. A ideia de aparecer numa revista novamente era assustadora, até porque aquilo era bem desconfortável. Eu queria ser médica, não famosa. Mas meus seguidores no Instagram tinham aumentado bastante... Até porque é uma das únicas redes sociais que eu uso.

Fui caminhando enquanto observava as árvores iluminadas, tanto pela lua quando pelas lâmpadas. Era um lugar bonito, e ao ar livre, a combinação perfeita.
Eu realmente não gostaria de ver minha cara quando avistei os cachos do garoto. Forcei um sorriso, enquanto caminhava em sua direção.

“Droga, ele é alto!”, pensei enquanto caminhava. O que eu faria agora? Cutucá-lo?

- Oi? - Perguntei, um pouco incerta. Harry se virou. Ele tinha os braços cruzados sobre o peito, e parecia estar concentrado em alguma coisa do outro lado.

- Oi. Pensei que não ia vir. - Harry riu. Eu senti minhas bochechas queimando, odiava atrasos. Se bem que eu não estava tão atrasada assim. - Vamos?

- Claro. - Respondi, encarando meus pés enquanto seguimos andando. - Eu gosto desse lugar, a última vez que vim aqui eu tinha, hm, onze anos, eu acho.

Ele deu uma risada.

- Sério? Bem, aqui é legal. E eu preciso falar uma coisa pra você.

- Precisa? - Ergui uma sobrancelha, questionadora. O que quer que fosse dizer, e sim, ele ia. Estava abrindo a boca quando recebeu uma mensagem.

Fiquei pensando se a mensagem dizia que ele não devia contar. Mas seria bem indiscreto fazer essa pergunta em voz alta.

- Esquece. Talvez depois.

- Certo.

Eu fitava as árvores pelas quais a gente passava. No outono, deveriam ficar lindas. E eu nem estaria ali para descobrir, porém faltavam 4 meses para a faculdade.

- Então, que tal pingue-pongue? - Perguntou Harry e eu olhei para ele, confusa. - Eu vou perguntar uma coisa para você e você responde rapidamente.

- Acho que consigo. - Dei uma risadinha.

“Talvez não tenha sido uma boa ideia”, pensei. Lembrei-me daquele meu problema de sempre falar demais quando se trata a respeito de... Mim.

- Nome do meio?

- Dianna. - Falei. Eu gosto do nome, às vezes mais do que Emily.

- Aniversário?

- 7 de abril.

- Cor favorita?

- Roxo. Nossa, acho que você é o primeiro cara que pergunta isso pra mim. - Eu disse. Harry riu e fez uma cara pensativa. Talvez ele estivesse pensando nas perguntas.

- Não sei o que perguntar. - Ele admitiu. - Provavelmente porque eu já fiz a maior parte das perguntas pelo celular.

Mordi o lábio inferior de leve.

- Eu discordo. Se fosse eu fazendo as perguntas... Mas eu vou poupá-lo disso.

- Depois. - Andamos mais um pouco em silêncio até que Harry perguntasse: - Você trabalha, certo?

- Sim, - Falei enquanto ria - eu já disse isso pra você, numa creche, três vezes por semana. Mas o que eu quero mesmo é ser médica. Você costuma esquecer as coisas?

Harry fez uma careta.

- Sou eu quem faz as perguntas.

Mostrei a língua. Ele continuou:

- Com quantos anos você se apaixonou pela primeira vez?

Bom, ninguém me pergunta isso todo dia. Mas eu lembrava. Como esquecer? Tive um flashback, me vi quando bem pequena correndo com o garotinho pelo Central Park, nossas mães eram amigas e viviam juntas. Acho que foi por isso que comecei a gostar dele.

- Onze anos. Joshua Pratt. Ele era legal.

- E com quantos anos foi o primeiro beijo?

- Onze anos. Joshua Pratt. - Repeti, enquanto me segurava pra não rir relembrando a cena. Sim, eu havia beijado o garoto. Foi muito engraçado na hora, porque ele ficou realmente constrangido. Anos depois nós namoramos. Mas nem foi tão bom quanto eu esperava que fosse na minha época de criança.

- E a primeira vez que... Você sabe. - Ele disse com um sorriso malicioso. Talvez eu devesse levar na esportiva, mas aquele era um assunto delicado até demais, que eu não ia comentar agora. Ninguém sabia disso, nem mesmo minhas melhores amigas. Eu não tinha a capacidade de dizer isso pra ninguém. Minha reação instantânea foi de choque. Depois tentei disfarçar dando um leve tapa no braço dele. - Ei, calma!

Engoli em seco e forcei um sorriso.

- Não quero falar sobre isso.

- Ok, me desculpe. - Harry parecia embaraçado. Depois nós meio que trocamos de papel... Eu não perguntei, até porque nunca fui boa em formular perguntas. Mas ele acabou falando por si só. Contou sobre sua vida antes do programa, e realmente era algo... Interessante de se ouvir. Ele era um cara normal, na verdade.

Não sei quanto tempo ficamos conversando. Talvez umas duas horas, eu não tinha muita certeza. Meu celular começou a tocar e eu vi o nome Alexia W. no identificador de chamadas com uma foto da loira. Não demorei para atender.

- Oi, gata, tudo bem? - Perguntei, um pouco assustada. Geralmente Lexi preferia trocar mensagens de texto, a não ser que fosse algo muito urgente.

- Tudo. - A voz dela estava diferente. - Tem certeza que foi comprar um remédio? A Tay está preocupada e perguntou se estava comigo, mas com certeza você não está... Pra onde você foi?

Dei uma risada sem graça.

- Eu que pergunto.

Lexi soltou uma risada gostosa e eu franzi a testa. Eu quase pude imaginá-la, segurando o telefone com as duas mãos, as bochechas coradas, e piscando os longos cílios quando ela disse:

- Estou com o Levih.

Olhei para o chão. “Será que eu falo também?” Ah, depois eu falo.

- Hm, se divirtam... Mas nem tanto. Já vou pra casa, avisa a Tay. Beijos. - “E use camisinha”, pensei, mas não queria soar tão depravada.

- Ok, até mais. - Ela desligou. Harry parecia não querer escutar a conversa, apesar de ser meio inevitável.

- Precisa de carona? - Perguntou. Meu Deus do céu, isso realmente estava acontecendo comigo?

- Ah, claro, obrigada. - Dei um sorriso. Pelo menos não precisaria andar por algum tempo...


Comecei o dia seguinte com um quase ataque cardíaco pensando que estava atrasada. Meu relógio marcava 8 da manhã e não havia despertado. Peguei aquela porcaria e joguei na parede, berrando uns palavrões e com lágrimas de raiva queimando nos meus olhos. Estava atrasada para o trabalho e possivelmente isso resultaria em demissão.

- Emily, você é idiota ou só finge que é? - Angie me fitou, os olhos inchados como se tivesse sido despertada antes da hora. - Hoje é seu dia de folga.

“Ah, é verdade”, realizei. Sentei na cama e comecei a chorar, mas dessa vez de felicidade, e comecei a rir alto também. Eu ri tanto que minha barriga começou a doer, e realmente eu acho que sou idiota.

Fui para a cozinha fazer meu café da manhã. Na verdade, estava sem inspiração pra fazer um super sanduíche ou algo assim, então enchi uma tigela com cereais e leite. Lexi apareceu e a roubou.

- Devolve meu café. - Choraminguei. Ela estava com o cabelo loiro bagunçado e havia dormido de maquiagem, de forma que eu podia ver seu rímel borrado abaixo dos olhos. Ainda bem que tenho uma mente pura.

- Nah. - Resmungou ela. - O que você fez ontem?

Alexia não estava sendo sarcástica, ou seja, ela não tinha visto notícias ou coisa assim.

- Não me bate. Mas... Ah, que drama, eu estava com o Harry. - Ela me deu um tapa no braço.

- O que? Acho que somos amigos.

- Mas você é uma maluca mesmo. - Ela revirou os olhos. - Bom, deixa eu contar o que aconteceu ontem.

- Se tiver alguma coisa imprópria, não quero saber. - Puxei a tigela de volta e comi mais um pouco. Ela me deu língua.

- Não... A gente simplesmente saiu pra conversar. Mas eu acho que gosto dele. Porque ele é fofo e legal. E parece gostar de mim também. Só que tudo é tão confuso. - A loira escondeu o rosto com as mãos. Hm, estar apaixonada é estranho mesmo. Espero não precisar sentir isso novamente.

- Ah, Lexi, não fica assim, ok? Se for pra acontecer, vai ser. - Esse é o meu melhor conselho? Que droga, sou um fracasso até como amiga.

- Somos muito diferentes, Em.

- E daí? - Dei um sorriso pra ela. - Você é linda, e legal, e tem um ótimo gosto para roupas.
Ela sorriu, mesmo que parecesse um pouco constrangida. A situação era engraçada, considerando que entre nós 5 ela era a melhor com garotos. Estranho... Mas o que o amor não faz com as pessoas.

Mais tarde, no mesmo dia, fiquei olhando o pôr-do-sol enquanto sentia Cuddles me arranhando. Olhei para o cachorro que pedia atenção e senti pena dele.

- Sua dona não te levou pra passear? A culpa não é minha. - Voltei a encarar o céu, que parecia uma tela de pintura abstrata. Tinha um tom púrpura misturado com os últimos raios dourados do sol. Sammy havia ganhado dinheiro de seu pai e decidiu comprar uma câmera profissional nova, e Angie saiu com ela pois as duas iriam até a sorveteria. A biografia de Jane Austen havia sido lançada hoje e Taylor foi até a livraria, Lexi foi junto para comprar as revistas do mês. Eu não tinha nada pra fazer. Talvez ficar jogando a bolinha vermelha e esperar Cuddles trazer de volta.

Liguei a tv e fui passando os canais. Não estava concentrada na série de TV sobre um adolescente lobisomem ou seja lá o que fosse, porque minha mãe estava narrando a viagem e quando perguntei se ela tinha encontrado algum deus grego por lá, ela disse que sim, mas que não queria compromisso porque não depende de homem. Precisamos rever quem é a adolescente na família.

Ouvi a campainha tocar e não achei que fosse alguma das meninas, todas nós temos uma cópia reserva da chave caso aconteça algum imprevisto. Me levantei e fiz aquilo, uma coisa que acabou se tornando um costume idiota: Na minha antiga casa, eu sempre olhava pelo olho mágico da porta, ficando na ponta dos pés; mas aqui nós não temos olho mágico e eu continuo fazendo isso. Às vezes bato a testa na porta. É ridículo.

Destranquei a porta e girei a maçaneta. Não imaginei que teria visitas tão importantes. Dei um passo para trás ao ver Liam Payne, Harry Styles e Niall Horan na minha porta.

- Ahn... - Foi tudo o que consegui dizer.

- Olá, Emily! - Os três falaram ao mesmo tempo. Pisquei forte. Se eu já estava me sentindo daquele jeito mesmo não sendo fanática por eles, imagine se eu fosse? Então, eles se apresentaram individualmente. Menos Harry, que eu já conhecia.

- Oi. - Disse eu, sem graça. - Vocês, hm, querem entrar? - Fiquei na ponta dos pés para ver se Lyssa não estava espionando. Bem, ela diz ser fã dos garotos, então...

- Claro, obrigado, olha só, eu falei que a gente não ia precisar pedir. - Niall deu um tapa em Liam e foi o primeiro a entrar. Se sentou no sofá e ficou olhando os outros. Liam pediu licença. Harry me deu um abraço (o que foi estranho, pois eu não estava acostumada com isso). Logo os dois ficaram ao lado de Niall e eu preferi ficar em pé.

- Certo... - Pensei no que dizer. - Não estão faltando dois?

- Alguém precisava distrair o Zayn. Louis não se importou. - Liam falou. Fiquei confusa. Por que Zayn precisaria ser distraído?

- E isso faz sentido porque...?

Os três se entreolharam.

- Sabe sua amiga Taylor? - Perguntou Harry.

- Não, quem é? - Ironizei.

- Burro. - Riu Niall. - Enfim, Emily, o que estamos querendo dizer é... - Ele parou de falar e olhou para os outros dois. - Só eu vou falar? Ah, por favor, alguém me ajuda?

Liam deu uma risada:

- Não.

- Agora que você me ofendeu, pode continuar sozinho. - Harry cruzou os braços.

- Mas eu sinto como se eu estivesse falando mal do Zayn pelas costas! - Niall exclamou e eles começaram a discutir entre si, gesticulando bastante com as mãos.

Bom, eu posso ser esperta, às vezes. Harry mencionou Tay. Eles falaram de Zayn também. Até onde eu sabia, eles eram amigos, eu acho. Mas, quem resiste a uma ruiva nerd?

- Então Zayn está, tipo... Gostando da Tay?

- Ufa, não precisei falar. - Niall deu um sorriso. Eu sentei em uma cadeira que estava atrás de mim. Coisas assim não acontecem todo dia.

- Interessante. - Falei. - E o que mais?

Bom, deveria ter algo a mais na história.

- Nós temos um problema... - Harry disse. - É que Zayn pode ser muito covarde pra essas coisas... Acho que ele não sabe como chegar na sua amiga.

Fiquei apreensiva. Devo admitir que, incialmente, aquela ideia não me deixava muito feliz. Talvez porque uma vez que tive decepção amorosa, tenho medo que as minhas garotas tenham também. E, caramba, ele é famoso!

- E vocês querem, hm, minha ajuda? - Me encolhi. Os três disseram “sim” em uníssono como se tivessem ensaiado muito para fazer aquilo.

- E se Louis estivesse aqui, ele diria sim também. - Adicionou Liam.

Como chegar em uma garota que lê romances da Era Vitoriana? Muito fácil.

- Acho que tenho uma ideia.


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